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EM CENA OSMAR TERRA Secretário Estadual de Saúde
“A epidemia é uma realidade no estado”

18/07/2009 - Mesmo afirmando que o estado vive sob uma epidemia da Gripe A(H1N1), o secretário de Saúde estadual, o santa-rosense Osmar Terra, garante que não há motivo para pânico. Para ele, apesar do número de mortes ter saltado de duas para sete em uma semana no Rio Grande do Sul, o índice de letalidade da nova gripe não é alarmante. Com a experiência de comandar o combate à primeira epidemia de dengue autóctone no estado, em 2007, que atingiu municípios da região, Terra afirma que a situação da nova gripe está sob controle.

Cooperjornal – Com o aumento no número de casos e óbitos pela nova gripe, a população precisa ficar alerta?
Terra
– Alerta sim, mas sem pânico. O que existe é uma situação de gripe normal para o inverno gaúcho, e as pessoas ficam mais apreensivas porque os dados são monitorados on line e, da forma como ela foi anunciada quando ocorreu em outros países, gera a impressão que este tipo tem uma letalidade alta. É preciso lembrar que morre gente todo ano em virtude da gripe, tanto que, depois das campanhas de vacinação das pessoas com mais de 60 anos, observamos uma redução de 40% nos óbitos nesta faixa etária. No rigor do inverno, as defesas ficam mais baixas e os ambientes confinados facilitam a transmissão do vírus. Quem está suscetível, corre o risco das complicações, especialmente a pneumonia bacteriana. No Rio Grande do Sul, morrem em média 1,5 mil pessoas por estas complicações – somente em julho de 96, antes da vacinação contra a gripe, morreram quase 2 mil pessoas. Com a vacina, estes índices reduziram pela metade.

Cooper – A ocorrência da doença em várias cidades gaúchas carateriza uma epidemia?
Terra
– A epidemia é uma realidade no estado. No Rio Grande do Sul, temos muita doença respiratória, que chega a ser a terceira causa de morte – enquanto que nos outros estados esta colocação é ocupada por homicídios e acidentes de trânsito. Esta é a regra, independente da gripe A, e o maior temor justamente é porque as pessoas estão atentas ao registro de cada caso, esquecendo que no ano passado houve muitos óbitos pela gripe comum. Reconhecemos que a população fica intranquila com a circulação do vírus no país, com o contágio acontecendo sem que as pessoas tenham viajado para áreas de risco. O que as pessoas precisam estar cientes é que a letalidade desta nova gripe é muito baixa e não se compara a casos como a gripe espanhola. A grande maioria das pessoas está se tratando em casa, com os cuidados para uma gripe comum: repouso, boa alimentação e muito líquido. É importante evitar o contato com outras pessoas, evitando contaminações.

Cooper – A proximidade com a Argentina exige atenção especial da secretaria de Saúde com os municípios de fronteira?
Terra
– Isto sempre nos preocupa, a febre amarela e a dengue entraram pela fronteira do nosso estado com a Argentina. Mas o risco maior com relação à H1N1 está na província de Buenos Aires, e não em Misiones e Corrientes. Embora o vírus não esteja disseminado na área de fronteira, inevitavelmente, com o inverno, deverá estar, e as pessoas precisam encarar isto com naturalidade. Para se ter uma ideia, em Vila Nova do Sul – município de 4 mil habitantes próximo a Santa Maria – foram atendidos 500 pacientes em julho, sendo 276 casos de gripe. Ninguém foi internado, e uma amostragem mostrou que cerca de dois terços destas pessoas tinham a gripe A. O vírus está circulando, e estes sete casos de óbito são exceções, porque devemos ter mais de 1,5 mil casos no estado. Recomendamos que todas as pessoas com sintomas de gripe procurem um posto de saúde para consultar e busquem orientações.

Cooper – As transmissões de casos dentro do território nacional preocupam?
Terra
– Evidente que sim, mas a preocupação não deve ser maior ou menor do que com as outras gripes. Por isso, é importante a resposta do sistema para atender os casos críticos na rede de urgência e emergência. Estamos adiantando cerca de R$ 4 milhões para que os municípios reforcem a compra de antibióticos para combater as complicações da gripe. Se for necessário, também vamos aumentar os atendimentos nas Unidades de Tratamento Intensivo da rede de referência e outras ações que forem necessárias para conter a H1N1 e, especialmente, a pneumonia bacteriana.

 

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