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Crise, depressão ou medo?
Diogo Mattana
Acadêmico do curso de Economia da Unijuí, Bolsista PIBEX e integrante do Grupo PET.
03/01/2009 - Nos últimos meses estamos acompanhando o desenrolar do que tem sido chamado de “crise do sistema financeiro mundial”. Muitas vezes comparada com a grande depressão de 1929 e considerada por muitos analistas como sendo a maior crise econômica da história do capitalismo. Mas o que é esta crise? Porque é uma crise do sistema financeiro?
A crise começou com o problema das hipotecas imobiliárias, ou seja, o bancos norte-americanos emprestaram muito dinheiro a credores com capacidade de pagamento duvidosa, os chamados sub-prime, e estes em troca hipotecavam suas casas e até compravam novas casas com o dinheiro dos empréstimos, visando obter lucro pela valorização destes imóveis. A partir do momento em que o mercado ficou saturado, os valores dos imóveis reduziram-se drasticamente, de forma que a dívida tornou-se muito superior ao valor do bem adquirido ou dado em garantia na forma de hipoteca.
Assim ficou mais fácil entregar a casa hipotecada do que pagar a hipoteca. Os bancos, por sua vez, para garantirem o seu investimento contrataram seguros para estes papéis de hipoteca, as seguradoras fizeram seguro deste seguro e resseguro do seguro e resseguro do resseguro... em uma extensa rede de relações financeiras baseada em papéis de alta rentabilidade e de altíssimo risco. Quando uma elevação na taxa básica de juros dos EUA alterou os cálculos de viabilidade destes negócios, os devedores optaram por deixar de pagar suas hipotecas, tornaram-se inadimplentes e devolveram seus imóveis esse sistema inteiro implodiu e o resultado todos nós vimos.
Além de perguntar sobre as causas que originaram esta crise também é preciso refletir sobre as suas conseqüências, os impactos que ela produziu pelo mundo e especialmente no Brasil. A credibilidade do sistema financeiro mundial foi afetada profundamente pois, além de provocar prejuízos financeiros por toda parte, a crise provocou a quebra de inúmeras empresas, inclusive bancos de grande porte, e seus efeitos só estão sendo contidos graças as ações coordenadas dos governos dos países ricos e com a destinação de US$ trilhões de recursos públicos para salvar outras.
Os governantes brasileiros têm afirmado que o Brasil está seguro, que possui reservas de segurança e que não será afetado mais seriamente pela crise.
Efetivamente o nosso sistema financeiro passou por um período de ajustes, após a crise de 1998/99, tornando-se um sistema bem mais seguro, estável e responsável.
De outro lado, uma política econômica conservadora que prioriza o controle da inflação antes do crescimento econômico, especialmente através manutenção de uma taxa de juros muito alta. Toda a vez que a inflação dá sinais de crescimento os juros aumentam, fato que causa um impacto direto no consumo e no investimento. Quanto ao consumo fica mais difícil comprar, especialmente a prazo. Quanto ao investimento, responsável pelo aumento da capacidade produtiva instalada, o resultado é ainda pior, torna-se muito mais difícil e mais caro investir, o custo de oportunidade é maior quanto maior for a taxa de juros.
Os impactos que o Brasil está sofrendo, resultantes da crise internacional, resultam muito mais do medo em relação ao que poderá acontecer do que dos problemas reais do sistema financeiro e da economia brasileira em si. Pelo medo de consumir, pelo medo de investir, pelo medo da crise. Sim, no Brasil a crise é uma crise gerada pelo medo e não pela fragilidade econômica, este medo é agravado pelo aumento ou pela não diminuição das taxas de juros, que num prazo maior acabam impedindo o crescimento do país.
Claro que muitas empresas multinacionais instaladas no país devem sim sofrer com a perda de faturamento e mesmo a falência de suas matrizes e filiais espalhadas pelo mundo, bem como muitas empresas nacionais que fizeram negócios de longo prazo com um alto grau de risco ou perderam dinheiro com as mudanças do câmbio e a retração do mercado mundial. Esta retração do mercado deve impactar negativamente nas exportações, mas é preciso lembrar que temos um mercado interno com grande potencial, de forma que os produtos que seriam exportados podem ser consumidos internamente. Além disso, os ajustes no câmbio podem compensar os preços.
Além disso, temos as reservas, que são para momentos de dificuldade. Bom se o mercado mundial está em dificuldade e a economia local necessita de investimentos, esta na hora de usarmos estas reservas para fazer investimentos e apoiar as exportações. O investimento é capaz de gerar novos empregos, mais renda e crescimento econômico, portanto esta é a hora de incentivar investimentos, tanto estatais quanto privados, especialmente pela redução da taxa de juros e pela disponibilização de recursos.
Portanto, como o nosso presidente recomenda otimismo e pede para a população consumir mais, seria importante que o governo pudesse articular todos os seus instrumentos de política econômica neste sentido. É importante manter os programas e projetos de investimento, os programas sociais de distribuição de renda e aumento do poder de compra da população, mas também as linhas de crédito para investimentos privados e, especialmente, reduza os juros.
Os livros e a poesia de Pablo Neruda
Miguelangelo Corteze
Professor de História do Instituto Estadual de Educação Cardeal Pacelli. Está cursando a Pós-Graduação “Latu Sensu” em Ciências Sociais pela Celer Faculdades e foi selecionado para o Mestrado em Educação nas Ciências na UNIJUI/2009.
20/12/2008 - O estudante que lê possui um vocabulário muito mais rico, conseguindo com maior facilidade ficar mais bem classificado em concursos, provas ou no vestibular. O que se observa, infelizmente, é que o hábito da leitura ainda não é visto como sendo prazeroso pelo brasileiro. Ao contrário, o livro é um inimigo. Objeto de tortura, horror.
Como seria absurdo ver Ronaldinho Gaúcho, várias vezes campeão de futebol, dizer que não gosta da bola? Imagina então como fica a situação do estudante que não gosta de ler! Não é uma posição confortável com certeza. Está claro que este problema precisa ser enfrentado com urgência. A sala de aula é por si só insuficiente para completar a educação. É por isso que a biblioteca deve ser um ambiente de trânsito natural dos estudantes. Ela deve ser um lugar agradável, aconchegante e acolhedor.
Isto ainda não é suficiente para convencer que a leitura é importante. A questão é mais profunda do que aparenta. Não através da obrigação que vai ocorrer a mudança desejada deste hábito. Não é, também, a questão aqui de procurar culpado. O importante é discutir este tema para, talvez, encontrar uma solução.
