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Professor, eu quero passar de ano!
Miguelângelo Corteze - Professor de História do Instituto Estadual de Educação Cardeal Pacelli. Mestrando da Unijuí.
24/12/2009 - “Profes“Professor, eu quero passar de ano!” A questão é que, nesta época, a escola funciona quase como um tribunal. Cada aluno é analisado e o desempenho, o interesse, a produção, a participação, os livros lidos, etc., são colocados numa balança. Como é importante saber que a decisão do conselho dos professores foi justa. O educador, a educadora e a escola também são avaliados neste processo. São profissionais que estão trabalhando. Injusto seria reprovar quem foi bem e aprovar quem foi mal. Todo ano, nessa época, a expectativa é grande, mas só se surpreende quem não abriu os olhos, pois são os pequenos resultados que formam os grandes. A escola pública é o espaço do público e ganha importância, embora nem sempre reconhecida.
No caso do Ginásio do Pacelli, convenhamos, dois anos para iniciar as obras é uma extrema falta de respeito e consideração com a comunidade. Vale lembrar que a reforma é obrigação do Estado. É de Lupicínio Rodrigues esta canção: “felicidade foi-se embora e a saudade do meu peito, ainda mora...”. Mas, diferente da felicidade que foi embora, a educação deve sempre estar cheia de esperança. Já pensou o professor com pessimismo nos gestos, desilusão nas palavras, melancolia e nostalgia na expressão? Seria um desastre. A educação deve ser fonte de vitalidade, esperança, humanidade, solidariedade e vontade de fazer as coisas. Fé na vida para ler um poema, cantar uma música, ler um conto ou uma história engraçada. Aprender pode ser sinônimo de alegria, sem deixar de ser sério.
Que beleza é encontrar alguém mesmo na dificuldade, com vontade de lutar, com ideias na cabeça, deixando o pensamento voar como Lupicínio: “O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar”. A escola pode despertar a grande capacidade que os jovens possuem. Neste caso, é impossível não lembrar, como foi fundamental o apoio, dos alunos e alunas, na luta em defesa da escola pública estadual gaúcha. Este governo pegou financiamento do Banco Mundial e impôs uma série de exigências. O pacote do BM condicionou uma proposta educacional de Estado Mínimo, onde entra a meritocracia e a elitização, que é contrário à perspectiva da inclusão.
O envolvimento da comunidade escolar foi decisivo na retirada desses projetos. Anísio Teixeira dizia que “cidadania e democracia se aprendem através da experiência”. O apoio dos alunos que buscaram espaço no rádio e na câmara de vereadores, para discutir o assunto, comprova essa frase, pois valeu mais do que uma aula. Para Frei Betto “política é igual feijão, só funciona na pressão”. A escola pública carrega uma expectativa enorme, pois diante dela, diversas possibilidades se abrem às classes populares. É o despertar ao estudo, à imaginação, à leitura, ao conhecimento, à música, à arte, à poesia, ao teatro, etc. É como uma máquina que necessita ser acionada, ocorrendo quase um milagre com poder de mudar completamente a vida das pessoas. Por tudo isso: Viva a Escola Pública.
Respeito ao servidor
e às comunidades
Marcus Vinícius Vieira de Almeida - Presidente da Famurs e Prefeito de Sentinela do Sul
12/12/2009 - As turbulências financeiras provocadas pela crise não serão empecilho para que nossos governos municipais cumpram seus compromissos com o servidor público. E isso ficou ainda mais claro a partir da garantia de que o pagamento do 13º salário do funcionalismo será efetuado em sua totalidade, conforme constatou pesquisa realizada recentemente pela Famurs.
Na prática, os gestores asseguraram como prioridade a preservação do serviço público. Ou seja: com as deficiências dos cofres, a atitude tomada foi reduzir cargos de confiança, prorrogar contratos, adiar investimentos, conter despesas – mas não atrasar o salário extra, que recompensa todo o ano de trabalho. É a consciência de que não há como se fazer gestão sem a contribuição decisiva do servidor.
