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EM CENA MILTON RACHO Presidente da 17ª Fenasoja
“Esta será a feira da integração”

2604/2008 - O agrônomo Milton Racho, presidente da 17ª edição da Fenasoja, é um homem comprometido com a maior multifeira da região, que começa hoje em Santa Rosa. Presidente da xcomissão de Pecuária e vice-presidente da feira em edições anteriores, ele assume a presidência com a missão de consolidar o amadurecimento da feira como a maior multufeira do estado.

Cooper – O Sr. se sente frustrado com a ausência do presidente Lula?
Milton Racho
– A expectativa era grande, é uma pena. Havíamos construído uma expectativa em 2005 e, devido aos problemas de teto, ele acabou não vindo. Vamos ver em uma próxima oportunidade. Tínhamos como certo, pelo momento econômico, pela importância da soja. Mas isso não vai tirar o brilho do evento. Teremos a presença de outras autoridades. Está confirmada a presença do governador de Misiones. A princípio, a governadora Yeda participará. Nós articulamos com todas as forças políticas, o deputado Terra interveio, o Classmann, o Lorentz... A Zilá ligou da Alemanha para a governadora pedindo a presença dela. O prefeito Vicini ligou para o secretário Bernardi. Foi articulada uma grande força política para a vinda da governadora.

Cooper – Qual sua expectativa para a edição que inicia hoje?
Racho
– A Fenasoja ocorre num momento importante. Vamos ter no sábado (hoje), logo após a abertura, a inauguração da usina de biodiesel da Biotechnos. À tarde, teremos a inauguração do Memorial da Soja, na linha 15 de Novembro, onde foram plantadas as primeiras sojas. Além disso, teremos diversos eventos e atividades, como a palestra do (deputado federal) Henrique Fontana que deve receber um grande público, porque vai falar sobre o momento econômico e reforma tributária. Fontana tem uma boa relação com a região e inclusive destinou muitos recursos para a Fenasoja. Estamos oferecendo uma programação bastante rica, bem diversificada, contemplando a agricultura familiar, a agricultura empresarial, a pecuária, em que já batemos o recorde de 250 animais inscritos na Fenasoja, a segunda maior feira de gado leiteiro do estado.

Cooper – O foco no leite será mantido?
Racho
– Além desse recorde, temos o prêmio pago aos vencedores do concurso que é o maior do Rio Grande do Sul. Já foi assim na última edição e será assim agora, com o diferencial que aumentaram os expositores, o que vai tornar o prêmio bem disputado. Essa edição não terá só mostra e concurso, nós teremos comercialização de animais.

Cooper – A feira novamente enfrenta um período de estiagem. A viabilidade do plantio de soja na região está em xeque?
Racho
– Em cinco anos, esta é a terceira frustração que temos com os resultados da safra. Este é um momento frustrante, mas temos que tirar das crises as soluções. Porque as frustrações de safra não são novidade, temos é que buscar soluções. A soja não deve parar mais, ela vai continuar na região porque tem plantadores que têm como renda principal. O que eu não concordo, do ponto de vista técnico, é que o pequeno produtor, com 10, 15 hectares de terra, queira sobreviver plantando soja. Não que não motivemos a plantar: o que afirmo é que, para o pequeno agricultor, não é negócio.

Cooper – A feira deve discutir alternativas para a soja, como a produção de biocombustíveis?
Racho
– Sim. A Bioenergia será um dos temas principais da edição. Além da inauguração da usina, dentro da Exporural vai ser focada a questão do biodiesel, o girassol, e a canola, o etanol que vem do nabo e da madiocaAlém disso, teremos debates, seminários e palestras. Há ainda uma experiência da Alemanha que traz várias coisas novas.

Cooper – Essa edição terá maior participação dos países vizinhos?
Racho
– Temos trabalhado com os países vizinhos. A Argentina, depois que passou a crise, parece que se acordou para a importância dessa articulação. Nossas relações são boas. Isso nos fortalece politicamente, e pode ajudar até a conquistar a ponte internacional. Vamos medir isso na feira, vamos nos articular com empresários e fazer a nossa parte para garantir. Neste ano, todo o estrangeiro não terá custo no ingresso nem no estacionamento. Foi uma forma que encontramos de motivar a vinda desse público. Esta será a feira da integração.

Cooper – Quais as projeções em números?
Racho
– Esperamos receber em torno de 220 mil pessoas, dez mil a mais que a edição anterior. Quanto aos negócios, em 2004 nós tivemos uma boa festa, realizamos R$ 37 milhões, em 2006 tivemos uma movimentação de R$ 21 milhões que, devido à questão da estiagem, foi um bom número. Esse ano, com a conjuntura econômica e a indústria e comércio aquecidos, eu estimo a movimentação em torno de R$ 40 milhões.

Cooper – Qual o ponto mais positivo em presidir a Fenasoja?
Racho
– Administrar pessoas. Como o trabalho é voluntário, você tem um conjunto de pessoas de diferentes setores que trabalham e tem suas formas, seus jeitos, suas características. Tentamos buscar pessoas que tivessem o perfil de cada comissão.

 

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