Simon Bolívar no século XIX - o libertador de cinco países da América do Sul – já alertava sobre o problema: “Um pueblo ignorante es un instrumento ciego de su propia destrucción”. Seguindo seus passos, Hugo Chaves, atual presidente da República Bolivariana da Venezuela é protagonista de uma revolução que procura colocar na prática os sueños de Bolívar, de Che Guevara e tantas mulheres e homens que deram a sua própria vida em defesa da liberdade e da justiça. A Venezuela está perto de zerar o analfabetismo. Viva a Venezuela de Chaves.
É com professores bem formados, valorizados e estimulados que se desenvolve uma boa escola. Até porque escola pública deve ser exemplo de qualidade. Os filhos dos operários e trabalhadores também possuem o direito de uma educação de bom nível. Abaixo aqueles que querem destruir a escola pública. Viva a escola pública.
Já pensou na tristeza de uma escola com profissionais desmotivados sem projetos novos com livros velhos e papéis amarelados. Que pessimismo! Um diz que é a seca, outro reforça que a crise está feia. É! É preciso aceitar. É o destino. É a vida.
Não, não e não. É preciso sair deste círculo vicioso: o governo paga pouco, eu trabalho pouco. É preciso mudar o que não está certo. É preciso mostrar à comunidade que o professor não está satisfeito com a política de sucateamento da escola pública. Já passou de um ano e o Pacelli está sem o Ginasião. O que é isto? Até parece uma conspiração silenciosa que vai lenta, mas continuamente anestesiando a vontade de se indignar diante das injustiças. Afinal é o conflito capaz de desmascarar as contradições. São elas importantes no processo educativo, porque numa guerra, o soldado que não assume de que lado está mostrando sua posição, vacila, comprometendo todos.
Por isto é possível resgatar o exemplo de várias lutas do povo brasileiro e apontar aos estudantes que todos fazem parte da construção histórica. Pablo Neruda, grande poeta chileno, quando perseguido pelo ditador Augusto Pinochet, no instante quando foram lhe prender ele disse que a maior arma eles não conseguiriam levar: “seus livros e sua poesia”. Pois lutemos nessa trincheira.
Marx, Marx & Marx
Frei Betto
Escritor, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros.
13/12/2008 - O arcebispo católico de Munique, Reinhard Marx, lançou há pouco um livro intitulado “O Capital”. A capa contém as mesmas cores e fontes gráficas da primeira edição de “O Capital”, de Karl Marx, publicada em Hamburgo, em 1867. “Marx não está morto e é preciso levá-lo a sério”, disse o prelado por ocasião do lançamento da obra.
“Há que se confrontar com a obra de Karl Marx, que nos ajuda a entender as teorias da acumulação capitalista e o mercantilismo. Isso não significa deixar-se atrair pelas aberrações e atrocidades cometidas em seu nome no século XX”. O autor do novo “O Capital” qualifica de “sociais-éticos” os princípios defendidos em seu livro, critica o capitalismo neoliberal, qualifica a especulação de “selvagem” e “pecado”, e advoga que a economia precisa ser redesenhada segundo normas éticas de uma nova ordem econômica e política. “As regras do jogo devem ter qualidade ética. Nesse sentido, a doutrina social da Igreja é crítica frente ao capitalismo”, afirma o arcebispo. E acrescenta: “Um capitalismo sem marco regulatório é hostil às pessoas”. O religioso reflete bem a posição oficial da Igreja Católica perante o capitalismo: criticam-se seus “abusos”, como se esses não fizessem parte de sua própria essência, baseada na acumulação privada da riqueza. E quem haverá de pôr o guizo no pescoço do gato? O Estado capitalista é capaz de exercer a função de “marco regulatório” e impor limites à especulação e à exploração? Se um governo democrático-popular o faz, como ocorre hoje em países da América do Sul, desencadeia-se a grita geral de que é “populista” e “totalitário”. O livro se inicia com uma carta de Reinhard Marx a Karl Marx, a quem chama de “querido homônimo”, falecido em 1883. Roga-lhe reconhecer agora seu equívoco quanto à inexistência de Deus. O que sugere, nas entrelinhas, que o religioso admite que o autor do “Manifesto Comunista” se encontra entre os que, do outro lado da vida, desfrutam da visão beatífica de Deus. O lançamento da obra coincide com a turbulência financeira que, de certa forma, confirma as teorias de Karl Marx quanto às crises cíclicas do capitalismo. Contudo, o arcebispo ressalta que seu homônimo acertou muito pouco em suas previsões revolucionárias, como o surgimento do socialismo em países de avançado desenvolvimento capitalista. O que se viu foi o contrário, o socialismo florescer primeiro num país semi-feudal como a Rússia. Falta ao livro explicar por que a Igreja Católica da Alemanha jamais excomungou Hitler, que se dizia católico, e também se equivocou ao aplicar boa parte de seus fundos no banco Lehman Brothers, cuja falência confirma, sim, as previsões do velho Marx. Tudo indica que a obra de monsenhor Reinhard fomentará um novo interesse pelas do seu homônimo, assim como nas décadas de 1960 e 1970 muitos jovens, encantados em abraçar o marxismo, foram aprendê-lo no livro “O pensamento de Karl Marx”, escrito, para refutá-lo, pelo jesuíta Jean-Yves Calvez. Sua edição portuguesa, em dois tomos, era disputadíssima em meus tempos de prisão sob a ditadura militar. Entre um Marx e outro convém não esquecer de um terceiro que figura entre os dois: Groucho Marx. Em matéria de concepções materialistas o humorista estadunidense não merece reparos: “Há coisas mais importantes que o dinheiro, mas... custam tanto!” Que o digam aqueles que, ao ocuparem funções de poder, abandonaram suas antigas concepções socialistas e, hoje, liberam R$ 8 bilhões (metade a União, metade o governo de São Paulo) para salvar da crise a indústria automobilística instalada no Brasil. Por que não destinar tais recursos à ampliação do metrô, que favorece a coletividade? Só mesmo Groucho Marx para explicar: “Estes são meus princípios; se você não gosta deles, eu tenho outros”.
Suicídio?
Sidinei Leandro Klöckner Stürmer
Eng° Agrônomo, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo (UFRGS).
06/12/2008 - Os recentes acontecimentos que acometem o Estado de Santa Catarina em relação aos desastres ambientais e sociais têm levantado uma questão pertinente: “Qual a causa de tanta fúria da natureza”? Vários cientistas têm correlacionado estas mudanças ambientais a que estamos sendo submetidos à nossa forma de viver e às nossas relações com a mãe natureza.
Fritjof Capra, em seu livro “A teia da vida” já fazia um alerta quando escreveu: “Isto sabemos. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família... Tudo o que acontece com a Terra, acontece com os filhos e filhas da Terra. O homem não tece a teia da vida; ele é apenas um fio. Tudo o que faz à teia, ele faz a si mesmo”.
