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Irrigação como alternativa para melhor desempenho na lavoura


Marcos Martini e o técnico da Cotrimaio Edson Kunz

Em área irrigada, produtor deve colher  60 sacas de soja por hectare

O período de estiagem vem prejudicando as plantações e outras atividades agrícolas em todo o Estado. Falta de chuva, sol forte, são fatores que prejudicam o desenvolvimento das lavouras e deixa agricultores cada dia mais apreensivos.
Mas, com tecnologia, é possível contornar problemas na agricultura causados pela natureza. Neste sentido, alguns agricultores conseguem minimizar as perdas causadas pela seca, se utilizando de sistemas de irrigação.
Um exemplo é a propriedade do agricultor Marcos Martini, na localidade de Esquina Araújo, Independência. No local, ele possui pivôs de irrigação desde 2004. O fornecimento de água é controlado, garantindo a boa produtividade das plantações.
A expectativa do agricultor, é que na área plantada de soja, com irrigação (65 hectares), 60 sacas sejam colhidas por hectare. “O total da nossa propriedade é de 900 hectares, destes, 500 hectares estão dedicados ao plantio de soja e 250 foram plantados milho. Plantamos em agosto, 35 hectares de milho sem irrigação. Nesse local a produtividade foi menor que o restante da área irrigada. No espaço irrigado, colhemos 220 sacas de milho por hectare”, destaca Marcos.
O milho irrigado se tornou um produto bem desenvolvido e valorizado no mercado, o oposto de muitas lavouras da região, que perderam muito em qualidade devido à estiagem, que prejudicou a formação dos grãos.  
Nos últimos anos, de acordo com especialistas, os problemas de falta de chuva ocorreram em maior incidência, por mais de sete períodos os agricultores enfrentaram a falta de chuva. Diante disso, a irrigação é vista como uma garantia na produção, sendo uma solução preventiva e de aumento de produtividade e, na opinião de Marcos, os investimentos em irrigação são válidos, visto o benefício que ele traz em períodos de seca. Porém, a dificuldade de muitos, é garantir a água para abastecer esse sistema. “Hoje, o custo de um pivô por hectare ultrapassa os R$ 5 mil, mas é um investimento válido, pois é uma boa alternativa de superar algumas dificuldades em momentos de seca. Além do investimento com o pivô, autorizações junto a Fepam, órgãos de meio ambiente e outras autarquias precisam autorizar o funcionamento da barragem e do pivô”.
Segundo Marcos, quando se pensa em implantar pivôs, é preciso analisar se a quantidade de água para abastecer esse sistema será suficiente. “Em nossa propriedade temos uma barragem há 25 anos, mas mesmo com a garantia de boa quantidade de água, nesse ano, com a estiagem, em muitos momentos tivemos que desligar os pivôs. Quanto mais chove, melhor é para esse sistema. O ideal é chuva e irrigação aliados no trabalho com a lavoura, mas como temos uma situação distinta nesse período, precisamos tomar cuidados com relação ao consumo de água também”.
De acordo com o técnico da Cotrimaio, Edson Kunz, a propriedade de Marcos é um exemplo de organização e um local muito bom se tratando de abastecimento de água. “Infelizmente nem todos os agricultores tem essas possibilidade e facilidades, mas cada vez mais, aqueles que possuem condições, deveriam sim investir nos sistemas de irrigação para potencializar as plantações. Acredito que, em nossa região, 80% das plantações de soja, sem irrigação estão perdidas. Desta foram, os agricultores devem colher em torno de dez sacas por hectare, o que é muito pouco, não cobrindo as despesas de plantio”.

Governo estadual recebe lideranças do agronegócio para debater irrigação

Representantes da Farsul, Fetag, Fecoagro e Ocergs reuniram-se no dia 7, com o secretário em exercício da Agricultura, Cláudio Fioreze, para conhecer detalhes do programa de irrigação que será lançado pelo Governo do Estado.
Durante o encontro, foram abordados temas relativos à licença ambiental e à outorga do uso da água, com esclarecimento de dúvidas apresentadas por parte das entidades. “O programa não contraria a legislação ambiental, pois os produtores obterão licença a partir de um termo de responsabilidade assinado por um técnico”, esclareceu Fioreze.
Fioreze sugeriu ainda que as entidades apresentem uma pauta conjunta ao ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, com o objetivo de criar linhas especiais de irrigação e armazenagem. “É importante criar linhas que possam, por exemplo, evitar ao máximo que ocorra exportação do milho que será produzido pelo programa de irrigação subvencionado. Será preciso fazer um trabalho de convencimento junto aos produtores para que o milho fique”, afirmou.
O secretário detalhou como deve funcionar a assistência técnica para aqueles produtores que queiram irrigar. A intenção da Secretaria da Agricultura é credenciar todas as entidades que tenham interesse em fornecer orientações técnicas. “Não só a Emater, mas todas que tiverem interesse, como cooperativas e federações. Também contaremos com o Irga e com o Sistema Irriga, que dará orientações técnicas desde a gestão de pivô, construção de um bom açude, até capacitação em sistema de irrigação e sistema de gestão para uso da água”.
    Fioreze explicou que o programa garante benefícios para os produtores que quiserem financiar a construção de açudes, ampliar os açudes ou investir apenas em sistemas de irrigação. Sobre a questão da energia para irrigação, Fioreze disse que foi criado um grupo de trabalho envolvendo as concessionárias de energia elétrica para a realização de um diagnóstico por região, detalhando itens como oferta de energia, qualidade e quantidade. “Onde não tem energia, pode ser usado motor e trator. A subvenção vai ser tão boa que vai compensar o gasto a mais que teria com o diesel.
    Também foi abordada a necessidade de abastecimento emergencial de milho e a possibilidade da utilização de trigo e de arroz para alimentação animal. Ficou definida a elaboração de um documento conjunto entre as entidades e a Secretaria a ser encaminhado ao governador Tarso Genro. “Vamos pedir a intervenção do governo Estadual junto às lideranças de Brasília para que sejam agilizadas medidas como o aumento da proporção de trigo na ração animal”, finalizou o secretário.

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