|
EM
CENA OTTO WALTER SCHMIEDT Consultor do SEBRAE
“A região tem grande potencial”
28/09/2008 - O agronômo Otto Walter Schmiedt é um
homem que ama as flores. Tanto isso é
verdade que ele trabalha com elas. Consultor do Sebrae de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina, Schmiedt é um especialista em floricultura, e viaja pelo país prestando assessoria a produtores. Em Três de Maio participando de atividades ligadas ao setor, ele afirmou que a floricultura deve ser encarada de forma profissional, e sugeriu a criação de um “Roteiro das Flores” na região. Para dar um tempo no clima eleitoral e comemorar a entrada da primavera, o Em Cena de hoje tem o aroma das flores.
Cooperjornal – Quais são os principais desafios da floricultura no Rio Grande do Sul?
Otto Walter Schmiedt – Tratamos de dois temas: pós-colheita de flores de corte, principalmente de flores temperadas, ou seja, o tratamento das flores após colhidas, para o público lojista e produtores rurais, e o mercado e a logística da comercialização das flores e plantas ornamentais. O primeiro conselho é consumir flores locais em função do transporte, do menor estresse que essas plantas sofrem em ralação às que vêm de outras locais, principalmente de São Paulo. Então, valorizar a produção local, apesar de os produtores locais ainda não terem uma constância de produção em função do clima de verão muito quente e inverno muito frio. Mas para esses problemas já estão sendo buscadas soluções. E o segundo ponto é cuidar na hora do transporte: não transportar com calor, acondicionar em água limpa, sempre, ou seja, cuidar para que as flores recebam sempre o melhor tratamento e evitar aí um estresse que fará ela murchar mais cedo.
Cooper – A região tem condições de se transformar num pólo de produção de flores?
Schmiedt – Bem, a região já é pólo em alguns ramos de produção. Na parte de flores de forração, flores para canteiros, a região já é auto-suficiente. Na produção de flores de corte, plantas de paisagismo, gramas, orquídeas e bromélias, ainda falta bastante para a região se transformar em pólo. Existem alguns orquidários de peso, mas ainda faltam as orquídeas tradicionais para alguns deles. Mas a região já é pólo em alguns setores. Nos outros, ainda falta ampliar a produção, conquistar a especialização do produtor e buscar uma constância maior de produção durante os meses do ano, em função dessa sazonalidade aí, principalmente nos meses de frio.
Cooper – No Brasil, as pessoas gastam, em média, US$ 9 por ano com flores, enquanto os europeus e norte-americanos consomem US$ 60 e US$ 40 por ano per capita. Que avaliação o senhor faz do mercado nacional?
Schmiedt – O mercado de flores brasileiro é crescente e altamente competitivo. Qquando a gente fala de floricultura como alternativa de renda, isso deve ser visto com cuidado. A floricultura não pode ser vista como mais uma alternativa. Ela tem que ser vista como atividade profissional, que precisa de sustentabilidade econômica, ambiental e social, isto é, ela tem que dar conta por si só, ela não pode ser vista como mais uma pequena renda dentro da propriedade. Se a gente vê-la apenas como uma simples alternativa, não há os investimentos necessários para ela se tornar uma atividade profissional, não há escala produtiva e não há investimentos em tecnologia. Então, a floricultura, assim como qualquer outra atividade, precisa ser vista como atividade empresarial.
Cooper – Existe uma área mínima para viabilizar a implantação da floricultura?
Schmiedt – Se a gente olhar a floricultura como um conjunto de ramos produtivos, nós temos mais de 22 atividades diferentes de produção. Desde a produção de flores de corte, verdes, plantas em vaso, plantas de paisagismo, árvores, arbustos, material de multiplicação e gramas, entre outros. Na produção em ambiente protegido, estufas, se recomenda, aqui para a região, no mínimo 2 a 3 mil metros quadrados para uma atividade com alguma sustentabilidade. E na produção a campo, no mínimo, entre 5 e 10 mil hectares. Em áreas menores seria possível produzir, mas não como a atividade principal de uma propriedade, ela não é auto-sustentável. A região tem um grande potencial na área de paisagismo, que é uma das atividades que mais cresce no país, ou seja, a produção de plantas, árvores e arbustos a campo mesmo. Isso em função até do histórico da região, que possui implementos, possui conhecimento de plantio a campo, de manejo, de colheita que poderiam ser muito bem aproveitados nesse tipo de produção, coisa que não está sendo ainda, ou seja, é um nicho de marco bem interessante.
Cooper – Como o senhor avalia o potencial turístico para exploração desse setor?
Schmiedt – Foi um prazer ter estado em Três de Maio. Vi que o foco da cidade é o turismo, é a questão das flores; a cidade está bonita e as ruas bem ornamentadas. O roteiro turístico Iguassu-Missiones oferece a possibilidade de Três de Maio e toda a região aproveitarem os turistas para vir até aqui e movimentarem a economia regional. Mas o turista tem que ter o que fazer, ou seja, ele tem que ter o que comprar, ele tem que ter onde dormir e onde comer. Nesse sentido, acredito que possa ser criado um roteiro das flores aqui na região.
|