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CENA CARLOS CÉSAR DINON Presidente da AMGSR
“2007 foi um ano de retomada”
12/01/2008 - O prefeito de Porto Mauá, Carlos César
Dinon, o Manico, teve em 2007 um batismo de fogo. Pela primeira vez como presidente da Associação dos Municípios da Grande Santa Rosa (AMGSR), Dinon enfrentou problemas sérios, como a primeira epidemia de dengue autóctone no estado e as intempéries. Mas foi no episódio que marcou a corrida pela reconstrução dos municípios atingidos por tempestades de granizo e vendavais que sua liderança pode aparecer. Dinon esteve em Brasília e em Porto Alegre, acompanhou as negociações com os governos, exigiu medidas imediatas e recebeu como resposta objetiva lonas, telhas, cestas básicas e mais de R$ 4 milhões para auxiliar a região.
Cooper – Na sua avaliação, qual a marca do ano de 2007 para a região?
Carlos César Dinon – É positiva. Foi um ano de retomada do desenvolvimento, no pólo metal-mecânico, na agricultura, com safras melhores e com preços dos produtos agrícolas mais compatíveis. 2007 apresentou um grande desafio em função dos vendavais que se abateram sobre nossa região, onde Porto Mauá, por exemplo, foi severamente afetado. Essa intempérie do tempo mostrou uma grande capacidade de reação de nossa região e uma grande solidariedade entre as pessoas na busca de alternativas para recuperação dos danos causados.
Cooper – Quais as perspectivas para a região da Fronteira Noroeste em 2008?
Dinon – A perspectiva, ao menos hoje, aponta para a região continuar no bom momento atual, com uma estimativa de continuar avançando. O clima por enquanto está contribuindo com nossa agricultura, a safra de milho está praticamente toda colhida e com bons rendimentos, a perspectiva para a soja também é de boa produtividade. Os preços do milho e da soja estão num patamar razoável, e a tendência é de que assim permaneçam. Isso movimenta a economia, gera necessidade de mão-de-obra, mais empregos, os próprios órgãos públicos, como as prefeituras, que são tradicionais geradores de empregos, estão em melhor situação, pagando salários em dia, gerando mais empregos, movimentando a economia da região. Existe mais acesso dos municípios a emendas parlamentares, recursos federais, e tudo isso contribui para avançar cada vez mais.
Cooper – A construção da ponte internacional é uma prioridade para a região?
Dinon – Hoje, a ponte é uma necessidade, em função do incremento no movimento de turistas em nossa região, tanto turismo de negócios como turismo de lazer. Em alguns feriados, só no porto de Porto Mauá, cruzaram pela manhã mais de 400 automóveis, sem contar os ônibus. Nesse aspecto, estamos trabalhando intensamente, foi criada uma Comissão Binacional entre o Brasil e a Argentina para tratar especificamente do assunto da ponte, onde ficou definido para a implantação da primeira ponte, e já estamos em condições do lançamento do edital de licitação para contratação de uma empresa para o estudo de viabilidade econômica, definindo assim o local mais apropriado para a construção da ponte.
Cooper – Como estão os encaminhamentos para a concretização?
Dinon – Está agendada uma audiência pública na região para o dia 11 de fevereiro, com o senhor João Luiz Pereira Pinto, que é o Chefe da Divisão da América Meridional do Ministério das Relações Exteriores. Esse encontro terá o objetivo de discutir a possibilidade de agilizar o processo de construção da ponte internacional. Possivelmente, teremos duas audiências, uma em Santa Rosa e outra em Santo Ângelo.
Cooper – O Alfandegamento do porto de Porto Mauá é um primeiro passo?
Dinon – A habilitação do porto já é uma realidade. Para a passagem de cargas internacionais, faltam alguns pequenos ajustes, que serão feitos no início desse ano. Imagine juntar o grande movimento que já temos de automóveis e ônibus, esse grande fluxo de turistas, com o movimento de caminhões de carga. Essa maior circulação de pessoas e mercadorias será um grande suporte a mais para que a nossa região possa ser contemplada com a construção da ponte. O próprio fato de nossa região ser um ponto estratégico no Mercosul, onde se encurta drasticamente a quilometragem entre estados brasileiros pela Argentina, de mais de 700km para apenas 250km. Tudo isso será levado em conta, e a circulação de pessoas, de mercadorias, a prestação de serviços, tudo será incrementado.
Cooper – Como está a posição da região em relação à construção de barragens e de que forma a região pode pleitear recursos do Programa de Aceleração do Crecimento (PAC)?
Dinon – Barragens ou hidrelétricas hoje são uma necessidade urgente. Hidrelétricas hoje são prioridades para o poder público, sob pena de termos novos “apagões”, inclusive na fronteira entre o Brasil e a Argentina, que está enfrentando sérias dificuldades no abastecimento energético. Hoje, a produção energética no Brasil é de 93 mil megawatts, e o desafio é, num prazo de 20 anos, aumentar em mais 122 mil megawatts essa produção. E isso exigirá uma atenção especial do governo federal, obrigando-o a incluir nossa região no PAC.
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