Mesmo com o 13º em dia, é necessário colocar em perspectiva as razões que levaram os cofres municipais a um quadro de enorme dificuldade. De acordo com a mesma pesquisa, quase metade dos Prefeitos gaúchos admite que pode encerrar o ano no vermelho. Além disso, cerca de um quinto dos gestores qualificou como ruim ou péssima a situação financeira de seus Municípios.
É claro que 2009 foi atípico. Para muitos Prefeitos, foi o primeiro ano de mandato. Sofremos ora com temporadas de fortes estiagens, ora com chuvas torrenciais. Também sentimos na economia real os efeitos da maior crise das últimas décadas. Somado a isso, o déficit foi profundamente agravado em função da diminuição dos repasses de ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Neste ano, a desaceleração da economia reduziu, de forma inesperada, a arrecadação do ICMS no Estado – o que, por consequência, acabou diminuindo também o valor repassado aos Municípios. Situação semelhante ocorreu com o FPM, principal fonte de receita de mais de trezentas comunidades gaúchas. O Fundo é constituído, em grande parte, por repasses do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), cujas alíquotas foram reduzidas em função da crise. A medida, louvável por um lado, acabou pesando excessivamente nas contas municipais. As glórias ficaram em Brasília, enquanto os ônus caíram no colo dos Prefeitos.
Para auxiliar os gestores que porventura não consigam atender às especificações da Lei de Responsabilidade Fiscal, a Famurs já está dialogando com o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público. Jamais pretenderemos que esses órgãos deixem de exigir o cumprimento da lei. Contudo, invocamos os princípios da razoabilidade e da reserva do possível. Ou seja: avaliar a situação tal qual ela se apresenta no plano fático, não no plano ideal. A gestão dos problemas pontuais, contudo, deve ser acompanhada por uma revisão completa da atual estrutura do Pacto Federativo, que está pautada por um pernicioso desequilíbrio na repartição de receitas e poderes em favor da União. E a correção dessa distorção passa, necessariamente, pela recuperação e fortalecimento do papel dos Municípios dentro da Federação brasileira.
Lula e Ahmadinejad
João Carlos Binicheski - Funcionário público e acadêmico de Direito.
28/11/2009 - Imagine um comerciante negando-se a vender
suas mercadorias a um cliente, sob a alegação de que o mesmo não possui condições morais para ser seu cliente. Guardadas as proporções, é isso que defendem os que criticam o Presidente Lula por ter recebido o Chefe do Governo do Irã.
Tudo bem, a comparação pode ser um tanto exagerada, mas Ahmadinejad (é assim que se escreve?) não é um amigo que Lula convidou para tomar uma caipirinha, num final de tarde. Luis Inácio não é Presidente de um paisinho de terceiro mundo, é Chefe de Estado e de Governo da mais promissora potência emergente. Já as teocracias muçulmanas, oprimem social e culturalmente seus povos, mas não deixam faltar comida nas mesas de suas famílias. E para isso, compram milhares de toneladas de frangos e leite em pó. Lula está de olho nessas oportunidades. Outra coisa: sob as suas areias escaldantes, o Irã tem poços imensos de petróleo, e nós temos uma grande potência petrolífera. Seria burrice misturar o Governo do País Persa com as imensas oportunidades econômicas que a nação dos aiatolás oferece.
Pragmático, Lula certamente vê no estreitamento das relações com o Estado (não com o Governo) iraniano uma ótima chance de diversificar ainda mais as nossas relações comerciais. Aliás, é bom que se registre, quando o atual Governo Federal assumiu esta estratégia de desconcentrar o nosso comércio exterior foi muito criticado. Não faltaram palpiteiros dizendo que se deveria esquecer outras opções e continuar dependendo mais dos EUA. Após a crise mundial, esta idiotice dispensa comentários.
