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Sertanejo de academia
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| Dupla embarca na febre do “sertanejo universitário” e é aprovada com louvor |
15/03/2008 - A música sertaneja volta ao mercado com uma nova roupagem. Mais jovem e com uma musicalidade mais acústica, o estilo caipira conquistou um público bem exigente e muito diversificado. Depois do estouro da dupla César Menotti e Fabiano, que regravaram diversos sucessos de duplas como Zezé di Camargo e Luciano, Cristhian e Ralf e Chitãozinho e Xororó, a nova cara da musica do interior do país é o chamado “sertanejo universitário”.
Guilherme e Eduardo Chrischon estão nessa estrada e buscam conquistar seu lugar ao sol. Nascidos em Três de Maio e criados na cidade vizinha de Horizontina, desde cedo os irmãos, que vêm de uma linhagem de músicos, despertaram o interesse pela vida artística. Ainda crianças, a música já aflorava na alma dos meninos. Diferente dos outros garotos da mesma idade, que gostavam de jogar futebol e disputar campeonatos de bolita de gude, Guilherme e Eduardo preferiam ficar ligados, ouvidos atentos ao velho rádio de pilhas do pai, e se deliciavam ouvindo as modas de viola e as músicas gauchescas. Não demorou para que o pai percebesse a vocação dos meninos, que começaram a participar de festivais de música da região. Ganharam seu primeiro violão aos cinco e seis anos, e desde então não pararam mais. Festas de amigos e da família, quermesses na escola, festivais e os corais da igreja foram alguns dos palcos que lapidaram o dom dos meninos e que viram nascer a paixão transformada em arte.
Em 1997, os músicos foram beber da fonte: mudaram-se para Caldas Novas, no estado de Goiás, com o intuito de aprimorar os estudos, mas a paixão pela música não foi deixada de lado. Aventuras como bandas de rock, forró e sertanejo não faltaram para o currículo dos garotos. Nessas idas e vindas, os irmãos perceberam que não poderiam se separar: aí nascia a dupla Guilherme & Eduardo, sempre com o objetivo de estar fazendo o que gostam e com isso emocionar quem acompanha o trabalho da dupla.
Em 2007, o trabalho dos irmãos começa a ser reconhecido. A música “Locutor” estoura em todo o país, e os meninos vêm pela primeira vez para a região para apresentar seu show. É a consagração para a dupla, mas nada comparado ao que ainda está por vir.
Música sertaneja tocada de uma forma diferente, privilegiando o acústico – estilo que, por ter muita aceitação entre os jovens de 15 a 30 anos, ganhou a alcunha de “sertanejo universitário”. Mas o que esse estilo tem de diferente do restante do segmento sertanejo?
Ao pensar na resposta para essa pergunta, é inevitável tentar enumerar duplas que trabalham divulgando esse novo estilo. João Neto e Frederico, Jorge e Mateus e mais um punhado por aí são os novos “universitários” do som rural. O que eles têm de diferente? Praticamente nada. As duplas sertanejas universitárias utilizam o mesmo repertório e agradam o mesmo público. Determinadas músicas, que fizeram ou não sucesso no passado, viraram hits na boca da galera ao som dos universitários. “Tem nada a ver”, gravada por Bruno e Marrone em 1997, estourou nas vozes de Jorge e Mateus, “Como um anjo”, gravada por Zezé e Luciano em 1994, deu certo com César Menotti e Fabiano. No entanto, depois de fazer sucesso no circuito universitário, algumas duplas preferem abandonar o rótulo e desenvolver trabalhos mais abrangentes. Isso acontece porque a cabeça do público universitário “muda conforme a maré”, explica Guilherme. Do forró universitário liderado pelo Falamansa, passando pelo pagode universitário da Inimigos da HP, até chegar ao sertanejo universitário de César Menotti e Fabiano, pouco tempo passou. “O pagode universitário já está em queda e é só uma questão de tempo até que o mesmo aconteça com o sertanejo universitário. É bom pular fora do barco antes que ele afunde”, afirma o cantor.
Mesmo com a crítica, a dupla três-maiense vê pontos positivos no modismo. Para eles, a “febre” ajudou a resgatar a importância do acordeão, mas também permitiu a ascensão de duplas que, segundo eles, não possuem talento, apenas dinheiro. Além disso, por sofrer grande influência das músicas de Bruno e Marrone, a segunda voz é relegada ao menor plano possível. A segunda voz é só um cara a mais pra formar “dupla”, não precisa nem cantar. É o que pensam equivocadamente as duplas sertanejas universitárias. “Com a ascensão do estilo, criou-se a ilusão de que pra ser dupla basta cantar em uníssono e tocar violão direitinho”, avalia Eduardo. A qualidade, portanto, ficou no passado. Música é universal, claro, e qualquer um pode tocar e cantar se quiser. Mas convenhamos que, como para qualquer coisa que se faça na vida, é necessário um pouco de preparo. E de talento. O que não falta aos irmãos Chrischon. Ou melhor: à dupla Guilherme & Eduardo.
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