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EM CENA RICARDO MARQUES Consultor Militar
“Queremos produzir em cinco meses”

31/05/2008 - O consultor militar Ricardo Marques, de Porto Alegre, talvez seja o homem que, neste momento, mais conheça a intenção dos empresários russos ligados à montadora GAZ e à Rosoboronexport – estatal que negocia a exportação de tecnologia militar russa – sobre as negociações para a instalação de uma unidade em Santa Rosa. Ligado à Tamasul, empresa de consultoria militar que representa os interesses da estatal russa no Brasil e na América Latina, Marques acompanhou a visita dos russos à região. Em Santa Rosa no sábado, 24, acompanhando a comitiva russa que veio conhecer indústrias do setor metalmecânico do município e as áreas oferecidas para a instalação da empresa, ele revelou em rápida entrevista concedida no pátio da AGCO, em Santa Rosa, que a empresa deverá estar produzindo o blindado GAZ Tiger em cinco meses.

Cooperjornal – Os russos já afirmaram em Porto Alegre que Santa Rosa irá abrigar a nova montadora de blindados com tecnologia russa. O que falta para que a implementação possa ser anunciada oficialmente?
Ricardo Marques
– Só falta acertar alguns detalhes, que devem ser encaminhados em Porto Alegre em uma próxima visita de uma comissão de dirigentes russos da empresa. Já existe um cronograma definido, e estamos trabalhando com essa base, que prevê nos próximos cinco meses o início das atividades da unidade em Santa Rosa.

Cooper – O Sr. quer dizer do início da construção da unidade...
Marques
– Não. Estamos dizendo que nossa intenção é, em cinco meses, começar a produção dos veículos em Santa Rosa.

Cooper – Então a instalação da empresa está totalmente assegurada?
Marques
– Digamos que 99,9% está. Faltam apenas alguns detalhes que separam a oficialização do negócio.

Cooper – Durante as negociações, a empresa russa revelou que a aquisição de veículos pelo estado seria uma exigência para a instalação. Ficou acertada com o governo do estado a compra dos 32 blindados que chegaram a ser estimados?
Marques
– Não é basicamente uma compra, é uma aquisição e uma parceria, porque no contrato está prevista a transferência de tecnologia militar para a nova empresa, o que, para nós, que representamos a estatalque exporta tecnologia militar russa, é a primeira vez que acontece no continente. Veja bem, no projeto para a instalação de uma unidade em Santa Rosa, está prevista a total transferência total de tecnologia. Normalmente, as negociações envolvem uma transferência pequena de tecnologia, ou então ela simplesmente não existiu. Nós estamos mudando, e comprando tecnologia militar de ponta para o estado.

Cooper – Inicialmente, a intenção da empresa é produzir 300 unidades ao ano do blindado Tiger. O projeto prevê, além da produção do Tiger, a fabricação dos modelos SUV e até de helicópteros, que a empresa também negocia no país?
Marques
– Existe a possibilidade aqui em Santa Rosa de aumentar a família do Tiger, que inclui outros veículos. Somente com o Tigre, temos três versões diferentes: nível um, dois e três. Existe ainda uma versão diferenciada para uso civil, que está numa classe acima dos SUV e é maior que um Hummer.

Cooperjornal – Quais os fatores decisivos para a opção dos russos por Santa Rosa?
Marques
– Primeiro, falou muito alto a qualidade da mão-de-obra na região, destacadamente no setor metalmecânico. O nível cultural da população, a baixa rotatividade da mão-de-obra nas indústrias, a seriedade e a competência dos empresários da região e um forte trabalho do governo do estado também contaram. Foram muitos os fatores que contribuíram e, certamente, o fato de que há na região uma forte comunidade de descendentes de russos também ajudou.

Cooperjornal – Como o negócio será feito?
Marques
– Depois da oficialização do empreendimento, será montada uma joint-venture com capital russo e capital brasileiro para a transferência de tecnologia militar. Como, por força de lei, estrangeiros não podem ter mais que 50% de uma empresa como essa, o capital brasileiro deverá ser maior. Há um grupo de empresários, que inclusive foram à Rússia visitar uma unidade da empresa, que já aprovou os investimentos. Vamos produzir inicialmente jipes com capacidade de transporte de até 13 pessoas.


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