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EM CENA WERNER BORNHOLDT Consultor
“O maior desafio é se manter competitivo”

05/01/2008 - Contabilista e economista da Universidade Mackenzi, de São Paulo, e Mestre e Doutor com PhD em Psicologia das Organizações e Recursos Humanos na Universidade de Barcelona, Werner Bornholdt é um expert em governança de empresas familiares. Um dos mais respeitados consultores quando o assunto é empresa familiar, Bornholdt afirma nesta entrevista que as empresas familiares que adotarem um sistema de governança têm grandes chances de se perpetuarem como negócio, e cita exemplos de empresas familiares que se tornaram grandes multinacionais. Bornholdt desfaz a idéia de que a empresa familiar é “cheia de vícios” e ineficiente na sua gestão, mas afirma que é preciso trabalho para torná-la eficaz.

Cooper – Qual a importância das empresas familiares na economia?
Werner Bornholdt
– É fundamental. 85% das empresas são de origem familiar. Quem começa, quem empreende na economia, especialmente regional, são as empresas familiares. Há uma série de desvantagens, mas existem muito mais vantagens. Por exemplo, existem linhas de crédito específicas e com juros mais baixos para empresas familiares. Outro fator: quando é aberto o capital, ou seja, quando vai operar na bolsa de valores, é assinado um contrato em que a família se compromete em conduzir o negócio por no mínimo dez anos. Isso dá segurança de que ela não será extinta ali na frente.

Cooper – Porque algumas empresas familiares se perpetuam e outras não?
Bornholdt
– Existe uma estatística de que, dentro do conceito de empresa familiar onde há a segunda geração, a continuidade da segunda para a terceira ocorre em apenas 15% das empresas, e da terceira para a quarta em apenas 3% das empresas. E, ao mesmo tempo, 45% das empresas listadas na Bovespa são familiares. Se olharmos o desempenho das ações – existem estudos que comprovam isso –, ele é maior do que as não-familiares. Podemos citar com exemplo organizações como o grupo Votorantim – que ganhou um prêmio mundial de governança em 2005 pelo FBN (Family Business Network). E assim temos exemplos no mundo todo, como a empresa Irmãos Johnson – das ceras Johnson no Brasil. São organizações que se perpetuaram graças a uma governança.

Cooper – O que vem a ser essa governança?
Bornholdt
– Governança é uma palavra de origem grega que vem de governo. Governança significa levar de forma segura um navio de um porto ou outro. Então, adaptando para a realidade de uma empresa, seria levar de uma geração para outra geração enfrentando as turbulências. Isso implica em uma estrutura de papéis, hierarquias, funções e definições, ou seja, uma boa estrutura de governo que tem regras, limites, enquadramentos, disciplinas, etc. Isso é o que as empresa que se perpetuam de fato fazem.

Cooper – Qual o maior desafios das empresas hoje?
Bornholdt
– O maior desafio é se manter competitivo no mundo globalizado; ter pessoas muito competentes no seu quadro, familiares e não familiares; planejar os sistemas família, propriedade ou sociedade, a empresa ou o negócio, pensando 25 anos para frente, olhando esses sistemas na prospectiva de 25 anos para consolidar as atividades.

Cooper – Como deve ser feita a escolha e colocação dos membros da família nas funções da empresa?
Bornholdt
– A colocação de membros da família em cargos estratégicos deve seguir um regime de competências e de resultados. Mas, acima de tudo, essa seleção deve ser delegada a não-familiares, porque os familiares tendem a ver filhos e sobrinhos com filtros e com lentes. Então, são os piores para julgar e avaliar competências, resultados e desempenhos de um herdeiro. Pode ser criado um comitê com conselheiros externos, mas o mais importante para um herdeiro trabalhar na empresa é a paixão. É preciso ter extrema, muita paixão pelo negócio e querer a perpetuação desse negócio. Essa é, a meu ver, a premissa básica para atuar na empresa.

Cooper – Como deve ser a relação dos funcionários e de acionistas em uma empresa familiar?
Bornholdt
– Há um estudo que diz que, nas empresas familiares, há mais lealdade de empregos para com a empresa e com os seus superiores. Os colaboradores vestem a camiseta. Por parte dos acionistas, há mais criatividade e ousadia em termos de negócio. A comunicação é mais ágil, mas rápida, tudo está mais próximo. E é feita de forma informal. Isso dá agilidade.


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