EXERCÍCIOS FÍSICOS E OBESIDADE
Aline Letícia Sonneborn
Acadêmica de Educação Física da Unijuí, campus Santa Rosa.
07/11/2009 - A obesidade é uma doença caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, associada a problemas de saúde, ou seja, que ocasiona males à saúde das pessoas.
Atualmente a sociedade apresenta graves problemas de saúde entre eles, o mais grave: a obesidade. Ela existe tanto na vida adulta como na infância e é considerada uma epidemia mundial pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A obesidade é considerada hoje uma doença crônica, que provoca ou até mesmo acelera o desenvolvimento de doenças, podendo levar à morte.
A obesidade é caracterizada como um fator de risco para uma série de doenças: hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, doenças cérebro-vasculares, diabetes mellitus tipo II, câncer, osteoartrite, coledocolitíase; e distúrbios: distúrbios lipídicos, hipercolesterolemia, diminuição de HDL (colesterol bom), aumento da insulina, intolerância à glicose, distúrbios menstruais, infertilidade e apnéia do sono. Indivíduos obesos tem expectativa de vida reduzida devido a estes fatores de risco.
Outro fator importante ligado a obesidade é o sedentarismo, que associado com o abuso na alimentação, traz grandes riscos a saúde. Há algum tempo e atualmente os pais tentam compensar sua ausência na vida dos filhos dando liberdade de escolha dos alimentos, que na grande maioria vem a ser: fast food, chocolates, salgadinhos refrigerantes, bata frita, tudo isso vai levar a crianças a desenvolver a obesidade.
Para uma melhor qualidade de vida com ganhos na saúde e prevenção de doenças, é preciso uma boa alimentação, junto com a prática regular de no mínimo 30 minutos diários de atividades físicas.
Os exercícios mais indicados são os aeróbios de intensidade moderada, como: caminhadas, corridas, bicicleta, natação e dança, pois apresentam um gasto calórico significativo.
A atividade física é essencial para manter a saúde e perder peso e deve fazer parte do estilo de vida das pessoas, pois proporcionam os seguintes benefícios:
- Queima de calorias e perda de peso;
- Manutenção da tonificação dos músculos;
- Aumento da taxa de metabolismo (a quantidade de calorias que o seu organismo queima 24 horas por dia);
- Melhoria na circulação;
- Melhoria nas funções cardíacas e pulmonares;
- Aumento do auto-controle;
- Redução do estresse;
- Aumento da habilidade de concentração;
- Melhoria na aparência;
- Redução da depressão;
- Diminuição do apetite;
- Melhoria na qualidade do sono ;
- Prevenção de diabetes, pressão sangüínea e colesterol altos.
Mudanças no estilo de vida, a inclusão de hábitos alimentares saudáveis e a prática regular de atividades físicas reduz todas as causas de mortalidade e alguns fatores de riscos para doenças cardiovasculares.
Lembre-se sempre!
A procura por saúde, seja ela física ou mental nunca deve ser realizada por conta própria, procure sempre um profissional de educação física qualificado e competente!!
ECONOMIA SOLIDÁRIA: UMA EMERGÊNCIA
Vereador, graduado em História e Geografia e Mestre em Desenvolvimento.
22/08/2009 - O parecer favorável à tramitação do Projeto de Lei 336/07 de iniciativa popular pela Comissão de Constituição e Justiça no dia 19/05/09, foi um passo importantíssimo para o desenvolvimento da economia solidária no RS. O PL que ainda necessita da aprovação dos deputados, institui o marco regulatório para o seu fortalecimento e desenvolvimento. A luta pela instituição desse projeto para a Economia Solidária no RS que já é histórica, simboliza a força e a persistência dessa parcela da sociedade organizada, que apresenta atitudes inovadoras para o desenvolvimento que materializa-se no projeto de lei 336/07 que institui uma política estadual de fomento ao setor da economia solidária.