Alguns dos pilares que permeiam as causas desses desastres naturais, para os quais a mídia tem dado muita atenção são o desmatamento e o uso irracional dos solos frágeis, principalmente os solos rasos encontrados em encostas com relevos acidentados. O uso destes solos através da exploração agrícola e até mesmo seu uso urbano, no Brasil e em especial no Rio Grande do Sul, tem se intensificado nos últimos anos. O RS apresenta mais de 10% de seu território ocupado por terras inaptas para o uso e grande parte desses solos encontra-se em nossa região, principalmente próximo aos vales do Rio Uruguai. Essas terras são muito vulneráveis à degradação quando exploradas com a agricultura e em empreendimentos urbanos.
Mesmo assim, percebe-se que em alguns ecossistemas mais susceptíveis a riscos, alguns com enquadramento em áreas de preservação ambiental, têm sido usados indiscriminadamente, principalmente devido à escassez de terras para o plantio. No entanto, a sociedade não tem dado a merecida atenção a estes problemas.
Neste sentido, há a necessidade urgente de se repensar a nossa relação com a natureza, despertar para o fato de que as preocupações com o meio ambiente adquirem suprema importância, perceber que esta série de problemas globais que estão conturbando a vida humana podem se tornar irreversíveis, entender que estes problemas.
Neste sentido, há a necessidade urgente de se repensar a nossa relação com a natureza, despertar para o fato de que as preocupações com o meio ambiente adquirem suprema importância, perceber que esta série de problemas globais que estão conturbando a vida humana podem se tornar irreversíveis, entender que estes problemas não são isolados, mas estão interligados e são dependentes e mudar o nosso modo de agir são necessários para garantir um mundo mais sustentável.
As dependências da cultura da soja
Diogo Moacir Mattana*
Pamela Adriele Sperotto**
*Acadêmico do curso de Economia da Unijuí, Bolsista PIBEX e integrante do Grupo PET; **Acadêmica do curso de Economia da Unijuí, integrante do Grupo PET.
29/11/2008 - No Rio Grande do Sul, o cultivo da soja começou por volta de 1914, porém, somente a partir de 1940 a cultura intensificou-se e adquiriu importância econômica. Com o passar dos anos as técnicas de cultivo foram sendo aprimoradas e adaptadas a realidade local, possibilitando uma grande elevação na produção
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Hoje, o Estado gaúcho é o terceiro maior produtor de soja do Brasil, com 10,1% do total produzido no país, ficando atrás de Mato Grosso e Paraná, eventualmente Goiás também tem superado o Rio Grande do Sul, embora a tendência seja isto se consolidar.
Para a safra 2008/2009 a área plantada gaúcha será cerca de 3,8 milhões de hectares (Emater/RS), com a estimativa de uma pequena oscilação negativa em relação à safra passada.
O grande problema quanto ao plantio da soja fica por conta da grande alta nos preços dos insumos, que nos últimos doze meses cresceram cerca de 106%, enquanto o preço do produto variou cerca de 35%. No mesmo período, o real se desvalorizou perante o dólar (moeda a qual os preços são atrelados no mercado internacional) cerca de 18%.
As variações da moeda americana sempre foram à principal desculpa para a diminuição do preço do produto, bem como para o aumento do custo dos insumos. No entanto, como explicar este comportamento completamente desproporcional entre estas variáveis? Quais os reais motivos para essa exorbitante elevação dos custos de produção da soja?
Sabemos que atualmente os fertilizantes somam a maior parte do custo de produção e que o país importa praticamente tudo que consome, portanto, oscilações em seu preço tendem a impactar diretamente nos ganhos do produtor. Outro fator extremamente importante na formação do lucro agrícola fica por conta do preço, que sofre com as grandes oscilações no mercado nacional e internacional.
O preço dos fertilizantes esteve em uma crescente elevação no mercado mundial, sendo que as possíveis causas deste efeito estão relacionadas ao aumento da demanda mundial, pois países como a China e Índia apresentam uma alta no consumo de alimentos, devido à melhoria da renda interna. Suas áreas territoriais, mesmo sendo enormes, já não produzem o suficiente, tornando necessária uma aplicação maior de fertilizantes, visando aumentar a rentabilidade da área plantada.
Outro fator passa pelo aumento das tarifas de exportação aplicadas pelos países produtores, como a Rússia, que impôs uma tarifa de 9%, visando proteger a sua indústria e suas reservas naturais. Enfim, existe ainda a forte especulação e o poder oligopolístico do setor industrial de insumos. Porém é difícil ser conclusivo nesta questão, pois não se sabe exatamente qual é o tamanho do lucro das empresas produtoras e distribuidoras de fertilizantes.
Quanto ao preço do produto, as grandes variações ficam por conta do mercado internacional, nem tanto pelo lado da produção ou quantidade consumida, mas sim pela especulação, ou seja, tem muita gente que nunca viu um pé de soja pela frente e negociam valores altíssimos no mercado mundial, visando arrecadar lucros com as altas e baixas do preço do produto, provocando um processo de volatilidade enorme.
Portanto, a única certeza que se pode ter é que a corda sempre arrebenta na ponta mais fraca, ou seja, no produtor, que além de enfrentar os problemas climáticos, está à mercê dos produtores de insumos e das variações dos preços do produto, num contexto de crescente especulação. O produtor não consegue controlar o custo de produção e muito menos o preço final do seu produto. Até quando uma atividade executada desta maneira terá futuro?
Por quem tocam as sinetas
Elvino Bohn Gass
Deputado Estadual PT
22/11/2008 - Há uma expressão popular que diz: “não pode pagar o justo pelo pecador” que o bom Aurelião comenta assim: “não deve ser castigado ou repreendido aquele que não tem culpa, ficando impune o culpado”. Ocorreu-me a expressão quando refleti sobre o impasse que está posto entre o governo Yeda e o magistério estadual por conta da greve decretada há alguns dias. Entenda-se, aqui, o pecado não como transgressão religiosa, mas como sinônimo de erro, culpa, maldade.
Os professores, e disto têm ciência até os lápis sem ponta, formam uma das categorias mais mal remuneradas de todo o funcionalismo. A eles pode-se, quem sabe, equiparar os policiais que desempenham tarefa igualmente nobre. Uns educam, outros protegem, mas os dois ganham menos do que merecem. E, nesta altura da história gaúcha, ambas as categorias encontram-se mobilizadas por melhores condições de trabalho.
É sintomático, então, que o mesmo governo que há meses vem sendo alvo dos protestos dos dois movimentos tenha resolvido editar, no último dia 28 de outubro, um decreto que visa, nitidamente, intimidar, ao velho e mau estilo ditatorial, qualquer manifestação, justa ou não, do funcionalismo. A pretexto de regulamentar a lei de greve dos funcionários públicos, o decreto de Yeda corta o ponto, desconta o salário e interrompe progressões de carreira daqueles a quem seu governo negou o diálogo e que, sem outra alternativa, se viram impelidos ao extremo recurso da paralisação.
