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CENA ELVINO BOHN GASS Deputado Estadual
“Yeda afundou estado num mar de lama”
21/06/2008 - Representante da região na CPI do Detran, o deputado Elvino Bohn Gass (PT)
tem marcado sua atuação por uma postura objetiva e contundente durante as inquirições das testemunhas do escândalo que começa a ser considerado, segundo ele, o maior caso de corrupção da história política do estado. Esse é o estilo de Bohn Gass: simples, franco e direto. Nesta entrevista, ele faz uma síntese da CPI.
Cooperjornal – O senhor acredita que a CPI do Detran terá algum resultado positivo?
Elvino Bohn Gass – Não se trata de acreditar ou não, os resultados já estão aí para quem quiser ver. Yeda, que chegou a cogitar o fim do piso regional, voltou atrás e ofereceu um aumento que satisfez as centrais sindicais. O que isto significa? Ora, que o governo não tinha condições políticas de enfrentar mais uma briga pública já que a imagem da administração estava em frangalhos por causa do escândalo no Detran.
Cooper – Os resultados são apenas colaterais?
Bohn Gass – Não. A CPI tem a virtude de dar transparência a um roubo que foi praticado por uma quadrilha que estava dentro do governo, que incluía figurões da política gaúcha e que, até o estouro da Operação Rodin, eram tidos como homens de bem.
Cooper – A quem o senhor se refere?
Bohn Gass – A homens, por exemplo, como Flávio Vaz Netto, que esteve no primeiro escalão de vários governos; a Antônio Dorneu Maciel, ex-diretor-geral e todo poderoso da Assembléia Legislativa que foi nomeado por Yeda para cuidar do dinheiro da CEEE; a Carlos Ubiratan dos Santos, cargo de confiança do governo Rigotto para a presidência do Detran; a Paulo Jorge Sarkis, ex-reitor da Universidade de Santa Maria e que, até então, desfrutava de grande prestígio intelectual e político.
Cooper – E os secretários Culau e Martini?
Bohn Gass – O Culau foi tomar chope com o Lair Ferst, que é um dos núcleos da fraude, justamente no dia em que o governo rompeu o contrato com a Fundae, uma das fundações utilizadas para escoar a propina do Detran. Caiu porque levou o escândalo para dentro do Piratini. Quanto ao Martini, bem, ele é citado várias vezes nas escutas telefônicas da Polícia Federal como o homem que dava orientações de procedimento aos quadrilheiros. Pessoalmente, estou convencido de que Martini sabia e atuou na fraude. O que não posso afirmar é que tenha se beneficiado diretamente, mas que na CPI ele deu um depoimento inverossímil, isso ficou evidente. É nítido que ele se protegeu e está protegendo alguém.
Cooper – Quem?
Bohn Gass – Ela, aquela que se julga e age como se fosse rainha.
Cooper – O senhor mencionou Lair Ferst, apontado como um dos coordenadores da campanha de Yeda, inclusive na função de arrecadador de fundos. Ele teria sido excluído do “esquema Detran” justamente pela proximidade com Yeda. É isso mesmo?
Bohn Gass – É por aí. Lair é um tucano de alta plumagem, sim. Na CPI, ficou evidente que ele é o verdadeiro dono de pelo menos duas empresas que foram contratadas pelo esquema apenas para escoar a propina, a New Mark e a Rio del Sur, que estão em nome de familiares seus. Estes familiares estiveram na CPI e nem os governistas acreditaram neles. São laranjas de Lair.
Cooper – E a tal carta que a Polícia Federal teria apreendido no escritório de Lair, do que ela trata?
Bohn Gass – Na carta, Lair conta quase tudo, menos a participação dele próprio naquilo que o Ministério Público Federal chamou de superestrutura criminosa. A carta é, na verdade, uma queixa que Lair faz à governadora sobre sua exclusão do esquema. É mais uma prova de que a relação com Lair é muito mais próxima do que Yeda quer admitir, que a governadora sabia de tudo. Há, no mínimo, um crime de improbidade administrativa e a governadora prevaricou.
Cooper – A CPI pode acusar a governadora por um crime de responsabilidade?
Bohn Gass – Infelizmente, sim. Esta constatação não me deixa nem um pouco feliz. Mas não há como fugir da responsabilização da governadora. Além da carta, que foi entregue ao Marcelo Cavalcante, ex-chefe de gabinete de Yeda ao tempo em que ela era deputada e que, por isso mesmo, não esconderia uma informação bombástica da governadora, ela soube da fraude por, pelo menos, três pessoas que ocupavam cargos de confiança em seu governo: o ex-presidente do Detran, Flávio Vaz Netto; o ex-secretário de Segurança Ênio Bacci e o próprio Delson Martini, que aparece nas interceptações telefônicas como o homem que falava por ela com os quadrilheiros. Ela soube e não tomou qualquer providência. Incorreu sim, em crime de improbidade.
Cooper – A oposição está sendo acusada de denegrir a imagem do estado. A divulgação do caso é positiva?
Bohn Gass – A verdade, as vezes, dói. É positivo que a roubalheira tenha vindo à tona, mas é muito triste constatar que a notícia que estamos gerando para o Brasil é de um Estado atolado num mar de lama, de corrupção. Este é o legado do governo tucano para o Rio Grande.
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