Do ponto de vista político, deve-se reconhecer o empenho e compromisso do líder da bancada petista, deputado estadual Elvino Bohn Gass, que defendeu esta causa com muito idealismo e comprometimento na passagem na CCJ. Segundo o Deputado, há anos os trabalhadores e os empreendimentos solidários estão buscando este reconhecimento pelo Estado. No entanto, reconhece que a luta e as dificuldades enfrentadas neste percurso por estas pessoas e instituições só fortalecem os seus ideais e fazem valorizar cada pequena grande vitória do setor. Além disso, este passo significa o avanço da justiça social, do empreendedorismo coletivo e associativo, de nova dinâmica de mercado, diferente daquela aplicada pelo mercado competitivo e individualista que engendra a visão empresarial tradicional e reducionista. O desenvolvimento e crescimento desse setor no RS dá testemunho de que existem outros meios, outros caminhos para o desenvolvimento, que é possível desenvolver empreendimentos socialmente mais justos, que fortalecem as relações de confiança e aprimoram o conhecimento administrativo dos trabalhadores/patrões para a eficácia das suas empresas/empreendimentos. Assim, esta simbiose administrativa ‘patrão/empregado’ torna-se um mecanismo de re-distribuição da renda. Numa sociedade que tem seus problemas enraizados na concentração da renda e da riqueza, estes empreendimentos dão mostras concretas da evolução de uma concepção mais socializada e humana da economia e do processo de desenvolvimento que emerge de um meio social que, para muitos ainda é desacreditado. Neste contexto, a valorização e desenvolvimento destas iniciativas merecem atenção especial do poder público e da sociedade, pois ajudam a corrigir as falhas geradas pelo sistema capitalista, que a economia de mercado não consegue dar conta de resolvê-las. A partir dessas premissas, apoiá-los passa a ser um dever de qualquer cidadão que dedica-se na construção de uma sociedade mais justa, sustentável e sustentada socioeconômica e ambientalmente.
Para tanto, faz-se necessário relativizar a visão paradigmática capitalista, competitiva e mercadológica do atual modelo de desenvolvimento. Para que possamos afirmar em nós mesmos estas perspectivas, é mister que sejamos abertos para reconhecer e apoiar iniciativas de tamanha relevância social, ambiental e econômica. A valorização humana e do trabalho é uma condição irrefutável para melhorar os fatores que, direta ou indiretamente, determinam as condições e a qualidade de vida da sociedade.
E nós, que somos motivados pelo empreendedorismo solidário, que acreditamos na dimensão de uma economia socializada e humanizada, só descansaremos quando o Estado dispensar a estes empreendedores solidários consideração digna de um setor com foco no desenvolvimento do trabalhador e não meramente no capital e no trabalho destinado ao lucro de terceiros.
Crédito e seguro rural, continuam os gargalos
Edivaldo Del Grandeo – presidente da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp)
27/06/2009 - O Banco do Brasil comemora o aumento das cifras para financiamento do setor agrícola para a safra 2008/2009. Contabilizou, até maio, R$ 27,5 bilhões – 28% superior ao oferecido na safra anterior. O plano de safra, com promessa de mais crédito para a “classe média” rural e cooperativas agropecuárias, acaba de ser anunciado. Divulga-se um montante de R$ 107,5 bilhões no total, 37,8% a mais em relação à safra anterior.
Em um momento em que as instituições financeiras reduziram as linhas de crédito, o plano de safra merece elogios. Mas não é suficiente.
O produtor agrícola está fragilizado, sobrevive a décadas de safras frustradas, por intempéries que geraram dívidas estratosféricas. Em muitos casos, financiamentos obtidos após a repactuação das dívidas acabam voltando ao caixa dos bancos na forma de pagamento de prestações em atraso.
Por isso, não é unicamente a liberação de crédito que levará o setor à necessária estabilidade. É preciso que sejam repactuadas as bases para o acesso a esse crédito e oferecidos mecanismos para proteger os produtores contra novos prejuízos. Nesse processo, volta à tona o debate em torno do seguro rural, que além de cobrir custos de plantio, deve garantir renda.
