|
EM
CENA Patrícia Santos Palestrante
“Inovação não é luxo, é uma necessidade”
17/05/2008 - Mestre em Engenharia de Produção e
Qualidade, pós-graduada em Administração de Empresas e graduada em Marketing. Com esse currículo, a consultora de empresas e docente em cursos de graduação e pós-graduação Patrícia Santos esteve em Santa Rosa palestrando no Ciclo de Debates Sobre Administração, organizado pelo Conselho Regional de Administração (CRA) e por faculdades de administração da região. Há mais de 15 anos, Patrícia ministra palestras e seminários nas áreas de comunicação, trabalho em equipe, marketing, empreendedorismo, vendas e negociação, atendimento ao cliente, relacionamento interpessoal, autoconhecimento e gestão de pessoas. Conferencista do Congresso Mundial de Administração. O conteúdo de seus trabalhos, além de extremamente motivacional e bem-humorado, tem foco no desenvolvimento pessoal e profissional.
Cooper – Como pode ser definida criatividade e inovação no contexto das organizações?
Patrícia Santos – Inovação não é mais um luxo, é uma necessidade. A empresa que não estiver constantemente buscando inovações, e ela mesma inovar, certamente estará fadada ao fracasso. Uma coisa que acontece é que as pessoas acabam achando que inovação é sinônimo de criatividade e mudança, quando na verdade é muito mais do que isso. Por isso que a gente fala do valor da inovação. A criatividade é uma idéia que vem do indivíduo, acontece na pessoa. Já a inovação é algo que vem da organização, acontece na empresa. Obviamente que para ter inovação é necessário que haja criatividade, uma invenção, uma criação. Mas ela só vai se tornar uma inovação se ela for prática, se ela for útil, se ela gerar valor para a empresa.
Cooper – As empresas estão inseridas hoje num ambiente que exige um alto grau de controle e de processo, principalmente no que se refere as grandes corporações.
Como se estimular a criatividade e a inovação nesses ambientes?
Patrícia – Geralmente, quando se fala em rotina, se fala em não olhar para o lado criativo, porque a pessoa está tão focada no que ela tem que fazer que não consegue entender porque ela está fazendo daquele jeito. E aí a gente fala que para que haja inovação também na área de processos, na área fabril, teria que ter as pessoas pensando no negócio. Porque eu estou fazendo? Quais os problemas que eu tenho? Como eu posso resolver esses problemas de uma maneira que ainda não foi feita? Assim, a gente sabe que tanto para processo, como para produtos ou novos serviços, acontece a inovação. Quando se fala em processo, é sempre para aumentar a produtividade e diminuir custo, quando se fala em inovação de produtos, é sempre para ganhar mais mercado, ser mais competitivo ou para ter uma fatia do mercado que ainda não se tem.
Cooper – Quais outros aspectos podem ser levados em conta para a inovação?
Patrícia Santos – Deve-se observar o contexto em que você vai conduzir a inovação, identificando qual é a situação. A inovação para uma época não é a mesma e nem dá o mesmo resultado numa outra época. O que serve para uma empresa não necessariamente vai servir para uma outra. Então, é fundamental estar muito atento ao que está acontecendo, ficar de antenas ligadas para se ter noção de tudo o que acontece. Tem que estar adaptado, isso é uma nova competência que se chama auto-monitorização, que é a capacidade de estar sempre verificando se você está ou não respondendo ao que aquele momento exige. A partir disso, estar sempre disposto a mudar, a inovar. Pessoas que têm essa flexibilidade geralmente são pessoas mais inovadoras.
Cooper – Qual o papel do gestor, do administrador, no estímulo à inovação e à criatividade?
Patrícia Santos – É o gestor que engessa a empresa. Cerca de 83% do clima organizacional de um empresa é feito pelo gestor e pelo líder. Se ele for uma pessoa que só quer regras, só quer normas, não dizendo para que serve cada uma das medidas utilizadas, sempre na cobrança, sem controle, ou deixando as pessoas muito soltas, com certeza ele não vai ter uma empresa inovadora. Então, ele é peça fundamental para o processo de inovação na organização.
Cooper – Essa qualificação dos gestores passa pelos cursos de administração?
Patrícia Santos – Tem que ter conhecimento técnico da gestão. O sentido da vida não vem pela morte, mas sim pelo conhecimento. Quanto mais você conhece, quanto mais compreende, mais capacidade de fazer as coisas você vai adquirir. E isso traz o sentido da vida, que faz com que as pessoas inventem, usem da criatividade voltada à inovação, sem ficar solto, de qualquer jeito, mas sim voltado a uma ação prática, porque ali está o sentido daquilo que eu faço.
Cooper – Os executivos brasileiros que possuem esse conhecimento técnico têm avançado?
Patrícia Santos – Eles têm se comportado muito bem. Muitas multinacionais têm executivos brasileiros trabalhando no exterior justamente por esta capacidade de inventar, de inovar. O brasileiro é um povo que sabe trabalhar no improviso. O poder está saindo da mão das pessoas que conhecem os fatos e está indo para a mão daqueles que sabem lidar com os fatos, que sabem como buscar uma solução para aquele momento sem comprometer o passo seguinte.
|