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Pneus a céu aberto aumentam risco de dengue
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| Depósito de pneus a céu aberto no lixão do município aumenta riscos de focos de mosquito. |
09/02/2008 - Horizontina - A preocupação com o surgimento
de um novo surto de dengue na região tem sido alvo de campanhas dos poderes públicos, mas há situações em que a própria municipalidade contribui para que esse risco aumente. A reportagem do Cooperjornal constatou esta semana que, em Horizontina, existem casos como esse. Centenas de pneus depositados a céu aberto no lixão da cidade acumulam água e se transformam em criadouros em potencial do mosquito Aedes aegypti, o vetor de transmissão da doença.
Enquanto a nova usina de separação e reciclagem que deverá resolver – ao menos em parte – o problema da destinação dos resíduos sólidos da área urbana do município não entra em funcionamento (a previsão é que a nova usina esteja em operação dentro de 60 dias), a administração municipal tenta diminuir os riscos com tratamentos paliativos. Mesmo assim, há opiniões controversas entre os próprios secretários.
Para Alessandro dos Santos, secretário de Obras do município, a existência do depósito de pneus a céu aberto é um problema da secretaria de Saúde, apesar de o lixão estar sob os cuidados de sua secretaria. “Isso é um problema da saúde, são eles que cuidam dos pneus. Nós apenas cedemos o espaço”, afirmou esta semana. Com a inauguração da usina, Santos acredita que a secretaria deverá retirar os pneus do local.
Para a secretaria de Saúde, o risco é mínimo, pois existe um tratamento considerado adequado para o local. A Vigilância Epidemiológica do município garantiu que faz o tratamento aplicando inseticida para matar os mosquitos adultos. Mesmo assim, Airton Rathke, chefe da equipe epidemiológica do município, admite que essa não é a forma ideal para se destinar os pneus, mas ressalta que, neste momento, não há outra alternativa.
Ele admite ainda que o tratamento realizado não atinge 100% do depósito, uma vez que os pneus estão empilhados e o produto pode não atingir a todos. Mesmo assim, ele defende a ação da secretaria de Saúde. “É melhor recolher do que deixar espalhado em diversos pontos da cidade, onde muitos postos e borracharias não teriam onde guardar os pneus em local fechado que evitassem o possível foco de larvas”, afirmou.
Até o momento, o município não divulgou se houve a identificação de focos do mosquito no local, e também não definiu uma nova destinação aos pneus antes do início das operações da usina. Para a secretaria, o controle está sendo feito. O maior problema é que o verão é a época mais propícia ao surgimento dos focos do mosquito transmissor da dengue, que também pode transmitir a febre amarela. Como o prazo para a solução do problema com a inauguração da usina pode chegar a dois meses, ou seja, após o final do verão, resta torcer para que o controle realizado pela secretaria da Saúde seja eficaz.
Novo convênio oferece solução para pneus velhos
Santa Rosa - Enquanto a população de Horizontina corre riscos com o depósito de pneus a céu aberto, Santa Rosa dá um exemplo de como resolver o problema da destinação de pneus usados definitivamente. Desde a semana anterior, a prefeitura de Santa Rosa está repassando as carcaças à Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), que os envia para a usina termelétrica de Candiota.
O convênio com a Anip é a alternativa encontrada pelo município para que os pneus velhos não se transformem em focos do mosquito transmissor da dengue. O município paga aos catadores de material reciclável R$ 0,40 por pneu recolhido e entregue na sede da Vigilância Epidemiológica local. Assim, além de evitar a proliferação do mosquito, o material está aumentando a renda dos catadores. Para David Pereira da Silva, presidente da Fundação Municipal da Saúde (Fumssar), a iniciativa é eficaz, pois 80% dos 40 focos do mosquito verificados em dezembro na cidade estavam localizados em pneus depositados a céu aberto.
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