As dificuldades começam na mesa do gerente do banco. As garantias exigidas são um dos maiores entraves. As regras para a contratação do crédito rural são as mesmas que regem o sistema financeiro. Ignora-se que o setor agrícola tem suas peculiaridades. Nos jornais, divulga-se que está sobrando dinheiro. Com certeza, pois o recurso não tem chegado ao produtor.
É fundamental a modernização do sistema de crédito rural. São medidas urgentes a reavaliação do patrimônio em parâmetros mais justos; a aceitação de outros bens que não a propriedade como garantia; a liberação de parte do bem proporcionalmente ao que já foi quitado e a aceitação de garantias em 2º e 3º graus, de modo que uma mesma propriedade possa ser instrumento de validação de mais de um empréstimo – medida adotada pelos bancos comerciais, mas negada pelos oficiais.
Ao lado da revisão das garantias exigidas para a obtenção do crédito, o seguro é outro ponto crucial. O produtor agrícola precisa se precaver de novos prejuízos para que possa se manter no campo e continuar a trabalhar. Hoje, não atende às especificidades do setor, já que se restringe a expectativas de produção baseadas em parâmetros defasados, estabelecidos pelo IBGE. O último censo é de 1996. Portanto, os índices de produtividade utilizados pelas companhias de seguro não refletem os avanços tecnológicos e o consequente aumento da produtividade no campo. Assim como não levam em conta as particularidades de cada região.
Isso significa que o produtor é ressarcido de forma insuficiente, apenas em parte do que alcançaria se São Pedro atendesse às preces. Pior ainda são as cláusulas dos contratos que submetem a validade do seguro a uma vistoria técnica da lavoura, a ser realizada em 15 dias após a contratação, para verificar o vigor das plantas. Se minguadas ou danificadas por qualquer sinistro, nulo é o contrato e totalmente desprotegido fica o nosso homem do campo.
Há espaço para esses absurdos porque o seguro rural no país não é atraente nem para o produtor nem para as seguradoras ou resseguradoras. Falta concorrência no mercado. No Congresso ,tramita projeto que cria o Fundo de Catástrofe, uma reivindicação antiga do setor para garantir indenizações para prejuízos provocados por calamidades. Esse fundo vai reduzir os riscos para as seguradoras, atraindo novas empresas para o mercado e diminuindo os custos para os produtores.
Enquanto o poder público não avança, o cooperativismo continua cumprindo o seu papel econômico com viés social no campo. Espelho da situação crítica na agropecuária, as cooperativas, apesar de abaladas, são o alento dos produtores, principalmente os pequenos, ao proporcionarem redução de custos na aquisição de insumos, acesso a novas tecnologias e negociações mais vantajosas em virtude do volume de produção do conjunto de cooperados.
Em um país de proporções territoriais gigantescas, como o Brasil, o setor agrícola é estratégico e estratégica deve ser sua política de financiamento, crédito e seguro. Não modernizar o setor é torná-lo inviável. Inviabilizá-lo é inviabilizar o país.
O dia do Bombeiro
Marcos Antonio Ferreira Barreto – 2º Sgt - Cmt Corpo de Bombeiros Misto Tres de Maio
20/06/2009 - Foi um imperador babilônico quem deu o pontapé inicial na criação do que chamamos hoje de corpo de bombeiros. Hamurabi no sec.XVII a.c. criou o chamado Código de Hamurabi que elencava diversas normas de segurança e métodos para o controle de catástrofes, incluindo incêndios. Do Código de Hamurabi existem 282 artigos que depois de terem sido transformados em lei, estão em vigor até hoje.
O bombeiro como militar surgiu em Roma, por volta do ano 600 a.c. mas foram os alemães que em l851 criaram o primeiro corpo de bombeiros profissional.
