|
A noite em que a valsa foi explicada pelo autor
18/10/2008 - Santa Rosa - A noite da segunda-feira, 13, lotou o Centro Cívico Antonio Carlos Borges, em Santa Rosa, para acompanhar a estréia do longa metragem Uma Valsa para Bruno Stein, de Paulo Figueiredo e basado na obra homônima do escritor três-maiense Charles Kiefer. Além de aproveitar o filme, as mais de 200 pessoas saborearam os comentários do autor da obra base do roteiro, o recém-eleito patrono da Feira do Livro de Porto Alegre Kiefer, que esteve em Santa Rosa a convite do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Paulo Freire, da Unijuí.
A noite dedicada à literatura e ao cinema nacional foi aberta pelo professor e ativista cultural Larry Wizniewsky, que contextualizou a obra de Kiefer e a relação com a cultura da região e do estado. O próprio Kiefer apontou alguns elementos que o ajudaram a construir Uma Valsa para Bruno Stein, que depois foi assistido pelas pessoas que prestigiaram o evento.
No filme, em um lugar no meio do nada, Bruno Stein vive com sua família três gerações em conflito. A neta Verônica só espera o momento de ir embora; Valéria, a nora, tenta se conformar com sua solidão (o marido é caminhoneiro e passa semanas fora de casa) e ele sente que está no fim da vida. Bruno chegou ao Brasil logo após a segunda guerra, vindo com a família da Alemanha. Teve sua vida regida por uma rigidez moral protestante. O tempo passou e ele já não consegue mais encaixar-se na família. As netas o ignoram, a mulher já não representa muito para ele e, acima de tudo, o medo da morte próxima.
A cidade de Pau d’ Arco, pano de fundo da história do imigrante alemão, é sempre comparada a Três de Maio, Santa Rosa, e tantas outros recantos da região, mas essa comparação vira sentimento e mexe com o imaginário das pessoas que, ao ler a obra ou agora assistindo o filme, reconhecem nos personagens e na história um pouco da sua história e da história do seu povo.
|