Ora, se os professores conquistaram, com anos de luta, um Plano de Carreira e um Piso Salarial Nacional, é justo que este direito lhes seja assegurado. É igualmente sensato que, se os professores, como sempre fizeram, vão recuperar as aulas perdidas por conta da greve, seus pontos não devam ser cortados. E se os policiais são obrigados a expor suas vidas à crescente perversidade dos delinqüentes, é justo que a eles sejam oferecidas condições ideais de trabalho (leia-se salário digno e equipamentos de proteção e defesa). Não incorrem em erro, culpa ou maldade, portanto, aqueles que, diante da violação ou da ameaça a seus direitos, legitimamente protestarem. É como penso.
Mas não é como pensa Yeda, cujo governo, além do castigo do decreto desmedido, tem repreendido com violência todos os movimentos sociais sem compreender que, justamente por este comportamento, é que perde qualquer razão. Fosse este um governo democrático de verdade, houvesse para a justiça um mínimo espaço neste Poder Executivo e pudessem o bom senso e a humildade substituir a arrogância da governadora e de sua secretária de Educação, se poderia dar fim imediato à greve do magistério com um acordo.
Nenhum professor vai à greve sem razão. Se o faz, é sempre porque está no limite. É porque vê esgotada qualquer outra forma de alertar os governantes e a sociedade de que há risco iminente de perda de direitos que lhe são fundamentais para a manutenção da dignidade e de alguma mínima perspectiva de futuro– caso do Plano de Carreira - ou que implicam – caso do Piso Nacional – em conquistas pelas quais lutaram uma vida inteira e que são essenciais para a manutenção do ânimo de continuar exercendo este verdadeiro sacerdócio que é o magistério. Quando tocam sinetas debaixo de sol e chuva, estes bravos homens e estas mulheres guerreiras o fazem para que nós, pais, alunos, deputados, prefeitos, governadores, homens e mulheres, tenhamos consciência de que, sem um sistema educacional digno, com garantia de salário, condições de trabalho e qualidade de ensino, é o futuro que se põe em risco. O futuro de todos nós. É por todos nós, então, que tocam as sinetas.
Formação dos Preços Agrícolas
Karine Daiane Zingler
Acadêmica do 7º semestre do Curso de Economia, Unijuí Campus Santa Rosa, Integrante do Grupo PET Economia.
15/11/2008 - Em uma região, cuja economia é baseada no setor primário, é comum que tanto as conversas do dia-a-dia quanto os debates das lideranças e estudos acadêmicos se refiram às questões conjunturais do agronegócio. Para tanto, é importante que se tenha clareza de certos aspectos teóricos referentes a esse tema.
Nesse sentido, dá-se ênfase a cadeia do agronegócio, que abrange tanto a agricultura propriamente dita, como as indústrias fornecedoras de máquinas e insumos, a montante, e àquelas responsáveis pela transformação dos produtos agrícolas em mercadorias industrializadas, a jusante.
Em relação à formação dos preços agrícolas percebe-se sua especificidade em relação às características das demais mercadorias. Já que sua produção é determinada a cada período e possui grande dificuldade de adequar a oferta imediata, conforme as flutuações na demanda. Outra particularidade importante a se considerar nesse sentido é que os produtos agrícolas, em geral inelásticos, têm seus preços definidos pelos compradores. Ou seja, é a especulação, que normalmente gira em torno das informações acerca dos estoques mundiais do produto em questão, que define os preços que serão pagos aos produtores. Nesse caso os custos de produção não são levados em consideração.
Nessa análise mais teórica, se deve considerar ainda que quanto à formação dos preços normalmente os produtos são divididos em padronizados ou não padronizados. Sendo o primeiro grupo composto principalmente pelas matérias-primas, em que há uma grande quantidade de produtos que assume características padrão com qualidades praticamente idênticas, e não possuem marcas, dificultando qualquer diferenciação nos preços. Nesse caso, normalmente existe um grande número de vendedores e poucos compradores, caracterizando um oligopsônio. Características estas diversas dos produtos industriais e serviços que compõe os grupos dos produtos não padronizados.
Assim, percebe-se que no caso da agricultura a formação dos preços tem características opostas aos produtos industriais e serviços. E nesse sentido, é de suma importância realçar a interdependência existente entre esses diferentes setores da economia e suas conseqüências na renda do produtor rural. Já que com o avanço tecnológico e a modernização da agricultura, é crescente a necessidade de diferentes insumos para a produção. Máquinas, equipamentos, fertilizantes, pesticidas, inseticidas, a grande maioria desses insumos necessários à produção agrícola são mercadorias provenientes de indústrias cuja formação de preços, como se pode observar, é oposta àquela do setor agrícola, o mesmo se observando no caso da indústria que transforma esses produtos.
Portanto, vê-se que o caso dos produtores rurais trabalharem em estruturas de mercados, oligoposônicas, com mercadorias cujas características são bem diferentes dos setores a montante e a jusante, interfere diretamente na sua renda. Com preço definido pelo mercado o produtor muitas vezes é obrigado a vender a produção fruto de um ano inteiro de trabalho, a um valor que muitas vezes não cobre o próprio custo de produção. Nesse sentido, uma alternativa interessante é trabalhar-se com a diversificação na produção, diminuindo a dependência a um único produto. Ou ainda buscar alternativas de diferenciação do produto, o que pode acarretar em algum lucro extraordinário. Todavia nesse caso também é necessário se levar em consideração a viabilidade dessa mudança, já que muitas vezes há um aumento não compensado nos custos de produção.
Artigo proposto a partir dos conteúdos do componente curricular de Economia Agrícola.
SER DE ESQUERDA
Adalberto Paulo Klock
Distribuidor - Contador - Três de Maio
08/11/2008 -Sempre me deram a pecha de PT, por ter posições esquerdistas.
Afora a simpatia com a sigla e a revolução social e econômica empregada no Brasil pelo governo desta sigla, cabe o esclarecimento de a simpatia à sigla se dever a um princípio básico, eu sou de esquerda.
Mas, Dio Santo, o que é ser de esquerda afinal?
A esta indagação sempre respondo com uma pequena estória, para mim fazendo total sentido. É o seguinte:
1ª – de direita (capitalista)
Sendo eu DONO de uma grande empresa, e sabedor que os administradores de direita são muito mais eficiente na produtividade e ganho de capital, vou querer, para administrar essa minha grande empresa, um administrador de direita, pois ele saberá otimizar o lucro e aproveitar o máximo de rendimento dos funcionários. Ou seja, em que pese essa empresa buscar o máximo de exploração do trabalhador e do capital, eu (o DONO) terei vultosos lucros.