No Brasil a história do Corpo de Bombeiros começou a ser construída no ano
De 1851 no Rio de Janeiro, quando ocorreu um incêndio de grandes proporções na Rua do Rosário, onde o fogo só foi extinto com a utilização de uma bomba manual emprestada pelo imigrante francês Marcelino Gerard, impressionado com a eficiência do equipamento, o brigadeiro Machado de Oliveira apresentou na assembleia provincial um projeto de lei para regular o trabalho de prevenção e combate a incêndios.
No dia 2 de Julho de 1856, o imperador D.Pedro II assinou o Decreto Imperial
De número 1.775, que regulamentava pela primeira vez no Brasil o serviço de extinção de incêndio. Hoje para oficializar a importância do bombeiro existe o decreto presidencial 35.309 assinado em 02 de abril de 1954, que institui o dia 2 de julho como o Dia do Bombeiro, e o imperador D.Pedro II como patrono do Corpo de Bombeiros no Brasil.
A ideia de associar a atuação do bombeiro apenas ao combate a incêndios, já está longe da realidade, porque acompanhando a evolução do tempo, o desenvolvimento do estado e da sociedade, o Corpo de Bombeiros vem ampliando o leque de suas atividades operacionais e institucionais, e esta inserido integralmente ao cotidiano das cidades. Entre suas missões o bombeiro resgata vítimas em acidentes de qualquer gênero, efetua buscas e salvamentos, corte legal de árvores, prevenção e combate a incêndios e realiza treinamentos em cursos internos e externos.
Parabenizamos a cada bombeiro em particular, pelo seu desprendimento e pela sua bravura.
“BOMBEIROS TRABALHAM 24 HORAS POR DIA E COMEMORAM O SEU DIA TRABALHANDO”
As vacas pastam, perdigão prepara o ninho e o cavalo passa encilhado
João Carlos Binicheski - Ex-Secretário Municipal da Indústria e Comércio
06/06/2009 - É só uma questão de poucos meses para que a silhueta da torre de secagem de leite da nova usina da Perdigão domine a paisagem no interior de Três de Maio, em direção a Santa Rosa. A crise econômica mundial não fez “azedar” o projeto, a região em breve começará a “ordenhar” muitos ganhos econômicos e sociais.
O que a nova planta industrial representará para o nosso Município? Infelizmente esta é uma pergunta pouco ouvida, e são poucos os que buscam dar-lhe respostas. Os números até agora divulgados, seiscentos mil litros industrializados por dia, cento e cinquenta empregos diretos, aproximadamente quinhentos empregos indiretos, certamente não dão, por si, uma dimensão das potencialidades que o novo empreendimento fabril oferecerá para o nosso desenvolvimento.
O que poderemos ganhar com dezenas, quase uma centena de caminhões que trarão a matéria-prima diariamente? Ou com as diversas carretas que serão necessárias para transportar o leite em pó até o porto de Rio Grande? Alguém já parou para pensar na quantidade de pessoas e veículos de transporte que serão necessários para suprir a lenha que fará o leite virar pó?
Decididamente, o cavalo se aproxima encilhado. Além da indústria propriamente dita, milhares de propriedades rurais formarão juntas outra indústria que “empregará” milhares de pessoas, que necessitará de ordenhadeiras, resfriadores, eletrificadores de cerca, concentrados, complementos minerais. A estruturação de tambos leiteiros demandará materiais de construção. Programas como o Pronaf e o Mais Alimentos garantirão os recursos ne-cessários. Para as micro e pequenas empresas que quiserem preparar-se para colher frutos de todo este efeito multiplicador, também não faltarão recursos. O Programa Cresce-RS garante financiamento a baixo custo, com prazos longos, e pouca burocracia.
Não se pode esquecer, também, do setor imobiliário. Casas, apartamentos, pavilhões de “beira de estrada”, que já estão em falta, terão a sua procura multiplicada. Decididamente, o cavalo passa encilhado. Vamos montar, ou chorar depois pelo leite já derramado, ou melhor, já transportado?
