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EM CENA MARCELINO COLLA Presidente da UNITEC
“É preciso acreditar na região”

19/01/2008 - Analisar a conjuntura econômica sob uma perspectiva desenvolvimentista requer, inevitavelmente, levar em conta aspectos práticos e técnicos. Em um cenário de oportunidades, como o que pode ser vislumbrado para o agronegócio, e que apresenta uma série de desafios à região, a opinião técnica – e dos técnicos – é cada vez mais importante. Para dar voz a essa categoria na análise das perspectivas de 2008, Marcelino Colla, que representa uma rara e exitosa iniciativa de inserção de profissionais técnicos no mercado do agronegócio regional, fala sobre suas impressões. Como presidente da Unitec há oito anos, o agrônomo que possui especializações em qualidade total e agricultura empresarial, administração financeira e gestão de cooperativas acumula uma experiência de sucesso nas áreas de assistência técnica a produtores, cursos e treinamentos relativos à produção agropecuária regional.

Cooperjornal – Sob uma perspectiva técnica, como o Sr. avalia o atual cenário do agronegócio e a inserção regional neste contexto?
Marcelino Colla
– O cenário é extremamente positivo, principalmente por conta de um aspecto fundamental: a recuperação do agronegócio como um todo, e, de modo especial, do setor primário, com bons preços, com a instalação das indústrias de leite na região. Isso passa a certeza de que haverá um impacto positivo para o agronegócio, assim como para a economia como um todo. Diante disso, nós temos que ter a preocupação de nos inserir de forma efetiva dentro desse movimento, para que as ações sejam bem planejadas. Esse conselho serve especialmente para nós, profissionais, que temos uma responsabilidade muito grande sobre nossa atuação com os que utilizam nossos serviços. Com um planejamento adequado, precisamos ainda pensar não só nesse momento, mas também nos próximos anos. Se analisarmos a evolução da economia, vamos ver que logo após um momento de euforia vem um momento de pessimismo. Vivemos em extremos. Então, cabe às pessoas, às entidades, conduzir esse processo para reduzir os impactos dessas oscilações.

Cooper – Mesmo com a produção de grãos em alta, a ampliação da demanda cria um cenário positivo para o leite. Como o Sr. analisa esse momento?
Colla
– O leite entra num processo forte de consolidação. Quando algumas indústrias do porte das que estão se instalando vêm para a região é porque elas estão pensando a longo prazo. Esse pensamento está fundamentado em alguns pilares, e um deles certamente é o potencial produtivo que a região oferece. Então, mesmo que não esteja bem consciente em nossas cabeças, o fato é que o mercado, que tem uma visão estratégica mais aguçada que a que demonstramos até agora, está percebendo isso.

Cooper – Como planejar o desenvolvimento?
Colla
– Na minha avaliação, volto a frisar, isso só se consegue com planejamento. E, para chegar a isso, é preciso um bom debate. Entendo que devemos assumir isso. É preciso estar com a cabeça aberta e buscar a construção desse processo. Isso envolve todo o processo produtivo. Deve ser discutido o processo de sustentabilidade das propriedades. Este é o momento de se pensar nisso, em função de todas as questões ambientais que estão colocadas, por todas as variáveis apresentadas. É preciso analisar o nosso sistema de produção pensando em como queremos que ele seja nos próximos anos, observando o modelo e a forma com que produzimos. O fato é que essa discussão deve ocorrer.

Cooper – O Sr. propõe um planejamento que promova uma rediscussão de todo o modelo produtivo. Como construir esse processo?
Colla
– De forma coletiva. As pessoas é que vão fazê-lo. Mas é necessária a participação das entidades, as cooperativas e associativas. Obrigatoriamente, é algo que deve ser discutido em conjunto, envolvendo todas as entidades e toda a sociedade, porque, de certa forma, todas estão ligadas e precisam que esse setor vá bem. Individualmente, cada entidade tem uma força muito grande, e a nossa região se desenvolveu em função da força dessas entidades. Imagina se conseguirmos somar essas forças.

Cooper – Nesse contexto, como o Sr. sintetizaria as perspectivas da região para o próximo período?
Colla
– As pessoas precisam perceber que as oportunidades existem aqui. É preciso acreditar na região. Muitas pessoas vão buscar oportunidades fora daqui. Eu acredito que o desafio é justamente acreditar na região e no potencial econômico dos municípios, e atuar para que esse potencial possa se desenvolver plenamente. Eu vejo que esse cenário dá sinais de melhores oportunidades, na medida também em que as instituições de cursos superiores se consolidam na região e muitos jovens começam a apostar nas oportunidades que estão aqui. Precisamos manter nossa força de trabalho e nossa força intelectual aqui, para construir um cenário capaz de aproveitar cada vez mais e melhor os bons momentos que o setor agropecuário vive.

 

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