Assim se buscará a concentração de renda e otimização do lucro na mão do dono da empresa.
2ª - de esquerda (socialista)
Sendo eu EMPREGADO de uma grande empresa, e sabedor que os administradores de esquerda primam pela distribuição de renda entre os trabalhadores daquela empresa, mesmo que não sejam muito eficientes na otimização do lucro, irei querer que o administrador da empresa seja de esquerda, pois ele produzirá maior distribuição de renda entre os trabalhadores. Ou seja, em que pese a empresa não conseguir o máximo da exploração do trabalho e não conseguir vultosos lucros, todos os trabalhadores receberão ganhos maiores e terão maior igualdade social, perante até o dono da empresa.
Portanto, como eu nunca fui dono do Brasil, e sou apenas mais um cidadão que faz parte da massa de trabalhadores do Brasil, em face disto sempre fui de esquerda.
Na prática, o Brasil chegou a ser a oitava economia do mundo, com a pior concentração de renda do mundo. Só isso já dá a base empírica da minha questão. O patrão cada vez mais rico não redunda que eu fique cada vez mais rico. Pelo contrário, a distância entre o ter e não ter simplesmente aprofunda e piora o fosso social e a desconsideração com o peão.
Fobia vermelha ou
simples ignorância política
Edivã Faoro
Acadêmico do Oitavo Semestre do Curso de História da Unijuí
01/11/2008 -Nesta reta final da campanha presidencial dos EUA pode-se presenciar mais um capítulo “sórdido” da política norte-americana, quando o candidato Republicano John MacCain “acusou” o candidato Democrata Barack Obama de ser socialista e ter idéias socialista. Obama tratou logo de se “defender” de medonha acusação, rebatendo que MacCain o “rotulou” assim porque ele se preocupa com os problemas da população e não está preocupado em fazer o jogo das grandes corporações como o Republicano.
Até aqui tudo normal na patética disputa dos candidatos yankees. Mas uma pergunta precisa ser feita. – Por que os americanos temem tanto o Socialismo? – Porque a União Soviética foi o principal inimigo por quase quatro décadas no passado recente, com direito a “Guerra Fria”. Além disto, para os estadounidenses, socialismo é sinônimo de ditaduras, controle do Estado sobre produção, consumo e principalmente sobre os cidadãos. Para os norte-americanos e o sistema de apropriação capitalista, o paraíso é o livre mercado e o demônio é o Socialismo. Assim se explica a acusação ofensiva de MacCain e a corrida de Obama em se defender.
Porém há muitas ressalvas nesta história. Em primeiro lugar, Socialismo não é igual à União Soviética, China ou Cuba. O Socialismo não nasceu em 1917 na Revolução Russa, nem muito menos nas revoluções de cunho socialistas ou comunistas do século 20, que eram totalmente avessas ao capitalismo. Há, porém pensadores que defendem que as comunidades indígenas sejam a primeira experiência socialista da história, ou os mais exacerbados, que Cristo for ao primeiro a pregar o Socialismo.
No entanto, o que se pode afirmar é que o Socialismo nasce no século 19, da necessidade desesperada dos operários defenderem suas vidas diante dos impactos da Revolução Industrial, do trabalho infernal nas fábricas, da exploração desumana promovida por patrões, pelo Estado e pelo Capital. Os maiores pensadores e defensores da proposta socialista foram Karl Marx e Friedrich Engels, dois alemães que além de publicarem várias obras de crítica da economia e da sociedade capitalista, ajudaram nas lutas operárias no conturbado século XIX europeu.
O Socialismo em sua essência defende a extinção das classes sociais, algo inconcebível pela elite temerosa em perder seu eterno “trono”, a distribuição justa da renda, uma afronta ao Capital saqueador e avarento, além da eliminação ou da não necessidade do Estado, este que, aliás, foi a mais perfeita “criação” do capitalismo, que serve como polícia para defender a propriedade privada e o lucro.
Por outro lado, os norte-americanos sempre se gabaram de seu sistema altamente democrático ante os países de orientação socialista. Mas o que se contatou até hoje, é que uma ditadura bi-partidária se alternou no poder da Casa Branca nestes quase 240 anos de independência política daquele país, ou seja, Republicanos e Democratas e ninguém mais. Além disto, o partido comunista é proibido de existir no território norte-americano. Outro fato intrigante é o apoio no passado recente a países como ditaduras brutais como o Chile de Pinochet, ou a monarquias absolutistas ultra conservadoras como a Saudita, que os americanos até hoje.
Isto prova que o discurso democrático americano não se aplica na prática. O mais contraditório, porém, é que o Capitalismo sempre pregou o livre mercado, o fim da presença do Estado na economia, mas agora, diante da crise imobiliária, a única solução encontrada foi estatizar bancos privados para “cobrir” o “rombo” causado pela ganância e pela “gula” monetária, indo na contra mão do seu discurso. Porém, alguém se importa com as várias vítimas que serão tragadas como resultado da crise, que é claro, sempre as frações mais empobrecidas da sociedade?!
Para Democratas e Republicanos, ser socialista é a maior ofensa. Mas o Socialismo possui como preceitos básicos a igualdade social, direito a todos à renda e principalmente, não ter que usar dinheiro público (destinados à educação, saúde e desenvolvimento) para limpar a bagunça de bancos privados. Desta forma, se eu fosse candidato e me acusassem de socialista, eu ficaria muito orgulhoso.
A conjuntura da demanda agregada no Brasil
Daiana Roncatto, Diogo Mattana, Gabriela Marcks da Silva,
Jussiano Pacheco, Pamela Adriele Sperotto, Tatiana Camila Simon
Acadêmicos do Curso de Economia da UNIJUÍ, bolsistas do Grupo PET-Economia
18/10/2008 - A economia brasileira presenciou uma expansão da demanda, principalmente de bens duráveis, como automóveis, imóveis, materiais de construção, máquinas agrícolas e bens de capital. Segundo o IBGE, no primeiro semestre de 2008, o consumo das famílias cresceu aproximadamente 6,7%, o consumo do governo 6,5%, o investimento 15,7% e a exportação de bens e serviços 1,6%. Estes valores refletem diretamente no PIB (soma de todas as riquezas novas produzidas no país), que no último semestre cresceu cerca de 6%, a maior taxa desde 2004.
Esta expansão foi possibilitada principalmente pela maior disponibilidade de crédito, pelo aumento do nível de renda da população e pelo reflexo da euforia da economia mundial, que possibilitou a entrada de grandes somas na economia nacional. Segundo a lei da oferta e da procura, quando há uma disponibilidade mais ampla de crédito e renda, o consumo tende a aumentar. Com este aumento necessita-se de uma maior quantidade de produtos, fato este que causa uma pressão sobre a oferta.
