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CENA ZILÁ BREITENBACH Deputada Estadual
“A CPI deveria homenagear a governadora”
28/06/2008 - A líder da bancada do PSDB na Assembléia Legislativa, a deputada nascida em
Três de Maio, Zilá Breitenbach, é uma das mais articuladas defensoras do governo nas sessões da CPI do Detran. Completando as duas entrevistas propostas com os representantes da região na CPI, o Cooperjornal ouviu a deputada sobre os encaminhamentos da CPI e as ações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal partindo do mesmo questionário base que pautou a entrevista com o deputado oposicionista Elvino Bohn Gass (PT), publicada na edição anterior. Nesta entrevista, Zilá acusa a oposição, diz que a corrupção no Detran começou há dois governos e afirma que a CPI deveria homenagear a governadora Yeda Crusius.
Cooperjornal – A senhora acredita que a CPI do Detran terá algum resultado positivo?
Zilá Breitenbach – Acredito que, se o relatório abordar as razões pelas quais foi instalada a CPI – a redução do valor da carteira de motorista, a redução do índice de reprovação, o alto valor pelos exames práticos e teóricos, a contratação pelo Detran, com dispensa de licitação, de fundações privadas para aplicação destes exames, o beneficiamento financeiro de pessoas, servidores e dirigentes estaduais responsáveis pelo Detran; a contratação e o credenciamento de empresas para execução dos serviços de remoção, depósito e guarda de veículos – a CPI já terá se justificado e apresentado um resultado positivo. Do ponto de vista policial, investigatório, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal têm mais condições investigatórias do que a CPI, então o relatório da CPI tem que responder os quesitos pelos quais foi instalada. Com certeza, o relator fará essa abordagem e, com isso, teremos o resultado positivo esperado. Inclusive a governadora já está instalando a nova metodologia de trabalho do Detran para reduzir o valor das carteiras em até 30%.
Cooper – A senhora acredita que os ex-secretários do governo de Yeda Ariosto Culau e Delson Martini devem ser indiciados?
Zilá – Não! Não devem ser indiciados porque ficou provado nos depoimentos de ambos que eles não tinham nada a ver com o Detran, com as pessoas denunciadas e indiciadas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público. O nome deles veio para dentro da CPI por mero aproveitamento político.
Cooper – A senhora confirma que Lair Ferst era figura proeminente no PSDB e que as denúncias surgiram por sua contrariedade em se ver fora do esquema?
Zilá – Lair é um filiado do partido há muitos anos, membro do diretório do partido, hoje afastado, com seu convívio partidário, mas não era uma figura proeminente no sentido de ser coordenador da campanha. Ele era um militante, foi coordenador da bancada, teve o seu destaque dentro do partido, mas era um militante e nessa condição ele atuou durante a campanha da governadora e deputados federais e estaduais. Sobre as denúncias, não se sabe se surgiram por sua contrariedade, não se sabe quem denunciou. As denúncias são várias e foram remetidas ao Ministério Público e até para o Tribunal de Contas em 2007.
Cooper – E a tal carta que a Polícia Federal teria apreendido no escritório de Lair, do que ela trata?
Zilá – Não conheço a carta. Apenas conheço aquilo que a imprensa reproduziu a partir da apreensão da Polícia Federal.
Cooper – A senhora acredita que a CPI pode acusar a governadora por um crime de responsabilidade?
Zilá – Não! Não há porque acusar a governadora por crime de responsabilidade; afinal, as atuações da governadora têm sido no sentido de estancar um contrato que permitia as subcontratações e reduzir o valor da carteira. Na verdade, a CPI deveria homenagear a governadora.
Cooper – A oposição está sendo acusada de denegrir a imagem do estado. A divulgação do caso é positiva ou há excessos?
Zilá – Toda a divulgação de caso de corrupção governamental é negativa para o estado. A oposição dentro da CPI não se preocupou em ser realista quanto ao caso do Detran, afinal, tudo indica que as subcontratações começaram no governo Olívio Dutra, em 1999, 2000, com a Fundação Carlos Chagas. É óbvio que existe por parte da oposição a tentativa de atingir o atual governo do estado e não expor a realidade. A realidade demonstra que desde que esse modelo do Detran foi implantado existe a oportunidade de realizar as subcontratações, existe a contratação de fundações e, mais grave ainda, no governo Olívio Dutra, a Fundação Carlos Chagas retinha um percentual maior de valor do que foi retido pela Fatec no governo Rigotto e do que foi pela Fundae no governo Yeda.
Cooper – A senhora crê que há uma manipulação da oposição com fins eleitorais?
Zilá – É obvio! CPI numa condição que nem essa do Detran em que havia inquérito do MP e PF prontos e entregues, a CPI nem tinha motivação para existir. Ela só existe com fim político e, nesse caso especifico, as atuações do presidente da CPI e do vice-presidente foram claramente na direção de atingir o governo do estado para ter aproveitamento eleitoral nas eleições que se aproximam.
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