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EM CENA BENAMI BACALTCHUK Presidente da Fepagro
“Podemos fazer uma revolução ”

06/06/2009 -O engenheiro agrônomo e jornalista Benami
Bacaltchuk, diretor presidente da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), tem um grande desafio pela frente: encontrar alternativas para as sucessivas estiagens que comprometem as safras agrícolas e a pecuária do estado. Renomado pesquisador com trabalhos publicados no exterior – Bacaltchuk é mestre em Agronomia pela Universidade do Estado de Washington e PhD em Comunicação de Massa pela Universidade do Estado de Wisconsin, ambas nos Estados Unidos –, ele esteve na região para debater com os prefeitos da Associação dos Municípios da Grande Santa Rosa (AMGSR) a ampliação da atuação da fundação.

Cooperjornal – Qual será a inserção da Fepagro?
Benami Bacaltchuk
– Nossa fundação percebeu que a matriz produtiva da região está mudando. Por razões climáticas, a soja vem perdendo espaço e outros produtos vêm se destacando. Nossa preocupação é que estas alternativas vêm surgindo da mesma forma que a soja se inseriu aqui – como uma aventura embalada pela capacidade inovadora dos agricultores, sendo que as formas de funcionamento foram descobertas somente depois pela pesquisa. Agora, queremos nos antecipar com as ações e um exemplo é a produção leiteira, que surge com muita força, sendo preciso conhecer as necessidades nutricionais dos animais, fazer um equilíbrio entre os períodos de entressafras, ocupação de mão-de-obra para fixar o homem no campo. A nossa ideia é trabalhar inicialmente com o leite, mas isto não significa que não vamos encontrar formas de renda na propriedade através das frutas e da própria soja – com uma melhora de sua capacidade produtiva. A ideia é nos antecipar dando o primeiro passo com a criação de uma Clínica de Produção Leiteira para os municípios da região, conhecendo as peculiaridades do rebanho de cada um como as necessidades alimentares, genética, capacitação dos produtores e treinamentos o processamento e formas de comercialização do leite. Com isto o produtor não fica na dependência exclusiva de uma empresa, estando preparado para usar o excedente de produção e manter a sua renda.

Cooper – A pesquisa será importante para definir opções viáveis?
Bacaltchuk
– A pesquisa pode atuar de diversas maneiras, e uma delas é conhecer o que os produtores conhecem e se valer das coisas boas que trazem resultados e, assim, transferir estes conhecimentos para mais pessoas. Alguns exemplos podem servir como referência, desde que as informações sejam sistematizadas e transformadas em linguagem compreensível. Nossa intenção é usar todo este conhecimento empírico em um processo científico através de um registro e sistematização adequados para disponibilização. Desta forma, podemos fazer uma revolução sem trazer de fora um milagre que vai resolver todos os problemas regionais. As soluções estão em cada município e só precisamos achá-las e transformar numa técnica ou processo a ser adotado por mais produtores.

Cooper – Como garantir segurança aos produtores para mudar a matriz produtiva?
Bacaltchuk
– Sem dúvida, o agricultor sofre na carne os problemas do setor e tem os reflexos financeiros no bolso. Isto gera a sensação de que, se ele não mudar e achar uma solução, ninguém fará isto por ele. Na verdade, não é apenas mudar a matriz produtiva da soja – é preciso adaptá-la para a realidade do momento. O processo não é tão simples, pois o produtor se sente livre para buscar soluções próprias e às vezes não tem paciência para escolher a forma apropriada para se consolidar. Poderíamos evitar muito das perdas, somos meros extrativistas das vantagens ambientais. Deixamos que a chuva venha e não absorvemos a água, insistimos em formas conservacionistas de produção, cobertura vegetal, discutimos os problemas das Áreas de Preservação Permanentes como se fosse um crime, e pode ser uma solução. Mesmo que as APPs possam ser um problema sério, porque, em alguns casos, não será possível reconstituí-las, o conceito original dentro de uma forma de absorção de água, com pequenas florestas que permitam o aprofundamento da mesma, são importantes. Estas, no entanto, são práticas que não têm renda imediata, e os resultados levam anos para aparecer. Temos que criar processos de produção consistentes e de longa duração e construídos por todos.

Cooper – A produção de grãos teve um papel importante no desenvolvimento econômico, mas dá sinais de esgotamento, principalmente para os pequenos produtores. É preciso reavaliar o modelo?
Bacaltchuk
– É preciso ter claro que o grão não sustenta uma pequena propriedade, mas existem formas dele fazer parte dela, associado a outras alternativas. Só não podemos ter o conceito original da monocultura.

Cooper – Será necessária uma mudança no perfil do produtor rural?
Bacaltchuk
– Isto já vem acontecendo, o produtor e seus filhos estão se profissionalizando. É preciso ter comportamento diferenciado, não se pode viver de um passado glorioso e sim construir um futuro promissor através do conhecimento.


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