Se a oferta de produtos não acompanhar o aumento do consumo, ocorrerá um aumento dos preços, ou seja, inflação. O oposto também é válido, caso aumente a oferta e não tenha demanda, os preços diminuem, ou seja, ocorre deflação.
De acordo como o Ministério do Trabalho, neste último ano, até agosto, foram gerados 1.813.729 empregos com carteira assinada, um recorde. Este resultado, junto com o investimento do governo em seus programas assistencialistas, como o bolsa família, colaborou para o crescimento do nível de renda. A abertura de crédito para a população, junto com o alongamento das prestações incentivou a população a consumir. Antes do último estouro da crise financeira mundial, em setembro passado, o mercado chegou a propor a compra de automóveis com financiamento em até 90 meses ou uma casa em até 240 meses, ou seja, 20 anos.
Esse crédito fácil e a estabilidade econômica do país deram à população confiança para consumir. Isso, num primeiro momento, causa um impacto positivo na economia. Porém, à longo prazo tende a levar a um endividamento excessivo das famílias. Assim, é preciso muita cautela ao se assumir dívidas. Particularmente agora em que a crise provoca uma restrição ao crédito, juros mais elevados e prazos menores de financiamento. O ideal é que as famílias tomem bastante cuidado na hora de comprar, se possível fazendo aquisições à vista. Se as compras à prazo forem inevitáveis deve-se analisar a taxa de juros e os prazos de pagamento com atenção redobrada, com a euforia dando lugar ao realismo econômico de cada um.
Globalização Financeira
Bruno Colletto
Aluno do curso de economia e bolsista do grupo PET-Economia Unijuí
11/10/2008 - Para que se possa compreender a atual crise financeira e suas dimensões, é preciso entender a dinâmica financeira que se deu através da globalização de capitais.
Para tanto, é necessário fazer uma abordagem que explique como ocorreu esse processo, apontando os principais fatores que propiciaram a globalização e também as principais características dessa globalização financeira.
O processo de globalização atual teve seu início no período após a Segunda Guerra Mundial, especificamente em julho de 1944 quando se realizou entre 44 nações aliadas a conferência de Bretton Woods. Na mesma ficaram acordadas entre as nações aliadas as regras, as instituições e procedimentos para a econômica e a política internacional.
Nas últimas décadas do Século XX, houve uma revolução financeira global. O fato e o processo mais geral e mais importante para a globalização financeira foi, a criação do euromercado. O euromercado foi o embrião da globalização financeira, na medida em que representou a formação de um mercado mundial de moeda “sem pátria”. Na verdade, o euromercado, essencialmente um mercado interbancário, transformou o caráter da atividade bancária, ao unir mercados financeiros nacionais privados e livres dos Bancos Centrais.
A acumulação de um volume crescente de riqueza monetária e financeira foi outro fato importante para o processo de financeirização mundial, propiciada principalmente pelas crises do petróleo de 1973 e 1979, e a crise das dívidas dos países periféricos, no final da década de 1970 e início da década de 1980. Esta crise foi agravada pela brutal elevação das taxas de juros do dólar, em 1979.
Outro aspecto foi a mobilidade crescente dos ativos, propiciada pelo desenvolvimento da informática e das telecomunicações, de tal forma que seu movimento foge aos controles dos Bancos Centrais, aliado ao regime de taxas de câmbio flutuantes que engendrou oportunidades extraordinárias de ganhos especulativos.
O atual estágio da globalização financeira tem como principais características uma valorização financeira superior ao crescimento do produto real; como lógica, concorrência e macroestrutura financeiras, que envolvem e subordinam a dinâmica da acumulação real.
Esse processo de globalização e integração dos mercados financeiros desconhece fronteiras e poderes nacionais, na medida em que esses mercados perderam suas referências espaciais, assumindo forma de redes articuladas de fluxos financeiros desterritorializados e desnormatizados, que operam ininterruptamente, em tempo real. Finalmente, as próprias crises financeiras se tornaram autônomas e passaram a ser causa das crises econômicas reais.
Já ninguém ignora a fantástica concentração de poder que hoje se manifesta nos chamados mercados financeiros que são dominados por atividades especulativas cambiais (Furtado, 2000). Celso Furtado também afirmava que os mercados financeiros seriam os mercados que teriam as maiores rentabilidades, e realmente isso se comprova nestes últimos anos. Os mesmos chegaram a apresentar ganhos 30%, 40%, números bem diferentes da economia real, que apresenta taxas de crescimento ao redor de 3% a 4% em média.
Um dia isso haveria de acabar!Há mais de um ano a contar do estouro da bolha imobiliária estadunidense, que esse processo vem demonstrando sensível enfraquecimento, provocando elevação mundial dos preços das commodities, quebra de várias instituições financeiras mesmo com socorro de bilhões de dólares pelos principais bancos centrais do mundo. Uma pequena demonstração de que um mercado sem regulamentação e desligado da produção, é capaz de fazer na busca incessante do lucro, a qualquer preço.
Esclarecimentos sobre pesquisas eleitorais
Hélio Radke Bittencourt
Professor de estatística na PUCRS
03/10/2008 - Como professor de probabilidade e estatística, freqüentemente sou questionado acerca da confiabilidade nos resultados de pesquisas eleitorais publicadas nos meios de comunicação de massa.
A desconfiança de muitos quase sempre tem como argumento o fato de não terem sido entrevistados nem conhecerem alguém que o tenha. Uma cidade como Porto Alegre, por exemplo, tem 1.038.885 eleitores aptos a votar na próxima eleição, os quais são potenciais alvos de investigação durante todo o período eleitoral. Durante esse período, os institutos responsáveis pelas pesquisas apresentam resultados baseados em amostras que geralmente variam de 600 a 1,2 mil eleitores. O simples fato de que o tamanho amostral corresponde, no máximo, a 0,12% da população de eleitores faz com que o principal argumento dos descrentes seja posto em xeque.
Outro questionamento comum, e perfeitamente aceitável, recai sobre a possibilidade de generalização das pesquisas eleitorais. Será que podemos projetar os resultados de uma amostra para toda a população?
Conhecendo a opinião de mil eleitores, poderemos projetá-la para 1 milhão? Por mais estranho que pareça, a resposta é sim! Existem sólidas teorias de probabilidade e amostragem que sustentam a área mais fascinante da estatística: a inferência. Inferir consiste na projeção de resultados amostrais para toda a população. Pesquisas desse tipo são realizadas no lançamento de medicamentos, na experimentação agrícola, na pecuária, no controle da qualidade industrial, entre outros. Assim sendo, não haveria um porquê para as ciências sociais e políticas abdicarem da pesquisa eleitoral como ferramenta.
