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TECENDO AREDE
Pastoral da Juventude 40 anos:
Um laboratório de lideranças
Airton Rodrigues da Silva - Ex-Pejoteiro e Graduado em História e Mestre em Educação nas Ciências
11/06/2010 - Pejoteiros. Assim são conhecidos os que fizeram uma caminhada de formação dentro da Pastoral da Juventude da Igreja Católica. Uma marca que completa 40 anos e seus resultados são facilmente perceptíveis. Nascida em meio ao período mais duro da Ditadura Militar no Brasil, a PJ se configurou num espaço fértil de discussões acerca dos desafios pastorais do momento. Mas a Pastoral da Juventude nasce numa conjuntura muito mais ampla, de um novo momento que a Igreja Católica estava vivendo a partir da realização do Concílio Vaticano Segundo, realizado entre os anos de 1962 e 1965. Uma das definições deste encontro, capitaneada em grande parte por bispos brasileiros e sul americanos, tendo na liderança Dom Helder Câmara, foi aprovação da “Opção preferencial pelos pobres”. Logo após nasce na América Latina a chamada Teologia da Libertação que tem como uma das suas perspectivas a valorização da história, da cultura e da diversidade de formas de manifestação do encontro do homem com Deus.
Para o filósofo Battista Mondim “A teologia da libertação é um movimento teológico que quer mostrar aos cristãos que a fé deve ser vivida numa práxis libertadora e que ela pode contribuir para tornar esta práxis mais autenticamente libertadora” (MONDIN, 1980, p. 25). O termo libertação surge a partir da realidade cultural, social, econômica e política sob a qual se encontrava a América Latina, na década de 1960. Os teólogos deste período, católicos e protestantes, assumiram a libertação como paradigma de todo fazer teológico.
Para o teólogo Leonardo Boff a libertação, é toda “ação que visa criar espaço para a liberdade” (BOFF, 1980, p. 87). A Pastoral da Juventude nasce com esse grande desafio e essa grande missão, ser um espaço de liberdade e de construção da libertação dos jovens, que estavam entrando no cenário político no período, com o movimento Hipp nos Estados Unidos e aqui no Brasil com o movimento estudantil e os festivais de música. Esta libertação proposta estava ligada a construção do conhecimento crítico de forma coletiva, conhecimento este que não se resume a espiritualidade, mas também e, sobretudo a uma leitura crítica da realidade social. A libertação está associada a emancipação, ou seja, ter idéias e raciocínio próprio.
Assim a Pastoral da Juventude na Diocese de Santo Ângelo vai sendo gestada, com o propósito de fazer uma evangelização libertadora dos jovens. A proposta era ter um grupo de jovens em cada comunidade, uma coordenação paroquial, forânica e diocesana. A função desta estruturação era possibilitar ao jovem um espaço de participação, onde se desenvolvesse a cultura, a espiritualidade, mas também a consciência crítica sobre a realidade na qual estava inserido. Para preparar lideranças foram estruturados cursos em cada esfera de organização. Na Paróquia se propôs o CTLJ ( Curso de Treinamento de Lideranças Jovens), na Forania (grupo de paróquias próximas) se organizou o TAPA ( Treinamento de Ação Pastoral) e na Diocese as Escolas da Juventude com uma semana de estudos e vivências. Esta estrutura de cursos é permeada de encontros, celebrações jovens, cursos de Fé e Política entre outras ações que foram sendo propostas para aprofundar as vivências e integrar os jovens.
Ao longo destes 40 anos, houve altos e baixos nesta organização, mas o principal legado que a PJ tem deixado, é um grande número de lideranças comunitárias, pastorais, sindicais e políticas, se configurando num qualificado laboratório de lideranças que hoje atuam em diversas áreas. Vale lembrar, que estes jovens, oriundos de famílias humildes, do interior e da cidade, apoiados e muitas vezes “mal falados” pela comunidade, nos cursos e encontros da PJ descobriram sua identidade e se fizeram sujeitos da história. “Comungar é tornar-se um perigo, viemos pra incomodar, com a fé e união nossos passos um dia vão chegar”, como diz a canção, não há dúvidas que estes jovens são os próprios profetas dos jovens.
