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Risco de febre amarela reforça vacinação em 52 municípios

Secretaria de Saúde do estado definiu programa emergencial para combate.

12/01/2008 - Região - A população de 52 municípios do noroeste gaúcho deve se preparar para se vacinar contra a febre amarela. Nesta semana, a secretaria de saúde do estado anunciou uma intensificação da vacinação nos municípios gaúchos considerados área de risco para o surgimento de casos de febre amarela no estado. A imunização contra a doença vem sendo realizada sistematicamente no estado desde 2001, e a estimativa da secretaria é que cerca de 80% da população já tenham sido vacinados contra a doença. Aproximadamente 530 mil pessoas vivem nos municípios que receberão o reforço na imunização.

A região que receberá a intensificação da campanha de vacinação é considerada como área de risco porque há circulação viral da doença em macacos bugios, como o caso ocorrido em Garruchos recentemente. A medida foi definida após as suspeitas de casos de febre amarela em humanos no país, registradas principalmente em Goiás e no Distrito Federal. O problema é maior no estado porque há registros da circulação do vírus na região do Médio Uruguai. Em 2003, foram detectados macacos com o vírus, e a população foi vacinada na época.

A vacina está disponível para adultos e crianças a partir dos nove meses de idade e tem uma eficácia de dez anos. Para as pessoas que pretendem viajar para áreas de risco, o medicamento deve ser tomado pelo menos dez dias antes do deslocamento, tempo necessário para que faça efeito.

Nos últimos 27 anos, no Brasil, houve 669 casos notificados da doença, com 343 mortes.  No Rio Grande do Sul, os últimos registros em humanos ocorreram em 1966, sem óbitos. O estado é modelo no país no controle da febre amarela, inclusive tendo recebido prêmio do Ministério da Saúde, em 2003, como a melhor experiência em vigilância, prevenção e controle da doença. Equipes da Vigilância Sanitária fazem periodicamente o acompanhamento de migração dos macacos, através de chips instalados nos primatas. Técnicos da secretaria já estiveram em Goiás para transmitir a tecnologia usada no estado.

O secretário estadual de Saúde, Osmar Terra, anunciou que a secretaria estará reunindo nos próximos dias representantes do setor de turismo (agências e hotéis) e também de transportes. Viajantes devem estar em alerta, principalmente neste período de férias. A febre amarela pode ser transmitida por dois mosquitos, o Aedes haemagogus e o Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue (leia matéria nesta página). Osmar Terra alerta para a importância do envolvimento da população. “Como o mosquito Aedes aegypti também pode transmitir a febre amarela, é importante que todos continuem colaborando com a eliminação de possíveis focos do mosquito da dengue. Assim, cada um faz a sua parte no combate às duas doenças”, afirmou.

Doença pode ser transmitida por dois vetores no campo e na cidade

A febre amarela pode ser transmitida por dois vetores, os mosquitos Aedes haemagogus e o Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue. Nas regiões urbanas, a doença, que tem preocupado as populações de Goiás e do Distrito Federal, onde há suspeitas de casos que podem mesmo ter provocado mortes, é transmitida pelo Aedes aegypti, o mosquito da dengue, uma vez que o haemagogus é um inseto que mantém o ciclo do vírus apenas nas regiões silvestres do país.

Por conta dessas características, o secretário de saúde gaúcho, Osmar Terra, reforça a importância de se combater o aegypti, que pode provocar casos de febre amarela em áreas urbanas. “Toda a população deve trabalhar para reduzir os focos de Aedes aegypti, não deixando água parada. Assim, além de reduzir o risco de febre amarela, combatemos a dengue”, alerta, lembrando que os municípios gaúchos incluídos na lista de vacinação fazem parte da área de transição para a febre amarela, ou seja, área em que recentemente foram registrados casos da doença em animais.

A cadeia de transmissão da doença é extensa, mas simples. Nas florestas brasileiras, os macacos são contaminados pelo haemagogus, enquanto a transmissão do vírus para humanos é mediada pelo Aedes aegypti, podendo levar a surtos urbanos. De acordo com especialistas, as pessoas não precisam ter medo do ciclo silvestre, que é muito difícil de erradicar. O mais importante é controlar a reprodução desse ciclo em humanos.

O combate à febre amarela segue os procedimentos do combate à dengue — a única diferença é a vacina, que não existe contra a dengue. O que deve ser feito é o combate aos vetores, para diminuir a proliferação do Aedes aegypti em locais urbanos. A vacina contra a febre amarela já foi incluída no calendário vacinal do Ministério da Saúde, em todo o país. A partir dos seis meses de idade, as crianças já podem ser imunizadas.

Os municípios
Alecrim
Alpestre
Ametista do Sul
Barra do Guarita
Bossoroca
Caiçara
Campina das Missões
Cândido Godói
Crissiumal
Derrubadas
Dezesseis de Novembro
Doutor Maurício Cardoso
Esperança do Sul
Frederico Westphalen
Garruchos
Horizontina
Irai
Itacurubi
Jaguari
Jarí
Mata
Nova Candelária
Nova Esperança do Sul
Novo Machado
Palmitinho
Pinheirinho do Vale
Pirapó
Planalto
Porto Lucena
Porto Mauá
Porto Vera Cruz
Porto Xavier
Roque Gonzáles
Santiago
Santo Antônio das Missões
Santo Cristo
São Borja
São Francisco de Assis
São Luiz Gonzaga
São Nicolau
São Paulo das Missões
São Pedro do Sul
São Vicente do Sul
Tenente Portela
Tiradentes do Sul
Toropi
Três Passos
Tucunduva
Tuparendi
Vicente Dutra
Vista Alegre
Vista Gaúcha

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