30/05/2009 - O nosso presidente Lula..... Alguns falam que está metido em corrupção, outros criam histórias de bloqueio na poupança (onde o próprio presidente já declarou que essa história não é verdadeira), muitos outros criticam a gestão e a situação do país. Nesse sentido, precisamos deixar bem claro que todos sabemos O QUANTO É DIFÍCIL GOVERNAR ESSE PAÍS!!!
Imaginem governar um simples município no interior da Paraíba tendo que “negociar” com a Câmara de Vereadores do município; e agora imaginem ter que “negociar” com a nossa Câmara de Deputados e Congresso Nacional, duas das instituições que MAIS ENVERGONHAM O NOSSO PAÍS. Devemos utilizar o termo “negociar”, pois é somente assim que as coisas nesse país funcionam!!! A coisa só funciona através de acordos de bastidores entre os partidos políticos. Agora pergunto: Quem conhece o “Inconcebível Sr. Presidente Lula?” Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores; Lula, que não entende de economia, pagou as contas deixadas por Fernando Henrique, zerou a dívida com o FMI e ainda emprestou alguns milhões aos ricos que estão em dificuldades nessa crise financeira; Lula, que não entende de educação, pois a oposição e a mídia o classificam como analfabeto e burro, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos e ainda criou o PRÓ-UNI, onde filho de pobre vai à universidade… Lula, que não entende de finanças, nem de contas públicas, elevou o salário mínimo de 64 para mais de 200 dólares e não quebrou a Previdência como dizia FHC… Lula, que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo… mas o PIG (Partido da Imprensa Golpista) que entende de tudo e acha que não… Lula que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, reabilitou o pró-alcool, acreditou no biodiesel e levou o País à liderança mundial de combustíveis renováveis…Lula, que não entende de política , mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser mais respeitado e enterrou o G-8…Lula, que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu, mandou às favas a ALCA, olhou para os parceiros do sul e especialmente para o vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista, tem trânsito livre com Chaves, Fidel, Obama, Evo... Lula que não entende de mulher, nem de preto, colocou o primeiro negro no Supremo (desmoralizado por brancos), colocou uma mulher como primeira ministra e vai fazê-la sua sucessora. Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis. Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de Keynes, criou o PAC, antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora do Estado investir e hoje (o PAC) é um amortecedor da crise. Lula, que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais, é respeitado como uma das pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual…Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha uma empatia e uma relação direta com Bush, notada até pela imprensa americana. E agora já tem a simpatia do Obama. Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas, faz história e será lembrado por um grande legado dentro e fora do Brasil. Lula que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos Palestinos para dialogar com Israel. Lula não entende nada de nada, mas mesmo assim é melhor que todos os que o antecederam...
Magistério em defesa da propriedade
Prof. VAldenir José Dotto
Graduado em História e Geografia;Mestre em Desenvolvimento.
23/05/2009 - Vivemos numa época de crise, que para muitos pensadores como Boff e Morin é uma crise civilizatória, histórica, portanto, anúncio da crise do velho paradigma elaborado a partir da racionalidade cientificista cartesiana da época moderna, responsável pela disjunção e compartimentação das ciências, do seu universo e da sua universalidade. Obsecado por seus princípios dogmáticos engendra a prática analítica cartesiana, descontextualizada e simplista que, segundo Morin (2000), reduz a compreensão da realidade e dos conflitos que permeiam a sociedade atualmente.
Nesse contexto, abre-se precedente para se fazer uma análise sobre a compreensão do Direito de Propriedade a partir da perspectiva de análise do pensamento complexo, intersubjetivo. Portanto, implica em entender a problemática do Direito de Propriedade além da visão dogmática da lei que para muitos parece estar sacramentado na Carta Magna. No entanto, os conflitos sociais dão prenúncio de que isto não é tão certo assim. As sociedades capitalistas, que se fortaleceram pelo avanço da ciência moderna por mais de três séculos, criaram as suas contradições existenciais que põem em xeque a sua própria ‘verdade’. Dois movimentos distintos e antagônicos expressam bem esta situação.