Tenho muito orgulho em ter participado desta caminhada, como militante primeiro e depois como formador e considero esta uma faculdade a parte que fiz na minha vida. Agradeço, respeito e devo muito as pessoas que iniciaram esse trabalho na Diocese e acredito que a PJ, ao comemorar seus 40 anos, mesmo podendo verificar grandes avanços sociais recentes no Brasil e na América Latina, como a democracia e políticas públicas voltadas a inclusão social, deve buscar no vigor dos pioneiros e na essência de seus princípios a força e motivação para continuar a caminhada, pois precisamos cada vez mais de lideranças qualificadas em todos os setores da sociedade para podermos aproveitar de maneira mais intensa e racional as conquistas obtidas.
Aos Pejoteiros que hoje continuam a fazer esta caminhada e dedicar-se a organização desta pastoral, muita fé, ousadia e amor pela juventude. Pois, “Somos Pastoral da Juventude, outro mundo é possível, vamos fazer”.
Parabéns pejoteiros e pejoteiras de todas as paróquias. Vida longa e muitas disposição para continuar esta frutífera caminhada.
Alimentos contaminados
Silvio Caccia Bava - Editor do Le Monde Diplomatique Brasil e coordenador geral do Instituto Pólis
28/05/2010 - O Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo e representa 16% da sua venda mundial. Em 2009, foram vendidas aqui 780 mil toneladas, com um faturamento estimado da ordem de 8 bilhões de dólares. Ao longo dos últimos 10 anos, na esteira do crescimento do agronegócio, esse mercado cresceu 176%, quase quatro vezes mais que a média mundial, e as importações brasileiras desses produtos aumentaram 236% entre 2000 e 2007. As 10 maiores empresas do setor de agrotóxicos do mundo concentram mais de 80% das vendas no país.
Esses produtores viram ameaçadas suas novas metas de faturamento com o anúncio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de que se propõe a reavaliar o uso de 13 produtos agrotóxicos, vários deles já proibidos há anos nos EUA, na União Europeia, e em países como Argentina, Nigéria, Senegal, Mauritânia, entre outros, como o acefato e o endossulfam. Os motivos dessa proibição são evidentes, a contaminação de alimentos, de trabalhadores rurais, e do meio ambiente, causando, literalmente, o envenenamento dos consumidores, a morte de trabalhadores rurais e a destruição da vida animal e vegetal.
Em solicitação ao Ministério Público para a proibição de um desses agrotóxicos – o Tamaron – os então deputados federais Fernando Dantas Ferro, Adão Preto e Miguel Rosseto denunciam que 5 mil trabalhadores rurais morrem, a cada ano, intoxicados por venenos agrícolas, sendo que muitos mais são afetados de maneira grave pela ingestão dos componentes químicos desses produtos.
Frente à disposição da Anvisa de reavaliar produtos como Gramoxone, Paraquat, Tamaron, Mancozeb, Monocrotfos, Folidol, Malation e Decis, o Sindag – Sindicato das Indústrias de Defensivos Agrícolas – recorreu ao Judiciário, solicitando que não sejam publicados os resultados das reavaliações. Houve mesmo iniciativas no Judiciário que pretendiam proibir os estudos da Anvisa que verificavam a segurança das substâncias de 99 agrotóxicos.
Para Rosany Bochner, especialista em toxicologia da Fiocruz, instituição parceira da Anvisa no trabalho de reavaliação dos agrotóxicos, “o Brasil está virando um grande depósito de porcarias. Os agrotóxicos que as empresas não conseguem vender lá fora, que têm indicativo de problemas, são empurrados para a gente”.
Em 2002, com o início do funcionamento do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, coordenado pela Anvisa, surgiram informações preocupantes. Das 1.198 amostras recolhidas em nível nacional, 17,28% apresentavam índices de contaminação acima do permitido para se preservar a saúde. O tomate, o morango e a alface são os mais contaminados. Se você come amendoim, batata, brócolis, citros, couve, couve-flor, feijão, melão, pimentão, repolho, entre outros alimentos, cuidado! Eles contêm acefato, um agrotóxico que pode causar danos ao cérebro e ao sistema nervoso e provocar câncer no longo prazo. O acefato é proibido em toda a União Europeia.
Segundo o IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor, “o consumidor brasileiro está exposto a um risco sanitário inaceitável, que exige medidas rigorosas dos órgãos governamentais responsáveis, inclusive com a punição dos infratores”.
