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EM CENA AIRTON BERTOL Presidente da Fundação Pró-Ponte
“Chegou a hora da nossa verdade”

15/03/2008 - O presidente da Fundação Pró-Ponte Internacional Porto Mauá-Alba Posse, Airton Bertol da Silva, é um homem otimista, mas mantém os dois pés no chão quando o assunto é o local em que será construída a nova ponte no estado ligando o Brasil à Argentina. Embora os estudos técnicos devam ser iniciados entre agosto e setembro, ele revelou em Três de Maio que acredita no potencial da região para ser a escolhida. Nesta entrevista, concedida após um encontro com empresários, Bertol afirma que a ponte poderá ser “uma das raras notícias boas para a região”.

Cooperjornal – O acordo assinado entre os governos do Brasil e da Argentina para a construção da ponte é a certeza de que agora a obra deve mesmo sair do papel?
Airton Bertol da Silva
– O trabalho que a fundação vinha coordenando nos últimos 12 anos junto aos governos estadual e federal e com o governo argentino evoluiu. Agora, nós temos um cronograma de trabalho pré-estabelecido. No último encontro do presidente Lula com a presidente Kirchner, foi assinado um acordo que trata da construção da ponte. Inicialmente, será feito um estudo para a definição do local entre Porto Mauá, Porto Xavier e Itaqui que deve começar no final de agosto ou início de setembro. Para isso, a região precisa estar mobilizada para mostrar o potencial que temos e como será importante para nós a construção dessa obra. Em junho de 2009, deverá ser apresentado o local para a construção dessa obra, e depois segue o cronograma que prevê o início das obras para o começo de 2010.

Cooper – Como a região pode se beneficiar com esta obra que é importante para a consolidação do Mercosul?
Bertol
– Para que a ponte venha para a região, nós precisamos estar mobilizados. A fundação está fazendo esse trabalho de mobilizar a região, envolvendo as entidades, as empresas, o poder público... todos devem estar envolvidos, porque chegou a hora da nossa verdade. Nós estamos, nos últimos dez anos, perdendo população, o que diminui a arrecadação, os repasses de FPM, reduz a geração de ICMS, a região vai empobrecendo. Aliado a isso, temos problemas climáticos, como as secas, e descobrimos no ano passado que estamos no corredor dos ventos. Temos muitos desafios. Acredito que a construção da ponte seja uma das raras notícias boas para região, mas, para ela se tornar realidade, precisamos nos mobilizar e mostrar que a região precisa desta obra e conquistar que esta obra seja implantada em Porto Mauá-Alba Posse.

Cooper – O que será levado em conta no estudo para definir o local da construção?
Bertol
– Serão considerados todos os pontos que a região possui e que estão relacionados a uma obra desta magnitude. Aí entra a questão rodoviária, de transporte de todos os meios, comércio exterior, as potencialidades comerciais, as características comerciais de cada um dos lados da ponte. Outro fator é o que isso vai impactar para a região, o que isso vai representar, se vai atrair novas empresas e qual a potencialidade para esse crescimento. Aí entram as universidades e as escolas na qualificação profissional, porque vamos gerar mais emprego e, para isso, vamos precisar de pessoas com qualificação para atender as necessidades que serão geradas. É preciso chamar a região para a discussão do tema entre as entidades, as universidades, os empresários, os governos municipais, as associações e todos de modo geral.

Cooper – Como transformar a ponte em um estímulo para o desenvolvimento da região?
Bertol
– Esse desenvolvimento precisa ser feito de forma regionalizada e sustentável, passando por todos os municípios, desde os mais pequenos até os maiores e mais desenvolvidos da região. Para que cada pequeno município possa participar desse desenvolvimento, seja no investimento à produção primária da agroindústria ou de outros setores que possam gerar emprego e renda para todos. Essa é uma cadeia que se completa quando nosso produtor conseguir vender também aqui o seu produto, porque teremos mais empregos e mais renda. Muito do que é produzido aqui não precisará ser enviado a outros centros consumidores porque poderá ser consumido aqui mesmo, porque as pessoas terão mais renda e vão consumir mais. Com isso, muitas empresas que produzem aqui vão poder vender aqui o seu produto e vão movimentar a economia.

Cooper – Quais são as chances da região conquistar a ponte?
Bertol
– Pelos estudos que temos feito, podemos afirmar que o maior impacto positivo da instalação da ponte seria sentido justamente em Porto Mauá e Alba Posse. Nós estamos hoje numa região que, mesmo que tenha perdido 38 mil habitantes em dez anos, é a mais densamente povoada no curso da fronteira. Com essa obra, abre caminho para recuperarmos essa população que temos perdido nos últimos anos. Nós precisamos crescer de forma coletiva, onde todos possam ganhar com esse empreendimento.

 

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