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EM CENA EDIO SMANIOTTO Presidente do STR de Horizontina
“É preciso organizar e planejar a propriedade”

16/02/2008 - Edio Smaniotto é agricultor de Doutor Mauricio Cardoso e terá o desafio de conduzir o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Horizontina e Doutor Maurício Cardoso pelos próximos três anos. Sindicalista há duas décadas, Smaniotto participou de algumas das maiores conquistas dos trabalhadores rurais no final dos anos 80 e no início da década de 90. Preocupado com o futuro da agricultura de subsistência na região, ele defende que o sindicato, além de trabalhar para garantir e ampliar os direitos dos trabalhadores, atue no suporte à gestão da propriedade. Iniciativas que visem a diversificação de culturas são algumas das ações que Smaniotto defende para o setor, nesta entrevista.

Cooper – Como o senhor se sente ao conduzir o sindicato e o que vai pautar o seu trabalho?
Smaniotto
– Me sinto preparado para este desafio porque conheço a causa. Sempre militei como sindicalista e, por sete anos, fui vice-presidente, quando adquiri muita experiência para essa função. Me sinto preparado também pela qualidade do quadro de associados, que sempre colabora e atende aos chamados. São cerca de 2,5 mil associados nos dois municípios. Em termos de condução do trabalho, não haverá mudanças profundas, mas, como agora o presidente sou eu, naturalmente há coisas que vou conduzir de forma diferente que meu antecessor. O rumo do trabalho é o mesmo, sempre preocupado em colaborar, em defender aquilo que é de interesse dos trabalhadores rurais. Temos um grupo de 25 pessoas que compõe a diretoria, que está disposto e motivado para trabalhar, e isso nos dá a certeza de um bom trabalho.

Cooper – O que deve mudar em relação ao mandato anterior quando o senhor era vice-presidente?
Smaniotto
– Essas questões de mudança e de organização interna, de planejamento, têm algumas alterações, que na verdade são avanços a partir daquilo que já vinha acontecendo. Neste sentido, destacaria a organização da produção e da propriedade. Muitas vezes, o produtor sabe plantar, sabe cultivar, sabe colher, mas tem dificuldade de vender, ou de escolher a melhor maneira para vender a sua produção. E assim podemos citar outros pontos que compõem toda a cadeia de produção. Esse é um trabalho que já está sendo feito em Doutor Maurício Cardoso e que está começando em Horizontina. Isso é necessário para fazer com que o produtor permaneça no interior cuidando da sua propriedade, e não abandone a atividade rural.

Cooper – Como esse trabalho será desenvolvido entre o sindicato e os produtores?
Smaniotto
– Nós entendemos que o agricultor familiar precisa hoje de um suporte para continuar no ramo e enfrentar as mudanças e os desafios que ocorrem na agricultura. Essa organização da produção e da propriedade é uma forma de proporcionar a viabilidade e a sustentabilidade da propriedade, buscando alternativas na diversificação de culturas. Nós não podemos depender apenas da produção de grãos, precisamos aperfeiçoar a produção leiteira, incrementar a produção frutífera e hortigranjeira, por exemplo. É preciso agregar renda, ter no mínimo duas fontes de renda dentro da própria propriedade. Acredito que aproveitar esse momento bom para agricultura é fundamental para garantir que logo ali na frente, quando tiver uma nova crise, nós teremos menos dificuldades do que tivemos quando passamos por outros períodos difíceis para o setor.

Cooper – Que medidas têm possibilitado ao sindicato atuar nesse sentido do suporte ao produtor?
Smaniotto
– A primeira medida foi a criação de um cadastro único, para termos informações sobre os nosso associados e definir quais são as expectativas deles quanto à produção agrícola. Neste cadastro, nós levantamos informações como quais são as atividades que os produtores querem desenvolver em suas propriedades, além das que estão sendo desenvolvidas. Esses dados ainda estão sendo computados e, depois disso, teremos alguns apontamentos de alternativa que podem ser potencializados. Outro fator importante foi a criação pelos agricultores, com o apoio do sindicato, de uma cooperativa em Doutor Maurício Cardoso. Essa cooperativa vai ajudar os produtores no incremento de novas atividades, cuidando da organização da produção e da comercialização.

Cooper – O senhor acredita realmente que o sindicato deve dar suporte técnico, além de ser um instrumento de luta?
Smaniotto
– Nós estamos tendo algumas discussões com a região sobre a atuação do sindicato. Alguns entendem que o sindicato não deve fazer este trabalho, que entendem ser responsabilidade do setor publico e da organização associativa, das cooperativas. Claro que temos que, em primeiro lugar, defender a classe dos produtores rurais, defender os diretos e as conquistas. Isso é obrigatório, é algo previsto na Constituição Federal e que não podemos deixar de fazer. Mas creio que, na medida do possível, é preciso atuar sim no fomento à propriedade.

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