Essa denúncia decorre do levantamento e análise da Anvisa, feito de junho de 2001 a junho de 2002, onde nada menos que 81,2% das amostras analisadas (1051 casos) exibiam resíduos de agrotóxicos e 22,17% apresentavam índices que ultrapassavam os limites máximos permitidos.
Atualmente os agrotóxicos estão em reavaliação tanto pela Anvisa, quanto pelos Ministérios da Saúde e Meio Ambiente. E espera-se que até o final do ano seja divulgada uma nova lista dos agrotóxicos que podem continuar sendo vendidos e os que serão banidos do território brasileiro.
A experiência das Mulheres
Agricultoras no projeto desenvolvido
pela AREDE e o Governo Federal
Fabiana Raquel Bender - Técnica em Agropecuária e Colaboradora do projeto “Mulheres
Diversificando a Produção e Gerando Renda na Agricultura Familiar
14/05/2010 - O projeto “Mulheres Diversificando a produção e gerando renda na Agricultura Familiar”, desenvolvido pela AREDE (Associação Regional de Educação Desenvolvimento e Pesquisa) em parceria com o Governo Federal pela SPM (Secretária de Políticas para Mulheres), findou com a realização de uma viagem
a uma experiência a nível Estadual, que aconteceu nos dias 07 e 08 de maio de 2010.
Este projeto acompanhou 60 mulheres agricultoras juntamente com suas famílias nos
municípios de Doutor Maurício Cardoso, Novo Machado, Porto Vera Cruz, Porto Lucena, Porto Mauá e Tucunduva. As atividades desenvolvidas no decorrer do ano de 2009 e ínicio de 2010 aconteceram no interior dos municípios acima mencionados, sendo que a primeira etapa das atividades foi a apresentação do projeto nos municípios, atividade esta que contou com a participação de lideranças locais e agricultoras. No segundo momento foi feita uma visita na casa das agricultoras, sendo realizado um breve diagnóstico das propriedades, para conhecer um pouco da
realidade em que vivem as mulheres juntamente com suas famílias. No desenvolver do Projeto foram realizados cursos de formação nestes municípios onde foram abordados temas demandados pelas agriculturas juntamente com suas famílias
como: agricultura orgânica, manejo de gado leiteiro e relações de gênero na agricultura familiar. Foram realizadas visitas técnicas nas propriedades das agricultoras, oportunidade na qual cada família demandava suas necessidades
no planejamento e na forma de produção da propriedade. Durante o período de execução do projeto as agriculturas tiveram a oportunidade de participar de
um seminário regional, bem como da Feira de Economia Solidária, oportunidade na qual as agricultoras puderam trocar experiências e conhecimentos, bem como expor
seus produtos. Para finalizar este projeto foi realizada uma viagem de troca experiência a nível Estadual, oportunidade esta em que as agricultoras acompanhadas
pelo projeto puderam conhecer experiências de outras mulheres dos municípios de Erechim, Passo Fundo e Itatiba do Sul que, como elas, lutam pelos seus direitos e
para terem sua própria renda, que vem a proporcionar autonomia e emancipação na vida destas mulheres agricultoras. Neste sentido, o projeto proporcionou a
geração de renda para muitas das mulheres envolvidas no projeto, o que consequentemente significou um avanço nas lutas por um espaço maior na decisão da família, bem como o seu reconhecimento na sociedade. Enfim, o projeto possibilitou avanços para estas mulheres que se demonstraram mais motivadas e decididas a lutar por aquilo que elas acreditam, participando mais ativamente,
juntamente com os homens, na busca de uma sociedade mais justa.
Alimentos contaminados
Silvio Caccia Bava - Editor de Le Monde Diplomatique Brasil e coordenador geral do Instituto Pólis
23/04/2010 - O Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo e representa 16% da sua venda mundial. Em 2009, foram vendidas aqui 780 mil toneladas, com um faturamento estimado da ordem de 8 bilhões de dólares. Ao longo dos últimos 10 anos, na esteira do crescimento do agronegócio, esse mercado cresceu 176%, quase quatro vezes mais que a média mundial, e as importações brasileiras desses produtos aumentaram 236% entre 2000 e 2007. As 10 maiores empresas do setor de agrotóxicos do mundo concentram mais de 80% das vendas no país.
