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CENA DANILO REINHEIMER DOS SANTOS Doutor em Solos
“O aluno está entrando na UFSM”
23/03/2008 - O professor da Universidade Federal
de Santa Maria (UFSM) Danilo
Reinheimer dos Santos, doutor em solos, é um dos educadores que terá a missão de implantar os cursos do programa Universidade Aberta do Brasil (UAB) em Três de Maio. Ele será um dos professores que lecionarão a distância no curso voltado à agricultura familiar, um dos dois primeiros cursos abertos no pólo três-maiense.
Cooper – Como o Sr. avalia a criação do pólo universitário em Três de Maio?
Danilo dos Santos – Para nós, da UFSM, a criação deste pólo é uma forma de democratizar a educação superior. Nós vamos estar presentes aqui para garantir que a qualidade do curso seja a mesma que seria em uma forma presencial. O ensino a distancia, para o governo federal, não é uma política isolada. A ampliação do acesso ao ensino superior com a criação do programa Universidade Aberta, a criação dos dois pólos da UFSM em Palmeira das Missões e em Frederico Wesphalen, a criação da Unipampa e agora da Universidade da Fronteira Sul são uma política clara de expansão do ensino superior. Com a criação deste pólo, com dois cursos, para iniciar, e com o vestibular marcado para mais um curso, com certeza nós estamos caminhando para o acesso universal ao ensino superior gratuito. A qualidade dos professores, uma vez que não há, com certeza, na região uma universidade que tenha no seu quadro docente doutores e professores com pós-doutorado, é um diferencial positivo e uma garantia de qualidade. Então, queremos deixar nossos estudantes tranqüilos de que, mesmo sendo uma modalidade a distância, a qualidade da formação que eles vão receber é a qualidade da UFSM, com toda a sua estrutura e sua história na formação superior.
Cooper – Já é possível prever uma ampliação do pólo?
Santos – Claro que sim, nós estamos abertos para isso. Basta que haja interesse da região, contrapartida de infra-estrutura, debate com a comunidade e recursos do governo federal. Porque, às vezes, não é por falta de vontade política do governo que as coisas não acontecem, às vezes é por falta de recursos mesmo. Por exemplo, o orçamento da União foi votado apenas na semana passada, e isso acabou atrasando o início dos cursos nos pólos do Universidade Aberta. Existem deputados que não têm responsabilidade com as pessoas, pensam apenas em desgastar o governo e não se comprometem com o desenvolvimento do país. Essa política precisa ser vencida, pelo bem do país. Há menos de dez anos, estávamos prestes a fechar as portas do ensino superior no país, e agora estamos numa expansão.
Cooper – O cronograma do UAB é o mesmo das aulas presenciais na universidade. Isso é importante?
Santos – Sim. As aulas começam junto com a UFSM, e esta é uma forma de demonstrar que, mesmo sendo em Três de Maio, o aluno quando entrar neste prédio está entrando na UFSM, com toda a qualidade que isso representa. E a UFSM estará sempre aberta, para que a gente possa construir um campus do programa Universidade Aberta de qualidade. No futuro, as pessoas vão reconhecer que foi uma boa idéia da comunidade fazer esta parceria.
Cooper – O atraso no início das atividades compromete?
Santos – Não acredito nisso. O atraso no início das aulas aconteceu por um conjunto de fatores. Como a proposta é nova, nós precisávamos de um tempo para nos apropriar da metodologia, fizemos a formação dos tutores, que vão estar disponíveis para esclarecer as dúvidas dos alunos, construímos todo um ambiente virtual, para acompanhar as aulas. Por exemplo, cada aluno terá um acesso direto com seu professor, através da internet, para esclarecer as dúvidas, e um dos maiores motivos deste atraso foi sem dúvida nenhuma o que já disse antes, a não votação do orçamento de 2008 pela câmara federal, o que inviabilizou o início das aulas na data prevista. Mas agora está tudo acertado e temos o pólo em funcionamento.
Cooper – O Sr. Afirmou que a formação dos professores é uma garantia de qualidade para o curso. Por quê?
Santos – Eu quero usar aqui como exemplo o curso de Agricultura Familiar. Dos 23 professores, todos são doutores e, destes, 16 são pós-doutores, quase todos no exterior, e mais da metade deles são pesquisadores do CNPQ. Pra se ter uma idéia, é um corpo docente qualificado que nenhuma universidade da região possui.
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