Cooperjornal

Serelepe lota clube para noite de teatro e história de vida

08/11/2008 - Três de Maio - Na terça-feira, 4, o Clube Buricá lotou para rever o grupo de teatro de lona Serelepe, que está com temporada em Santa Rosa. Organizado por uma produtora, o grupo que em 2009 vai completar 80 anos de existência fez um espetáculo em Três de Maio. Criado em 1929, em Sorocaba, no interior paulista, como um pequeno circo de pau-a-pique, com cobertura de algodão cru, nasceu com o nome de “Circo Teatro Nhô Bastião”, filho do então proprietário, Francisco Silvério de Almeida, também comediante. O transporte era difícil, feito com carroças em péssimas estradas do interior. Anos mais tarde, o pequeno circo era transformado em um pavilhão com cobertura de zinco, e recebeu o nome de “Politeama Oriente”, percorrendo os estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em 1962, com a morte de José Epaminondas de Almeida (Nhô Bastião), assume a parte cômica o seu filho mais velho, José Maria de Almeida, adotando o nome de Serelepe e entrando no Rio Grande do Sul pela cidade de Cruz Alta, percorrendo quase todos os municípios do estado.

Era uma época difícil, onde a censura dificultava o trabalho dos artistas. O ingresso das crianças nas escolas públicas era também complicado, havia muito preconceito em relação a artistas circenses que sofriam discriminação quanto à profissão. Desde 1978, quando a profissão foi regulamentada, a realidade mudou. O teatro Serelepe, mesmo enfrentando obstáculos, conseguiu sobreviver por mais 20 anos. Mas a concorrência da televisão e sem nenhum apoio governamental, a manutenção da companhia, que em 1981 se estabeleceu em Curitiba, no Paraná, formando com a própria família um pequeno grupo que durante seis anos percorreu vários estados com excursões que variavam de dois a três meses, fazendo duas apresentações diárias em cada cidade, cobrindo assim uma média de duzentos e cinqüenta municípios por ano e realizando uma série de trabalhos em todos os teatros da capital paranaense durante as férias escolares quando então paravam as excursões, tornou-se inviável. Em 1988, a família retorna ao Rio Grande do Sul. Em 1994, mesmo com poucos recursos, consegue montar seu próprio circo, o atual Teatro de Lona Serelepe, onde a parte cômica está a cargo de Marcelo Benvenuto Almeida, que herdou de seu pai o pseudônimo de Serelepe.

Cooperjornal - 2005 - Termos de Uso | Contato
www.cooperjornal.com.br
Av. Santa Rosa, 845 Três de Maio/RS
Atualized: Gladis Maria Endres. Design: índio