Esses produtores viram ameaçadas suas novas metas de faturamento com o anúncio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de que se propõe a reavaliar o uso de 13 produtos agrotóxicos, vários deles já proibidos há anos nos EUA, na União Europeia, e em países como Argentina, Nigéria, Senegal, Mauritânia, entre outros, como o acefato e o endossulfam. Os motivos dessa proibição são evidentes, a contaminação de alimentos, de trabalhadores rurais, e do meio ambiente, causando, literalmente, o envenenamento dos consumidores, a morte de trabalhadores rurais e a destruição da vida animal e vegetal.
Em solicitação ao Ministério Público para a proibição de um desses agrotóxicos – o Tamaron – os então deputados federais Fernando Dantas Ferro, Adão Preto e Miguel Rosseto denunciam que 5 mil trabalhadores rurais morrem, a cada ano, intoxicados por venenos agrícolas, sendo que muitos mais são afetados de maneira grave pela ingestão dos componentes químicos desses produtos.
Frente à disposição da Anvisa de reavaliar produtos como Gramoxone, Paraquat, Tamaron, Mancozeb, Monocrotfos, Folidol, Malation e Decis, o Sindag – Sindicato das Indústrias de Defensivos Agrícolas – recorreu ao Judiciário, solicitando que não sejam publicados os resultados das reavaliações. Houve mesmo iniciativas no Judiciário que pretendiam proibir os estudos da Anvisa que verificavam a segurança das substâncias de 99 agrotóxicos.
Para Rosany Bochner, especialista em toxicologia da Fiocruz, instituição parceira da Anvisa no trabalho de reavaliação dos agrotóxicos, “o Brasil está virando um grande depósito de porcarias. Os agrotóxicos que as empresas não conseguem vender lá fora, que têm indicativo de problemas, são empurrados para a gente”.
Em 2002, com o início do funcionamento do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, coordenado pela Anvisa, surgiram informações preocupantes. Das 1.198 amostras recolhidas em nível nacional, 17,28% apresentavam índices de contaminação acima do permitido para se preservar a saúde. O tomate, o morango e a alface são os mais contaminados. Se você come amendoim, batata, brócolis, citros, couve, couve-flor, feijão, melão, pimentão, repolho, entre outros alimentos, cuidado! Eles contêm acefato, um agrotóxico que pode causar danos ao cérebro e ao sistema nervoso e provocar câncer no longo prazo. O acefato é proibido em toda a União Europeia.
Segundo o IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor, “o consumidor brasileiro está exposto a um risco sanitário inaceitável, que exige medidas rigorosas dos órgãos governamentais responsáveis, inclusive com a punição dos infratores”.
Essa denúncia decorre do levantamento e análise da Anvisa, feito de junho de 2001 a junho de 2002, onde nada menos que 81,2% das amostras analisadas (1051 casos) exibiam resíduos de agrotóxicos e 22,17% apresentavam índices que ultrapassavam os limites máximos permitidos.
Atualmente os agrotóxicos estão em reavaliação tanto pela Anvisa, quanto pelos Ministérios da Saúde e Meio Ambiente. E espera-se que até o final do ano seja divulgada uma nova lista dos agrotóxicos que podem continuar sendo vendidos e os que serão banidos do território brasileiro.
Agroquímicos e saúde humana
Alexsander Rodrigues Kucharski - Médico de família e comunidade e sanitarista
09/04/2010 - Muitas atividades de trabalho representam risco para saúde humana. Dentre elas o uso de produtos químicos no meio rural destaca-se, pois diferentemente da atividade em fábricas, no qual os trabalhadores são os mais expostos, a atividade agrícola envolve toda sociedade (consumidores de produtos agrícolas, os familiares dos agricultores etc...) e o meio ambiente.
Há milhares de anos os seres humanos cultivam a terra e criam animais para sua alimentação. Durante este período até o século retrasado os diferentes povos desenvolveram tecnologias empíricas para o controle de pragas, seleção genética, irrigação e conservação dos alimentos, utilizando basicamente os recursos naturais da região onde moravam. Com o evento das grandes guerras, as “sobras” dos produtos utilizados nas batalhas químicas começaram a ser utilizados na agricultura para combater pragas e vegetação nativa. No século passado, na década de cinqüenta, houve a “Revolução Verde”, que preconizava que com o aumento da população, a produção de alimentos daquela época não seria suficiente para suprir as necessidades mundiais e seria necessário aumentar a produtividade agrícola.
