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CENA RUY POLIDORO PINTO Presidente da Fecoagro
“São necessários R$ 600 milhões”
21/03/2009 - O presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul
(Fecoagro), Ruy Polidoro Pinto, há anos está à frente das principais lutas e reivindicações do setor. Neste momento, em que as cooperativas sofrem com os efeitos de sucessivas estiagens, altos preços dos insumos e com as consequências da crise mundial, o setor negocia um auxílio de R$ 2 bilhões com o governo federal. Como não poderia ser diferente, Polidoro está presente nas mesas de negociações tanto em Brasília, em Porto Alegre ou, como esta semana, na Expodireto, em Não-Me-Toque, onde falou com exclusividade para o Cooperjornal.
Cooperjornal – Qual a real situação das cooperativas agrícolas do Rio Grande do Sul? Os R$ 2 bilhões anunciados para todo o país serão suficientes?
Ruy Polidoro Pinto – A situação é realmente séria. As cooperativas gaúchas precisam de quase um terço dos R$ 2 bilhões que o governo disse que vai liberar. São necessários R$ 600 milhões para saldar dívidas acumuladas nos últimos três anos, dos cooperativados com as cooperativas e destas com fornecedores de insumos. Esse cálculo leva em conta as 64 cooperativas filiadas à entidade. Ao todo, há 200 organizações do tipo no Rio Grande do Sul. Esse passivo foi se acumulando desde as últimas secas no Rio Grande do Sul (2004/2005 e 2005/2006), e a situação se agravou com a atual crise econômica, que arrochou o crédito e colocou em apuros exportadores de frangos e suínos. Os dois milhões de toneladas de trigo colhidos estão praticamente parados; o único comprador no momento é o governo. São problemas acumulados que oneram o setor.
Cooper – A governadora Yeda Crusius, anunciou na abertura da Expodireto a prorrogação da redução do ICMS do trigo nas vendas interestaduais até o final de maio. Isso ajuda as cooperativas a reduzirem os estoques?
Polidoro – O setor tinha solicitado a prorrogação da redução do ICMS do trigo in natura até no mínimo julho, como forma de ganhar mais espaço na comercialização até a entrada da safra paulista, que começa a ser colhida em agosto. A prorrogação virá tornar o mercado gaúcho mais competitivo. Antes, a indústria tinha que descontar 10% na compra e, como não podia creditar deferimento, essa diferença era abatida do preço. Com a redução do ICMS, os industriais poderão adquirir o produto a um preço igual ao do Paraná ou de qualquer outro lugar do Brasil. Com a redução, deve haver um aumento de 10% no preço do trigo ao produtor vendido aos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mas não basta isso, nós temos cobrado – e vamos apresentar ao secretário de Agricultura – uma proposta para que a medida seja ampliada para todos os estados brasileiros.
Cooper – As cooperativas deram mais um passo em busca da liberação dos recursos com a realização da reunião com o BNDES na Expodireto? O que há de concreto?
Polidoro – O mais positivo foi que eles vieram aqui para ouvir, e nós ponderamos, e as cooperativas mostraram a diferença das demandas daqui, que são consequência das condições climáticas de 2005, que acumularam perdas nas últimas safras, que são elementos diferentes das cooperativas de Santa Catarina e Paraná. Então, nós demonstramos a necessidade e a urgência da liberação desses recursos e a forma de operacionalizar. Vamos ficar muito atentos, inclusive com a ajuda do BRDE, do Banrisul e do Sicredi, vamos providenciar toda a documentação necessária para encaminhar os projetos.
Cooper – Em relação às garantias, que hoje são o grande problema pra acessar os recursos, quais as definições?
Polidoro – Se o problema das garantias bater na trave, como se viu até agora, nós vamos ter que negociar, encaminhar de novo, aí no pleito político. E nós entendemos que é por aí, nós até cobramos na reunião que não há uma prioridade do BNDES para a agricultura. Eles falaram que não, que inclusive eles vieram verificar in loco a situação por uma determinação dos ministros que, depois de uma reunião com o presidente Lula, têm acompanhado de perto a questão. O calendário agora será enviar uns dados de conjuntura que eles pediram, e os agentes financiadores, na sexta-feira (ontem), devem se reunir com o BNDES no Rio de Janeiro para ajustar algumas coisas. Acredito que deveremos ter um encaminhamento mais objetivo. Ainda temos a barreira das garantias para superar, temos que flexibilizar algumas taxas, tentar quem sabe criar um fundo garantidor, viabilizar esses recursos para poder capitalizar as cooperativas. Enfim, há um conjunto de coisas que podemos tentar articular para resolvermos esse problema e podermos entrar na safra agora bem tranquilos.
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