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EM CENA ANTÔNIO WÜNSCH Cooperativista
“A crise gerou uma grande mobilização ”
27/06/2009 -Presidente da Cooperativa Central Agropecuária (Coceagro) e vice-presidente
da Cooperativa Agropecuária Alto Uruguai (Cotrimaio), Antônio Wünsch tem se destacado na busca por soluções para a crise que afeta o cooperativismo agropecuário gaúcho. Com outras lideranças do setor, ele formou um grupo incansável para defender os interesses do setor em Brasília.
Cooper – Com o anúncio do auxílio às cooperativas, o senhor acredita que a crise no setor está superada?
Antônio Wünsch – A crise ainda está instalada, e só vai desaparecer no momento em que tivermos uma boa safra acompanhada de bons preços para os produtos agrícolas. Há recursos suficientes para tocar a agricultura brasileira, porém, falta um fundo garantidor para poder fazer os produtores terem acesso ao crédito. Há muitos produtores com dívidas que não têm mais capacidade técnica para contratar com as atuais regras. Então, tem que ter flexibilização nas regras e, para isso acontecer, tem que ter um fundo garantidor. O presidente Lula mandou uma Medida Provisória para a Câmara dos Deputados criando um fundo para os micro e pequenos empresários, e nós estamos trabalhando com o governo para que os agricultores estejam nos mesmos critérios. Isso facilita aos bancos emprestar os recursos com a garantia de que o produtor, mesmo enfrentando problemas, tenha recursos para garantir para o banco.
Cooperjornal – Qual a gênese da crise que atinge as cooperativas agropecuárias?
Antônio Wünsch – Há questões antigas e outras pontuais, e ainda não podemos esquecer do agravamento provocado pela estiagem, mas podemos afirmar que a crise atual surge com a crise americana. É uma crise ampla, que atinge diversos setores da economia, e também teve consequências para algumas cooperativas que, assim como muitas empresas, mantinham em vigor, no período mais forte da crise, contratos indexados pelo dólar. Com a crise, a relação entre a moeda americana e o Real foi desequilibrada, com a desvalorização do real. Só agora esta relação está mudando. Além disso, a crise fez com que os bancos, que até então ofereciam muito crédito no mundo, deixassem o mercado no escuro, e passaram a só cobrar, para poder fazer frente aos compromissos com outras prioridades.
Cooper – Como surgiu a mobilização para solicitar apoio ao setor?
Wünsch – Neste momento de maior impacto da crise mundial, nós começamos a articular agendas com os nossos contatos no governo federal para tentar sensibilizar o governo sobre nossos problemas. Toda essa crise gerou uma grande mobilização. Fizemos um trabalho direcionado ao Ministério da Agricultura e à OCB que merece crédito, e um diálogo direto com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, em uma articulação com o deputado federal Henrique Fontana, e também com o Arno Augustin, secretário do Tesouro no Ministério da Fazenda.
Cooper – Por que as negociações complicaram?
Wünsch – O MDA elaborou uma proposta de liberação de recursos a curto prazo, mas o acesso demandava muitas garantias, e não chegaram até as cooperativas. Quem realmente precisava do aporte, não conseguiu. Continuamos brigando para que os recursos viessem através de cotas-parte do capital das cooperativas. Convencemos o MDA disso, mas o Ministério da Fazenda não queria ceder. Enquanto havia o impasse, o Fontana reuniu com o presidente Lula e com a ministra Dilma Roussef (chefe da Casa Civil), levou nossa demanda e demonstrou ao presidente os problemas que estavam ocorrendo.
Cooper – O senhor acredita que a decisão de ampliar as medidas foi tomada depois de uma intervenção presidencial?
Wünsch – Não posso afirmar isso, mas depois dessa conversa, Lula deu uma chamada no BNDES, porque o dinheiro não estava chegando na ponta. Por causa disso, os técnicos do BNDES mantiveram agendas com as cooperativas do Paraná, de Santa Catarina e com as nossas cooperativas para apresentar as linhas de crédito. Mesmo assim, a iniciativa não resolveu o problema, porque os recursos não podiam ser acessados pelas cooperativas, uma vez que esbarrávamos na questão das garantias. Então, nos reunimos novamente com o governo e dissemos que, como estava o pacote, não iríamos conseguir sair da crise. Novamente, esbarramos no Ministério da Fazenda. Gilson Bitencourt, que é o secretário de gastos do governo federal, estava irredutível.
Cooper – Como foi superado o impasse?
Wünsch – Nossa mais recente reunião permitiu uma conversa com os secretários executivos do Banco do Brasil para que o banco seja o operador dos recursos. Agora, o BNDES deve encaminhar uma normativa para os bancos que vão fazer a operação. Nós nos reunimos também com o Banco do Brasil aqui no estado, para que o banco agilize os tramites e que as cooperativas possam acessar os recursos o mais breve possível. Nosso maior avanço foi conquistar os recursos de R$ 2 bilhões, a ampliação do teto para R$ 50 milhões por cooperativa e R$ 10 mil por produtor. O que nos falta ainda são as garantias.
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