A prática agrícola naquele período, especificamente no Brasil, era da cultura de subsistência com comercialização dos excedentes. As tecnologias utilizadas eram práticas tradicionais repassadas de “pai para filho”. Com a Revolução Verde, estes agricultores “tradicionais” foram estimulados a desenvolver uma produção voltada para o mercado e utilizar tecnologias chamadas “científicas” desenvolvidas nos laboratórios para aumentar a produtividade. Neste período houve a mecanização do meio rural, bem como utilização de sementes híbridas, adubos químicos e agrotóxicos. Na criação de animais, o uso de hormônios e antibióticos. Além de uma forte propaganda, o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) vinculava a concessão de empréstimos aos produtores à fixação de um percentual a ser gasto com agrotóxicos.
Isto serviu para o fortalecimento do mercado de insumos agrícolas, que somente com o comércio de agrotóxicos mobiliza aproximadamente 20 bilhões de dólares por ano em todo o mundo. Esta “modernização” do meio rural teve como conseqüência uma importante mudança no perfil social do país. A grande maioria dos agricultores abandonou as práticas de manejo da propriedade de seus antepassados para dedicar-se a produzir produtos exigidos pelo mercado, com isto não produziram mais produtos para subsistência da família, deixaram de usar as sementes “crioulas” para usar híbridos e mais recentemente transgênicos, e aumentaram a área de produção invadindo a vegetação nativa e beiras de rios. Quem não se adequou a este modelo abandonou o campo e migrou para as cidades, desta forma aumentando a população urbana; outros permaneceram e adotaram a tecnologia, mas como não tinham recursos suficientes, não adquiriram os equipamentos de proteção e foram expostos aos produtos tóxicos.
O meio ambiente sofreu alterações pelo aumento das áreas de produção - como referido antes - que invadiram matas nativos e ciliares, encostas de morros e inclusive rios, mudando seus percursos. A biodiversidade também foi afetada, pois o uso de adubos químicos, agrotóxicos e antibióticos na criação de animais, alterou as populações dos micro e macrorganismos. Os adubos químicos alteraram a microflora do solo e da água e os agrotóxicos eliminam de forma irregular algumas espécies enquanto que outras criaram resistência e aumentaram sua população, com isto tivemos um desequilíbrio com a diminuição e até mesmo extinção de algumas espécies e superpopulação de outras, inclusive gerando algumas novas pragas para lavoura e vetores de doenças. Os agrotóxicos também podem causar alterações hormonais que prejudicam a reprodução de algumas espécies.
A saúde humana também foi prejudicada. Com o passar do tempo descobriu-se que muitos agrotóxicos causavam câncer, alterações hormonais e neurológicas, além disto temos a intoxicação aguda, que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é responsável por 3000 mortes por ano em todo o mundo. Na década de 80 estudos comprovaram os malefícios de muitos agrotóxicos para o meio ambiente e saúde humana; estes foram proibidos ou tiveram fortes restrições. Infelizmente nem todos países acataram estas orientações e muitas fábricas migraram para o terceiro mundo.
A discussão sobre a tecnologia, principalmente o uso de químicos, transcende o meio rural, visto que toda a população de certa forma está envolvida: o trabalhador rural que aplica diretamente os produtos, a esposa que lava as roupas contaminadas, as crianças que vivem na propriedade agrícola e os moradores da cidade que consomem água e produtos do meio rural que podem estar contaminados. Outras situações ainda estão em discussão tais como “a qualidade nutricional de um produto híbrido é igual a de um produto tradicional?” “Os alimentos transgênicos no futuro poderiam trazer problemas para saúde humana ou meio ambiente?” Visto que o Ministério da Saúde não garantiu que os mesmos sejam inofensivos para saúde no futuro.
É necessário que a sociedade discuta o atual modelo de produção agrícola quanto segurança alimentar, riscos para saúde dos moradores do campo e da cidade, critérios para liberação de novas tecnologias a serem usadas no campo, prejuízos para o meio ambiente e sustentabilidade das propriedades rurais; pois todos estamos envolvidos e somos responsáveis.