De um lado, o MST (Movimento dos Sem Terra), movimento social, se verificarmos profundamente é oriundo do próprio dogmatismo determinista da Lei que historicamente foi ineficiente para resolver os seus problemas, por isso afrontam contra o Direito de Propriedade. De outro lado, temos o Estado que, além da intencionalidade de tirar da lei alguns direitos dos professores para atender o seu projeto neoliberal em função de uma economia financeirizada não cumpre a aplicação de 35% que a lei prevê, negligencia com a educação que, para milhões de jovens é a única forma de ascensão social.
Por esta forma de pensar é possível fazer um paralelo entre o MST e o Governo do RS. Vejamos. Numa sociedade capitalista onde sempre prevalece o ter sobre o ser, temos a visão de que o privado é algo material, concreto, no caso, uma área de terra, não importa as questões inerentes a sua função social, a integralidade do Estatuto da Terra, o modelo de sociedade, etc., ou seja, exclui-se do processo analítico a importância das questões subjetivas e as relações intersubjetivas entre os fatos. No caso do MST, a jurisprudência, pela sua essência dogmática prioritária, sempre será a favor do proprietário, negligenciando a os aspectos qualitativos e intersubjetivos no julgamento. Agora vejam a situação do magistério ou de qualquer trabalhador assalariado. Qual é propriedade de um professor, de um trabalhador assalariado? (propriedade = aquilo que se possui para poder produzir e garantir o sustento). Que lei garante o direito da sua propriedade? A propriedade privada de um professor é o seu trabalho intelectual, o conhecimento. É um bem imaterial. A lei que regulamenta e garante esse direito é o Plano de Carreira. No entanto, pela sua proposta de tirar direitos adquiridos, não estaria o governo do Estado invadindo a propriedade privada de milhares de professores? O governo não é considerado invasor? Onde e como esta classe pode buscar proteção? E o setor privado que insiste por meios políticos na flexibilização da Legislação Trabalhista, não está pondo em risco a propriedade dos assalariados? Talvez a única diferença seja que o Estado não é vítima da repressão policial e que o MST invade propriedade dos mais ricos e o Estado dos já empobrecidos professores.
Diante disso, a compreensão da complexidade, da intersubjetividade do contexto é crucial e necessária para termos pleno discernimento na escolha de um governo que, além de nos representar, seja legítimo. Não meramente pela sua proposta programática, que também deve ser entendida na complexidade, como exemplo, a falácia neoliberal do déficit zero, mas como se identifica com as questões intersubjetivas que dialogam com toda a sociedade.
Quando pedem o ‘Fora Yeda’, não parece desnecessário, nem tão afrontoso, pois não deveria nem ter chegado lá, quanto menos pela estratégia corrupta que adotou, inclusive no seu governo. Ainda menos pelo caráter prepotente de seu governo e da base aliada fisiologista que afrontam os legítimos interesses da coletividade. A forma de como a governadora tenta convencer a ingênua sociedade da importância do ‘seu’ Plano de Carreira que oferece ao magistério compulsoriamente demonstra, por si só, o absoluto desrespeito.
Porém, mais preocupante é a falta de ética, da noção de legitimidade e da intersubjetividade, ou então, de conhecimento da parte da sociedade para poder diferenciar entre um e outro projeto governo para que a escolha não seja apenas um ato da democracia, pois a verdadeira democracia está engendrada pela legitimidade. Assim, não vejo nenhuma surpresa, apenas a execução de um projeto de governo, de um Estado privatista – neoliberal, portanto, legítimo para a concepção do atual governo, porém, infelizmente ainda não compreendido pela sociedade, inclusive por boa parcela do magistério.
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