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CENA NILSON WEIS Presidente da Coopercultura
“Ampliar será um desafio constante”
01/03/2008 - O atual secretário de Educação de Três
de Maio, Nilson Weis, é o novo presidente da Cooperativa Mista de Consumo e Produção Cultural (Coopercultura) desde a terça-feira, 26. Ele terá pela frente o desafio de ampliar a atuação da cooperativa e tornar suas atividades mais presentes no dia-a-dia da região.
Cooper – Em 12 anos, o Sr. será o terceiro presidente eleito para comandar a Coopercultura. Esse fato aumenta sua responsabilidade?
Nilson Weis – Os fundadores da Coopercultura sabem o quanto foi difícil implantar esta idéia inovadora de uma cooperativa de consumo e produção de cultura. E, certamente, os primeiros presidentes, com os demais conselheiros administrativos, tiveram o grande desafio de dar vida e consolidar a idéia. Hoje, sinto o dever de preservar o bom conceito conquistado e o desafio de ampliar relações institucionais e comerciais e de oferecer mais produtos, que vão além da produção jornalística, publicitária e editorial, na prestação de serviços de consultoria, assessoria e desenvolvimento de recursos humanos, elaboração de estudos, pesquisas e projetos, o planejamento, a organização e a realização de eventos.
Cooper – Estimular a produção cultural não é um desafio fácil. Afinal, em uma região que apresenta carências importantes em diversas áreas, investir em cultura acaba sendo relegado a segundo plano. Como superar essa limitação?
Weis – A limitação está mais na nossa cabeça do que nas condições financeiras para produzir cultura. Quem trabalha nesta área sabe que é preciso persistir muito, e esta é a única receita. Ninguém pode dizer que gosta de algo que não conhece ou não criou a consciência e o hábito sobre determinado assunto. Quem não assistiu teatro, não sabe se é bom. O que temos que fazer é desafiar a nossa capacidade de planejar coisas legais, convencer pessoas, empresas e o poder público a investir nisso para possibilitarmos à população o acesso e o conhecimento. Isso é uma corrente positiva que, gradativamente, vai se ampliando até o momento em que produzir cultura passe a ser uma exigência da maioria das pessoas. E a Coopercultura tem um papel importante nisso.
Cooper – Ampliar a atuação da Coopercultura é um de seus objetivos. Como atingí-lo?
Weis – Não estou sozinho. Temos grandes lideranças com espírito cooperativista e empreendedores que fazem parte do novo Conselho Administrativo e que estão com muita vontade de fazer a nossa cooperativa bem maior do que ela já é. Temos, há 12 anos, o Cooperjornal, que circula em toda região com grande aceitação e credibilidade. Acreditamos que é viável ampliar ainda mais sua presença regional. Nosso estatuto prevê muito mais do que a produção de um jornal. Já produzimos revistas, livros, informativos especiais e eventos culturais. Mas queremos mais, e acreditamos que é possível desenvolver muitos projetos na área artístico-cultural, através de incentivos públicos e privados. Ampliar será um desafio constante que alcançaremos com a boa qualidade de nossos produtos, novas parcerias comerciais, novos associados e novos assinantes.
Cooper – Pioneira no estado, a cooperativa é uma das poucas ligadas à cultura que se mantém em atividade há mais de uma década. Como agregar valor a essa experiência?
Weis – A concepção da idéia da Coopercultura e os anos de existência dela aqui na região e, especialmente, em Três de Maio, tem uma explicação: convivemos com pessoas que têm ligação direta ou indireta com outras cooperativas há quase meio século. É claro que uma cooperativa na área de produção e consumo de cultura é uma inovação, e uma idéia que devemos fortificar.
Cooper – O Sr. considera possível ter acesso a verbas governamentais ?
Weis – Certamente. A Coopercultura encaminhará projetos buscando contemplar a região com eventos culturais. Vamos encaminhar projetos ao Ministério da Cultura e outros órgãos federais que freqüentemente têm lançado editais para seleção e liberação de recursos. Isso não nos dá garantia de ter nossos projetos aprovados, mas quem não arrisca não pode reclamar da falta de recursos, porque ninguém bate à nossa porta oferecendo dinheiro. Temos que acreditar e persistir.
Cooper – O Sr. deve deixar a secretaria de Educação três-maiense para assumir a direção da cooperativa. O Sr. acredita que cumpriu seus objetivos no governo?
Weis – Foi uma decisão discutida com associados da Coopercultura e consentida pelo prefeito Copatti, a quem devo muita consideração e agradecimento pela oportunidade que tive, podendo trabalhar em programas e projetos importantes para Três de Maio. Terei ainda um tempo de transição importante para dar seqüência ao trabalho que a secretaria está desenvolvendo. Nestes dois anos, a equipe conseguiu implantar o sistema municipal de ensino, investiu na qualificação permanente de professores e funcionários, na concepção de que “todos podem aprender” e “só ensina quem aprende”, fez concurso e nomeou professores e funcionários, discutiu e concluiu novo plano de carreira do magistério, ampliou a Escola Germano Dockhorn, sede do Universidade Aberta, conseguiu recursos para adequação de sete escolas à acessibilidade, encaminhou e aguarda aprovação de nova escola de educação infantil no bairro Guaíra, adquiriu um ônibus e está coordenando novo plano decenal de educação. Sairei feliz, com a consciência do dever cumprido e com muita energia para o novo desafio.
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