A teoria que sustenta a inferência estatística permite não só estimarmos o resultado da eleição, como atribuirmos probabilidades de acerto às estimativas. Tais probabilidades de acerto são geralmente iguais ou superiores a 95%, mas raramente ultrapassam 99%. Em virtude disso, o uso da palavra “certeza” é vedado na pesquisa por amostragem.
Isso quer dizer que, quando um candidato apresentar 30% das intenções de voto em uma pesquisa com margem de erro de 2%, não poderemos ter certeza de que sua real votação ficará entre 28% e 32% do eleitorado, apesar de a probabilidade de isso ocorrer ser muito alta.
Apesar da sólida teoria, temos consciência de que há limitações metodológicas para a garantia de importantes suposições em situações práticas. Nas pesquisas eleitorais, tais limitações decorrem principalmente da escassez de tempo, de recursos e da inacessibilidade a cadastros de eleitores. Cabe ressaltar também que a pesquisa capta a intenção de voto no período em que foi realizada e que os eleitores estão livres para mudar de opinião a qualquer momento, podendo ser influenciados pelas próprias pesquisas publicadas. Mesmo assim, convido os leitores a tomarem nota de todas as estimativas e margens de erro associadas às pesquisas eleitorais, especialmente àquelas realizadas às vésperas do pleito. Dessa forma, tão logo sejam divulgados os resultados oficiais do TRE, cada um poderá realizar suas próprias comparações e, assim espero, ter uma bela demonstração do poder de generalização das pesquisas por amostragem.
As “novas” classes sociais brasileiras
Débora Cristina Petry
Acadêmica do 7º semestre do curso de Economia e integrante do Grupo PET-Economia – Unijuí – Campus Santa Rosa.
28/09/2008 - O Brasil, nos últimos anos, vem se tornando um “país renovado”, com inúmeras possibilidades econômicas, gerando benefícios sociais a sua população. Sendo isso observado através de dados que demonstram uma maior solidez entre as classes sociais, principalmente na transição das classes E e D para a C (média).
De 2001 a 2004 foi dada uma grande ênfase em relação à diminuição da desigualdade social, graças a transferência de renda pública aos mais pobres.
Todavia, foram verificados poucos avanços estruturais na sociedade como um todo. A partir do ano de 2006, vem ocorrendo um aumento da renda e da geração de empregos formais, fazendo com que se reflita na diminuição da desigualdade e da miséria, gerando um aumento nos níveis de crescimento econômico do país.
Depois de anos em queda, a renda da classe média dá sinais de recuperação. Este grupo social atingia 44,19% da população em 2002, passando em 2006 para 51,89% do total da população brasileira, ocorrendo um aumento de 17,03% no período. Praticamente todas as faixas sociais do país tiveram sua renda elevada em 2006, diferentemente do que aconteceu de 2002 a 2005, quando aumentos relevantes aconteceram só nas classes mais baixas, por conta de transferências promovidas por programas assistenciais, como o Bolsa Família, e dos fortes aumentos do salário-mínimo.1
Nestes últimos tempos, o aumento do emprego formal bate recordes e, talvez, seja este o elemento mais representativo do surgimento de uma “nova” classe média brasileira. Nesse sentido, tem-se que num período de 12 meses, entre 2007 e 2008, foram abertos 1,881 milhão de novos postos de trabalho, fazendo com que se comprove o aumento das rendas das classes sociais.
Dessa forma, os dados estatísticos revelados pela Fundação Getúlio Vargas demonstram que o país obteve uma diminuição da pobreza, ou seja, da chamada classe E, no período de janeiro de 2002 a janeiro de 2008, de 73,38% do total da população para 67,57%. Conseqüentemente, no mesmo período ocorreu um aumento nas classes D e C (classe média). Isso demonstra que as desigualdades sociais do país vêm diminuindo, assim como diminui igualmente a população miserável.
Nesse sentido, o país vem melhorando o seu nível de desenvolvimento, com um crescimento contínuo. Porém, esses números positivos podem ser interrompidos se não forem tomadas medidas de proteção em relação à taxa de inflação, a qual se alimenta do aumento da demanda, esta gerada pelo aumento do poder aquisitivo da população, em contraste com a menor velocidade de incremento de nossa capacidade produtiva.
1 Dados retirados de www.fgv.br/cps/classe_media. Relatório sobre as classes sociais do ano de 2008, da Fundação Getúlio Vargas.
O PROCESSO DE APRENDIZAGEM:
Um encontro de diferentes paradigmas
Lenir T. Bertoldi Busanello*
Especialista em Psicopedagogia Institucional e professora do CAT.
20/09/2008 - Como se aprende?
Primeiramente, merece destaque a necessidade de se querer aprender, visto que o ser humano vive em constante aprendizagem por estar interagindo a cada instante com informações, situações... que lhe chegam a toda hora e de todo lugar, que necessitam ser assimilados em seu cotidiano.
O aprender exige, acima de tudo, uma interação “aprender a aprender”.
Muitos são os fatores, as causas que levam alguns educandos a não aprendizagem.
Merecem nomear algumas, entre tantas, como: a falta de atenção, o não saber ouvir (fator essencial para se chegar a aprendizagem), o querer pronto, sem querer questionar/testar, etc. Não citando as necessidades especiais.
A gente aprende quando a gente vai acumulando, ampliando o que se sabe e, não quando a gente copia e devolve.
O professor pode, quando isso for de sua realidade escolar, usar a “sala de recursos” para trabalhar as potencialidades que cada aluno possui para maximizá-las e depois aprimorá-las em sala de aula, lembrando sempre que o maior recurso da sala de recursos é ele, o professor.
Considerando que a escola deve ser o local onde todos devem interagir num processo de aprendizagem, é importante ressaltar que para que ocorra esta aprendizagem, torna-se necessária uma relação afetiva do ensinante e do aprendente, onde todos ensinam e aprendem e, lembrar que, para haver aprendizagem, é fundamental que se queira aprender e que, quando é isto que se quer, precisa-se oferecer os meios mais adequados para que isso se concretize, ou seja, situações viáveis de aprendizagem.
Se fitarmos os educandos da grande maioria de nossas escolas hoje, veremos que muitos acham a escola um lugar lúgubre, muitas vezes, sem as facilidades que a evolução tecnológica proporciona em suas próprias casas. Sem ainda, levar em conta que muitos apresentam grandes dificuldades de aprendizagem e a falta de emoção, de afetividade de alguns educadores não pode estabelecer uma barreira para a aprendizagem.
Não há aprendizagem sem ensino e quando temos um problema de aprendizagem é porque temos um problema de ensino ou porque temos um problema de interação do aluno ou do professor com o conhecimento.
Precisa o professor lembrar que a “criança que não é olhada, não pode sentir o desejo de aprender”, porque não sente do professor o desejo de ensiná-la.
