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CENA MARCELINHO Capitão do tri
“Foi o título mais importante”
2212/2007 - Marcelo Bernardino do Nascimento, o
Marcelinho, comandou o John Deere
na conquista do tricampeonato gaúcho. Homem de confiança do técnico Paulinho Sananduva, capitão da equipe, prestes a completar 38 anos, Marcelinho fala da trajetória na conquista do inédito tricampeonato gaúcho e projeta sua aposentadoria como jogador. Em 19 anos de carreira acumula em seu currículo um mundial de clubes (pela Ulbra, 1999), dois campeonatos pernambucanos, dois brasileiros de seleções, um potiguar e, agora, tetracampeão gaúcho. Acostumado a conquistar títulos, Marcelinho revela que a conquista de sábado foi a mais importante e mais marcante da carreira.
Cooper – Como foi se recuperar no meio da competição e chegar ao título?
Marcelinho – Nós sempre fizemos boas partidas, mas os resultados é que não estavam vindo, e nós tínhamos consciência disso. As cobranças por vitória vinham da diretoria, da torcida e, nós mesmos estávamos nos cobrando. Diante dessa dificuldade nós não desistimos nunca, quanto mais nos cobravam mais a gente trabalhava, conversava, tentava ajustar e nunca nos desesperamos. Teve um determinado momento que houve uma cobrança maior da diretoria, alguns diretores achavam que o time não regia com a disposição, com a fibra que eles imaginavam que era preciso para o momento. Mas na verdade as características dos jogadores fazem com que o time seja tranqüilo, e essa tranqüilidade foi importante nos momentos difíceis.
Cooper – Como foi a superação a acessão do time do campeonato?
Marcelinho – Depois das quatro primeiras partidas, quando nós tínhamos dois pontos e a UCS, por exemplo, tinha doze, disseram acabo, estão desclassificados. Mas nós continuamos acreditando e nos concentramos em brigar jogo a jogo, sem pensar na classificação, buscando ganhar cada jogo para somar pontos. Depois nós vimos que a classificação estava chagando e deu no que deu, chegamos e ganhamos o titulo.
Cooper – As dificuldades ao longo do campeonato ajudaram a equipe enfrentar com mais tranqüilidade a final?
Marcelinho – Foi uma ajuda imensa. Dificuldade nós tivemos o ano inteiro, no campeonato gaúcho, muito mais. A UCS não encontrou dificuldade, chegou na final soberana, vencendo todos os jogos. Isso fez com que eles não tivessem tempo de se ajustar quando encontraram a dificuldade. Eles pensaram: lá a gente vai ganhar. Só que não era assim, nós estávamos muito confiantes e preparados para a decisão. A superação de dificuldades foi, por exemplo, quando estávamos perdendo o jogo da final aqui e viramos em três minutos. E essa foi uma realidade o ano todo, foram muitas as partidas que vencemos ou empatamos quando faltavam segundos. Então estávamos acostumados a isso. Lá em Caxias quando perdemos no tempo normal, fomos para o vestiário antes da prorrogação sem nos desesperar, todos tranqüilos, acreditando que íamos ganhar. Quando fizemos o gol o jogo caiu na nossa mão.
Cooper – A tranqüilidade foi outro fator decisivo?
Marcelinho – A rivalidade entre UCS e John Deere não é de hoje. E nesse tipo de confronto costuma ocorre muita provocação, que são coisas que a gente não precisa nem fala por que são coisas de dentro de quadra. Eu fui muito provocado nos dois jogos, mas em nenhum momento perdi a calma. Eu sabia que precisava estar tranqüilo para passar isso a toda equipe. O grupo todo estava consciente da importância de cada um para a equipe e da importância que era conquistar o título. Para mim foi o titulo mais importante da minha carreira, não pelo status, mas pela forma com que foi conquistado.
Cooper – Olhando para 2008 e projetando o futuro. Já definiu a sua permanência no John Deere?
Marcelinho – Sim, já defini minha permanência no John Deere. No meio do ano eu procurei o Gringo e disse a ele que quero encerrar a carreira aqui. Devo jogar no máximo mais dois anos, e gostaria de ficar aqui, encerrar minha carreira no John Deere e por isso o acerto é sempre tranqüilo. Se eu pudesse recomendar diria que a direção deveria renovar com todos porque o grupo está unido. Quem chagar vai encontrar um ambiente muito bom para trabalhar.
Cooper – Para depois que encerrar a carreira como jogador, pretende seguir a carreira de técnico?
Marcelinho – Eu gostaria de trabalhar com futsal, mas não sei se de imediato ser técnico. Para trabalhar como técnico é preciso experiência, acredito que seria importante trabalhar com as categorias de base. Eu gosto muito de futsal e não me vejo fazendo outra coisa. Sei que preciso evoluir sem atropelo, sem pressa e, se eu realmente quiser ser técnico tenho que trabalhar muito, aprender muito, é um pensamento a longo prazo. Estudo educação física justamente para ter também formação acadêmica nesta área que é a minha profissão.
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