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EM CENA VALDIR DALLABRIDA Doutor em Desenvolvimento Regional
“Existe necessidade de buscar alternativas”

2912/2007 - Recentemente, os dados do Censo Populacional deste ano realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmaram a continuidade do êxodo. Para o Doutor em Desenvolvimento Regional Valdir Dallabrida, que atua diretamente na promoção de políticas para o desenvolvimento sustentável, é preciso buscar alternativas para evitar que as pessoas deixem a região. Nesta entrevista, Dallabrida afirma que é preciso incentivar atividades geradoras de trabalho e renda.

Cooper – A confirmação pelo IBGE que a região continua perdendo população é um indicativo de que a economia regional está em recessão?
Valdir Dallabrida
– A perda de população na região é um indicativo de que as atividades econômicas não estão gerando oportunidades de emprego suficientes para manter toda a população. No entanto, a nossa região é essencialmente agrícola, e o que se tem observado em nível de mundo, no Brasil e na região é que as atividades agrícolas conseguem crescer em área, em produção e em produtividade, sem aumentar a oferta de empregos. Se formos considerar a agricultura da região, ela perdeu algumas dezenas de pessoas, mas isso não significa que ela tenha reduzido, tanto os valores como o volume de produção. O que ocorre é que, no mundo globalizado, é possível ter um aumento da economia sem necessariamente ter um aumento da empregabilidade. Isso ocorre com mais ênfase na agricultura.

Cooper – As atividades industriais e o comércio acompanham a tendência?
Dallabrida
– Sim. Menos intenso, mas também ocorre. Nós tivemos, até seis meses atrás, tanto com as duas empresas maiores, a AGCO e a John Deere, quanto, por conseqüência, com toda a cadeia, um período de recessão. Nos últimos três ou quatro meses, houve uma recomposição do emprego nesse setor. Se nós fôssemos fazer uma pesquisa, principalmente nas empresas de maior porte, iríamos perceber certamente que o número de empregados que essas empresas tinham antes da crise e tem atualmente apresenta uma variação para menor, ou seja, há menos emprego. Essa redução não indica, necessariamente, que elas estejam produzindo menos. O que acontece é que, quando há um período de crise, geralmente é um momento propício para se investir em tecnologias, e a retomada da crise já acontece utilizando essas novas máquinas. Então, para produzir as três mil colheitadeiras da John Deere em 2008 não será preciso, em proporção, a mesma quantidade de pessoas necessária há cinco anos para produzir as mesmas três mil.

Cooper – Então o êxodo populacional seria também uma conseqüência do progresso? Não há alternativas para mudar essa realidade?
Dallabrida
– É claro que é preciso buscar alternativas para a geração de trabalho e renda, isso é unânime e sabido por todos. Eu só faço essa observação porque tenho ouvido muito usarem esse discurso de que precisamos de outras alternativas porque a região está perdendo gente. Bom, precisamos também por outros fatores, e não só por isso. É possível que nós busquemos em curto prazo novas atividades econômicas, mas com isso não necessariamente vamos recompor o número de população que nós tínhamos há cinco ou seis anos. Nós temos é que diminuir a evasão, a saída de população.

Cooper – É preciso encontrar novos caminhos?
Dallabrida
– Existe a necessidade de buscar alternativas. A produção de soja na nossa região vai certamente continuar por muito tempo, mas essa é uma atividade altamente poupadora de mão-de-obra. Existem algumas alternativas, e já temos na região várias iniciativas para a produção de álcool, por exemplo, com a produção de cana-de-açúcar como alternativa para a produção de álcool em pequenas usinas, como é o caso de Porto Xavier. Outras atividades certamente veremos crescer nos próximos anos na região, e entre elas destaco a silvicultura. Não temos ainda nenhuma iniciativa nesse sentido, mas é um setor que oferece muitas oportunidades.

Cooper – Entre as atividades econômicas consolidadas na região, onde estão as melhores perspectivas?
Dallabrida
– O leite é um setor que está em alta. Temos na região a instalação de três grandes indústrias de leite, que estão falando que vão precisar duplicar e até triplicar a produção de leite no estado para atender a demanda. Isso significa que nós vamos ter mais produtores que vão se envolver na produção de leite e outros que vão aumentar a sua produção. É uma atividade que vai crescer muito. A suinocultura está em franco crescimento e vive um dos seus melhores momentos. O frigorífico de Santa Rosa poucas vezes na história esteve com tanta produção como agora e, de novo, vemos menos gente do que um tempo atrás. Outro fator que pode potencializar o setor é a instalação de um frigorífico de frangos de Santa Catarina em Carazinho. Aí temos uma oportunidade de negócio.


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