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Confirmação de primeiro caso na Argentina não deve afetar região
08/03/2008 - A confirmação oficial do primeiro
caso de febre amarela na Argentina, feita na segunda-feira, 3, reacende na região o debate sobre os riscos de contaminação e redobra o alerta das autoridades de saúde pública. O reforço nos cuidados da população é importante devido à proximidade do foco da doença na Argentina. O primeiro caso da doença no país vizinho foi confirmado em Peñalito, cidade próxima à Oberá, na província de Misiones. O caso confirmado é um jovem de 24 anos que permanece internado no Hospital Samic, em Oberá. Mais duas pessoas passaram por testes para ver se estavam contaminadas e, em um dos casos, a suspeita foi descartada. A outra segue em observação.
Paulo Strasser, coordenador da 14ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), com sede em Santa Rosa, acredito que a confirmação do caso argentino não apresenta riscos à população regional. “Não temos riscos, porque grande parte da população está vacinada e também porque, para entrar na Argentina, há a exigência de vacinação”, afirmou Strasser. Para Vanderli de Barros, secretária de Saúde de Três de Maio, a atuação dos agentes de saúde está sendo intensificada, independente da confirmação da doença no país vizinho. “O movimento neste período está sendo intensificado, pois o risco está sempre presente”, alertou. A secretária confirmou que deverá discutir com o estado a ampliação das campanhas de vacinação contra a febre amarela no município.
Mesmo com a indicação para que a população mantenha os cuidados para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da febre amarela urbana, o caso argentino não deve preocupar as autoridades porque, segundo o governo argentino, a doença teria sido provocada pelo mosquito Hemagogus, o que caracterizaria o tipo silvestre da enfermidade. De acordo com o ministério da Saúde da Argentina, o rapaz trabalha “internado nas selvas da província de Misiones”, próximo à zona onde apareceram mortos macacos infectados pela doença, informou a assessoria de imprensa da ministra Graciela Ocaña à agência argentina DyN. No entanto, o secretário de Saúde de Misiones, José Guccione, afirmou que o paciente com febre amarela realizava, nos dias do provável contágio, estaria realizando “tarefas de desmonte na zona de Águas Brancas, uma paragem entre as localidades de Dos de Mayo e El Alcázar. Mesmo assim, Guccione descartou a posibilidade de uma epidemia na província, e sustentou que já foram vacinadas cerca de 800 mil pessoas em Misiones.
Em fevereiro, as autoridades sanitárias argentinas declararam estado de alerta nas províncias na fronteira com o Paraguai devido à epidemia de febre amarela que afeta o país vizinho. O governo paraguaio confirmou, na terça-feira, 4, quatro novos casos de febre amarela, elevando para 20 o número de vítimas da doença naquele país.
Após os casos de morte por febre amarela no Paraguai, o medo da doença fez com que milhares de argentinos fossem aos postos de saúde se vacinar e com que centenas de paraguaios cruzassem a fronteira para conseguir a imunização que falta no país. Em Misiones e Formosa, províncias fronteiriças com o Paraguai, os governos decidiram declarar o estado de alerta e implementar um cordão de isolamento sanitário para manter a zona protegida contra o mosquito transmissor, de forma a evitar que a epidemia se propague. As autoridades argentinas recomendam que a população não viaje ao Paraguai e iniciaram ações para evitar que a doença se propague. Na Argentina não é registrada uma epidemia de febre amarela desde que em 1871 morreram mais de 13 mil pessoas por causa da doença.
No Brasil, 35 casos de febre amarela foram registrados em 2008. Desse total, 19 pessoas morreram vítimas da doença.
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