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Diário de bordo


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25 de julho. Dia do Colono e Motorista.

 

Parte I

 

            Quando começamos a planejar a edição especial do Colono e Motorista há duas semanas, nos reunimos na redação e começamos a jogar conversa fora sobre agricultura, estradas. Afinal, pouco entendemos do assunto, embora a gente se esforce.

            Entre um papo e outro alguém de nós perguntou. “Vocês sabem como é feito o recolhimento de leite, como é conservado no caminhão, se os freteiros andam sozinhos pela noite?”.

            Foi então que deu o "click" para acompanhar alguns quilômetros de coleta de leite com um freteiro.

            Pouco importa de quem foi à ideia, mas o importante é que a primeira pauta surgiu. E quando falamos em acompanhar, a intenção desde o começo era literalmente fazer pelo menos uma parte do trajeto com um freteiro. A ideia era acordar de madrugada e seguir viagem.

            Nosso único pedido? Que não fosse frio naquela madrugada...risos.

            Mas, precisávamos de mais assuntos. Então alguém sugeriu acompanhar a ordenha de animais e ver como o leite é conservado até a coleta pelo freteiro, como está o trabalho nesse setor etc...

            Mas só isso não bastava. Era pouco ainda.

            Continuamos jogando conversa fora, entre risadas e discussões mais sérias chegamos ao assunto “Evolução do trabalho no campo”. Assim surgiu a ideia da entrevista com o Pacheco da Unitec para saber como está o cenário da agricultura hoje e surgiu à pauta com o coordenador do curso técnico em agropecuária da Setrem, Claudinei.

            Por fim, pensamos nos tipos de motoristas que existem. E chegamos ao taxista. Aí a nossa colega Samia sugeriu seu padrinho. O Delceu.

            Mapeando quem era o Delceu alguém da equipe disse. “Bah, ele fazia transporte para uma padaria”. Sim, é ele. Ou seja, sempre trabalhou tendo como ferramenta o automóvel. Sendo assim, era ele nossa “vítima perfeita”.

        

   

Parte II

            Definida a pauta começamos a buscar as fontes. Primeira atitude? Contato com quem conhece o setor leiteiro nessa cidade. O pessoal da Cotrimaio.

            Na hora o Eliseu Roberti se disponibilizou a nos ajudar.

            Claro que quando falamos para ele como pensamos em fazer a matéria (viajando na boleia), ele riu de nós. Mas foi um riso simpático. Quase como um comentário: “Vocês são malucos”. Mas enfim, ele conseguiu o contato com o freteiro de leite e com o produtor.

            Nos passou os nomes, fez a primeira ligação perguntando o que eles achavam e depois nos passou a bola.

            Fizemos novos contatos e tanto produtor como freteiro foram muito receptivos e nos proporcionaram as entrevistas.

            A editora Andréa Sommer e a diretora comercial Samia Kuhn foram, em companhia do Eliseu e Jonas do setor leite da Cotrimaio, até a propriedade da família Dalavechia.

            Lá elas foram recebidas pela Márcia e pela Venilda. Ah claro, e pela Julia, a filha da Márcia que tem cinco anos e achamos que vai ser jornalista um dia, ou modelo, porque adora uma máquina fotográfica.

            A jornalista Andréa Sommer acompanhou a ordenha, e entre perguntas e fotos, tremia de medo de ser “atacada” por uma vaca. Era uma foto e um passo para trás. Mas tudo bem. Aos poucos os animais foram se acostumando com os flashes das fotos e tudo ficou mais tranquilo.

            Depois da conversa com a Márcia e a dona Venilda, a jornalista encontrou o Paulo e o Sr. Gentil que também trabalham e vivem na propriedade. O Sr. Gentil contou que faz vinho e aí deu água na boca da equipe que visitava a propriedade. Mas, como estávamos a trabalho, nem pensar em vinho pessoal. Conversamos mais um pouco com a família, tiramos a foto de todos juntos e seguimos para Três de Maio.

            Chegando à redação. Combinamos sobre nossa empreitada com o freteiro de leite. Sim, TODOS queriam viajar na madrugada, mas como no caminhão só tinha lugar para uma pessoa, montamos uma equipe de apoio.

            O Armando foi eleito o motorista da equipe, a Samia ficou encarregada pelo nosso café da manhã e as jornalistas Andréa Sommer e Márcia Pilar tinham o compromisso de registrar tudo.

            Encontramos-nos na sede do Cooperjornal às 2h45 de sábado, dia 16. Aguardamos alguns minutos e o freteiro veio ao nosso encontro para seguirmos viagem.

            A Márcia embarcou na boleia do caminhão e os demais seguiram atrás de carro. As histórias vividas pelos dois freteiros foram sendo contadas à medida que íamos avançando pelas estradas do interior de Três de Maio. A cada parada feita para recolher o leite armazenado nas propriedades, um novo comentário ia surgindo. Mais fotos foram feitas para registrar o trabalho realizado dentro do caminhão (tanto a direção, como o catalogação da litragem) e do lado de fora onde é medida a acidez do leite.

            Para os freteiros, que exercem um trabalho quase solitário e silencioso, a nossa presença foi uma oportunidade de conversar e resgatar causos que só quem anda pelas estradas do interior e desbrava a madrugada trabalhando sabe. As estradas em más condições ainda são os principais inimigos dos caminhoneiros, fato que se agrava em dias de chuva. Mas o prazer do trabalho cumprido e o contato com os agricultores é o destaque que os freteiros sempre levam no fim do dia.

            Percorremos cerca de 30 quilômetros, passando por três comunidades até chegar à propriedade da Família Dalavechia, às 5h30 da manhã, que já nos receberam acordados. O começo de mais um dia de trabalho ao lado da dupla de freteiros e da família de produtores rurais, que não contam com dias de folga e ainda dependem do tempo para realizar suas atividades, fez com que víssemos o quão importante e vital é a natureza de seus trabalhos.

            Atividades que se completam, pois o que um produz o outro transporta, o Colono e Motorista comemoram no dia 25 de julho sua data. E esse Caderno Especial realizado pela equipe do Cooperjornal foi a nossa forma de agradecer e valorizar o trabalho dos homens do campo e das estradas.

           

           

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