Segundo Mário Quintana: “O que mata um jardim, não é o abandono; o que mata um jardim é a indiferença de quem passa por ele”. Portanto, não sejamos indiferentes com nossos ensinantes, pratiquemos a arte de ensinar e aprender baseados no olhar no olho, cativar, caminhar juntos, descobrir e descobrir-se...
Ensinar e aprender exige diálogo.
Aprender é querer, é descobrir...
Aprender é pensar, não submeter-se ao outro...
Aprender é sonhar com a gostosura de um mundo que se desvenda...
Não aprendemos de qualquer um, mas daqueles que nos inspiram confiança e nos dão o direito de aprender juntos.
Ao concluir, ressalta-se novamente, que “para que haja aprendizagem é fundamental que se queira e que se ofereça os meios mais adequados para que isso se concretize, ocorra.
O Crescimento da China: do mito à realidade
Bruno Colletto, Camila Fernandes, Débora Petry, Karine Zingler, Keli Berres e Mauricio Côas Filho.
Acadêmicos de Economia da UNIJUÍ, Campus Santa Rosa, integrantes do Grupo PET Economia.
13/09/2008 - Há algumas décadas os olhos do mundo voltam-se para a China, especialmente pelo seu grande crescimento econômico e inserção gradativa dos seus produtos industrializados no mercado internacional. Mas para que haja compreensão do processo que elevou a China a tal patamar, necessita-se uma contextualização histórica, considerando que os aspectos culturais, políticos e econômicos chineses divergem significativamente da realidade ocidental.
A partir da década de 1980 a China vem registrando índices de crescimento médio de 9,5%, que foram possíveis graças a grandes reformas econômicas e a abertura da economia. Tais mudanças iniciaram pelo setor agrícola, de modo que os produtores passaram a ser responsáveis pelas decisões, o que promoveu o aumento da renda familiar e consequentemente aumentando os investimentos, a poupança e a demanda total por bens em todo país. Já na metade da década de 1980 o setor industrial passou por reformas que permitiram a entrada de empresas privadas para complementar as empresas estatais então existentes, além de atrair investimentos estrangeiros diretos sob a forma de novas empresas.
Em uma análise econômica mais recente percebe-se que tais reformas influenciaram positivamente na economia chinesa. Para tanto, conforme dados do Banco Mundial, observa-se que no primeiro semestre deste ano o crescimento econômico da China é ligeiramente superior a 10 %, enfatizando o crescimento das exportações que foi de 22% no período. Nesse sentido, sobressai a questão da competitividade da indústria chinesa, que alcançou a maior parte dos mercados mundiais, inclusive o brasileiro.
Com relação a isso normalmente justifica-se que a competitividade chinesa se dá devido à baixa remuneração da mão-de-obra. Todavia o que se tem observado, pela análise de dados, é que a forte desvalorização da moeda nacional tem exercido um papel fundamental nesse processo.
Com uma paridade cambial de aproximadamente CNY 8,00(Renminbi)1 por US$ 1,00, a indústria chinesa é considera a mais competitiva do mundo. Tal fator influência diretamente na capacidade competitiva das indústrias brasileiras, que vêm amargando nos últimos anos significativas perdas de mercado. O governo chinês mantém essa política de câmbio desvalorizado através da compra de dólares para a formação de reservas, as quais chegaram ao final de junho deste ano a US$ 1, 808 trilhão (para efeito de comparação, as reservas brasileiras atuais são pouco superiores a US$ 200 bilhões).
Outro aspecto interessante é a forma como, em meio à expansão do consumo, ocorre o controle da inflação. Na China a pirataria não é somente liberada mas também incentivada pelo governo, desconsiderando as patentes e marcas, pressionando a queda de preços, dessa forma, as empresas não são detentoras do controle de mercado.
A China é um país com aspectos geográficos, políticos e culturais peculiares, consideravelmente diferenciados do restante do mundo. Com amplo mercado interno, (mais de 1,3 bilhão de habitantes), com território de 9.596.960 km² e antecedente histórico de mais de 3000 anos é considerada também uma das civilizações contínuas mais antigas do mundo. Em relação à cultura ocidental, em contraste com a chinesa especificamente, percebe-se enorme valorização de aspectos como altruísmo, cortesia, educação, integridade, fidelidade e honradez.
Estes “aspectos” são na realidade os princípios oriundos do confucionismo Ren, Li, Zhi, Xin, Zhing e Yi que buscam corrigir aquilo que estava decadente na sociedade à época de Confúcio (V a.C.) e vêm sendo aplicados há mais de dois milênios. São, portanto, a principal explicação cultural deste fenômeno China, uma sociedade onde prospera confiança em contraste com nossa cultura onde o “levar vantagem” impera. Isso tudo ajuda a explicar as diferenças socioeconômicas entre o Brasil e a China.
1 Popularmente usa-se a palavra yuan para denomina a moeda chinesa.
Momento de cautela no mercado do leite
Enio Panassolo Pastorio
Professor Pós-Graduado em Letras
06/09/2008 - A realidade brasileira, no processo ensino-aprendizagem, nas escolas, especialmente nas atividades de leitura, considerando o primeiro e o mais importante passo, na construção do senso crítico, precisa avançar com urgência.
Os alunos vêm à escola quase desmotivados, em parte pela falta de incentivo na família e também pela falta de um vislumbramento, em decorrência dos péssimos resultados das avaliações do ENEM, SEC e outros. Aí, a escola por sua vez, precisa ter livros diversos e condizentes ao nível, e desejo do público leitor, além de espaço favorável e professores com senso de convencimento, a fim de poder tornar o ato da leitura um exercício gostoso.
O processo de interação social do estudante, só terá êxito a partir do momento em que o desempenho na leitura e escrita for cobrado, pelos mestres de todas as disciplinas, em qualquer situação de aprendizagem. Isso fará com que o aluno se sinta mais na obrigação de assimilar a leitura e a escrita como um dever, pois quem lê, aprende mais.
O jovem precisa envolver-se no mundo colorido da leitura, com leituras de ficção e realistas. Se o livro disser a respeito do dia-a-dia do aluno, ele sentir-se-á valorizado e interagido. Diante deste contexto, o professor por sua vez, atuará como o maestro da banda, cuidando das perspectivas de cada aluno. A leitura é o grande instrumento de inserção social, pois, com leitura interativa e responsável, ter-se-á cidadãos que vivem bem e com alegria.
Compreender o que se lê, é fundamental para entender o texto, e o texto só tem sentido a partir do entendimento das palavras. Nem sempre a leitura de grandes obras é que faz um grande leitor, mas sim a leitura constante. “Leitura, a grande responsável pelas maiores mudanças na sociedade”.
Diante disso, urge que a leitura seja prioridade, no processo ensino-aprendizagem, assim todas as disciplinas sairão beneficiadas.
Quanto mais bibliotecas houverem, menos cadeias serão necessárias.
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