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Reconstrução ainda aguarda maior empenho dos governos
24/11/2007 - Pouco mais de uma semana depois do último vendaval que atingiu a região, ainda é pequena a dedicação dos governos para socorrer os municípios atingidos. Embora o governo federal acene com a liberação de recursos que podem chegar aos R$ 5 milhões, pouco foi feito além do envio de cestas básicas e telhas. Pior ainda é adedicação do governo estadual.
Mesmo com um levantamento que aponta que os prejuízos causados no estado pelas intempéries ultrapassam os R$ 200 milhões, os poucos recursos que estão previstos para ajudar os municípios vem do governo federal. Desde o dia 20 de setembro, cinco temporais causaram estragos, obrigando 104 prefeituras a decretarem situação de emergência e buscar a ajuda do Estado. Até agora, apenas 19 pedidos foram homologados pela Defesa Civil estadual. A instituição repassou R$ 600 mil em telhas, roupas e materiais de construção aos desabrigados. Os agricultores prejudicados pelos temporais receberão 46 toneladas de alimentos do governo federal. As cestas básicas serão trazidas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) do Sergipe até o Rio Grande do Sul na segunda-feira, 26. A Defesa Civil busca junto à União recursos para reconstruir moradias atingidas. Embora os prejuízos ainda não tenham sido totalmente calculados, os pedidos de vistorias em lavouras com seguros se acumulam na Emater.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) anunciou a liberação de R$ 1,25 milhão para os municípios atingidos. Na região, 18 municípios decretaram situação de emergência devido aos sinistros.
Através de esforços muitas vezes do próprio município atingido, as dificuldades estão sendo superadas aos poucos. m Três de Maio, 2,5 mil telhas foram distribuídas, enquanto em Boa Vista do Buricá este número já cgea às cinco mil unidades. Na maioria dos municípios, as residências foram recuperadas. O maior problema está na recuperação de prédios públicos, escolas, salões comunitários e ginásios, que necessitam um volume maior de recursos.
A 17ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) está recuperando prioritariamente as escolas. Quanto aos ginásios, não há previsão.
MDA vai liberar R$ 1,25 milhão
Os 18 municípios da região atingidos pelas intempéries desde outubro e que estão em situação de emergência, devem encaminhar à Associação dos Municípios da Grande Santa Rosa (AMGSR) na segunda-feira, 26, os planos de aplicação para os R$ 1,250 milhão que serão liberados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), através de emendas parlamentares da bancada gaúcha no Congresso.
Para César Dinon, presidente da associação e prefeito de Porto Mauá, um dos municípios mais atingidos, os deputados gaúchos e o governo federal estão “demonstrando preocupação com os estragos acontecidos na região e começam a atender aos pedidos dos prefeitos”, disse, referindo-se às audiências mantidas por prefeitos da região em Brasília em outubro.
Durante a semana, os prefeitos decidiram que, como os danos das intempéries não foram uniformes, os sete municípios mais atingidos receberão R$ 100 mil, enquanto os outros 11 receberão R$ 50 mil.
Agricultura sofre com prejuízos
Em Porto Mauá, uma das culturas mais afetada foi a de fumo, com 90% das plantas perdidas. O mesmo vento que demoliu paredes de concreto e arrancou telhados também derrubou os pés de fumo. De acordo com o engenheiro agrônomo da Secretaria da Agricultura do município, Kleiton Saggin, R$ 1,6 milhão deixarão de circular em Porto Mauá em razão dos prejuízos na agricultura. Sementes de soja que estavam guardadas em galpões atingidos pelas rajadas estão inutilizadas por causa da umidade.
Em Boa Vista do Buricá, 800 produtores de leite registraram perdas com a falta de energia elétrica. Cerca de 150 mil litros do produto tiveram de ser jogados fora. A Defesa Civil mandou nesta sexta caminhão carregado com telhas, roupas e alimento.
Os quatro temporais que atingiram o Estado desde o dia 20 de outubro e a umidade também atrasam a colheita do trigo e o plantio de soja. Até essa semana, apenas 59% da área de trigo plantada no Estado havia sido colhida. No ano passado, na mesma época, o percentual era de 75%.
A situação preocupa os técnicos da Emater, pois a permanência do produto maduro na lavoura e a umidade diminuem a qualidade do grão. Já a soja está plantada em apenas 30% da área. No ano passado, 45% do total já havia sido cultivado.
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