Cecília Bernardi associa ações da Marcha
Mundial em São Paulo e Santo Ângelo
Andréa Farias - Jornalista - MTB 10967
Assessoria de Imprensa do II FSM
19/03/2010 - Em constante movimento pelo fim da dominação de classes, de gêneros e contra a violência, a Marcha Mundial de Mulheres promove mais uma ação internacional no Brasil. Neste momento, centenas de mulheres estão em caminhada de Campinas a São Paulo. A idéia é percorrer 100 km em 10 dias, num percurso que inclui agenda de protestos e formações. Entre as participantes, está uma das principais ativistas da MMM no RS, a engenheira agrônoma Cecília Bernardi, que também atua na organização das atividades da Marcha no III Fórum Social Missões, evento marcado para os dias 18, 19 e 20, no campus da URI, em Santo Ângelo.
Em São Paulo, Cecília coordena a distribuição da alimentação para mais de 1600 mulheres de todo Brasil, entre sindicalistas, agricultoras, trabalhadoras em geral. “Como militante de um movimento internacional desta envergadura não poderia deixar minhas companheiras na mão”, justificou a agrônoma, que teve de marcar o retorno à região somente para 18 de março, dia da abertura do Fórum Social Missões. Segundo ela, os encaminhamentos do Fórum missioneiro neste período serão feitos pelas mulheres que compõe o núcleo Missões e Fronteira Noroeste da Marcha Mundial de Mulheres. Elas coordenam a programação do último dia do evento (20/3), que inclui conferências, oficinas, apresentações artísticas e atividades culturais. “A defesa das causas que afetam as mulheres é um trabalho intenso e constante. Por isso, nos desdobramos em inúmeras ações para atendermos às mais diversas necessidades do público feminino”, lembrou a agrônoma. “É o mesmo o objetivo da caminhada em São Paulo e da nossa participação no FSM: o direito da mulher à cidadania, à cultura, à igualdade, etc”, completou a sindicalista Giselda Diesel.
De São Paulo, Cecília reforçou o convite às mulheres e ao público em geral para que prestigiem o III Fórum Social Missões. “Mesmo aqui de longe, continuo apoiando as companheiras na região para concluirmos a programação dedicada às mulheres no FSM. No dia 18, estarei em Santo Ângelo para mostrar pessoalmente o quanto ficou especial o que planejamos para todas elas”, concluiu Cecília.
O evento tem os patrocínios da Caixa, da Prefeitura de Santo Ângelo, do Governo Federal, do CPERS, da Eletrosul, da CUT, da Rede de Educação Cidadã e da Cooperluz
Crianças protegidas; mães sossegadas no III Fórum Social Missões
Neste ano a grande novidade será a existência de uma Creche onde as crianças que virão ao evento serão atendidas por acadêmicos(as) e professores(as) do curso de pedagogia e educação física da URI.
A professora Rosângela Angelin, uma das coordenadoras do evento e integrante da ONG AREDE, diz que a possibilidade de se ter uma Creche no III FSM é uma conquista para as mulheres que, historicamente acabam não participando da vida pública, pois a elas é que recai, principalmente, a tarefa de criar e educar os(a) filhos(as), enquanto os homens participam livremente da vida pública. Isso tem causado para a humanidade um afastamento das mulheres das decisões de Estado e da política.” Com a implementação da Creche neste evento, as mulheres que não tem com quem deixar seus filhos, não precisam mais se ausentar. “Além de poderem participar das atividades, saberão que seus filhos e filhas estarão muito bem assistidos”, acrescentou a dirigente.
Já a coordenadora do curso de pedagogia da URI, professora Eloisa Mazo, entende que a experiência dará aos estudantes e professores a oportunidade de aplicar na prática aquilo que é debatido em sala de aula. O público alvo, crianças de 4 a 12 anos, participarão de atividades recreativas através de jogos cooperativos, contação de histórias, construções com sucata e visitação ao Campus da URI. Após a experiência haverá um seminário para avaliação desta atividade.
A crise ambiental e
a insuficiência das legislações
Rosângela Angelin - Doutora em Direito pela Universidade de Osnabrueck (Alemanha), docente do Curso de Direito das Faculdades Integradas Machado de Assis (Fema) e colaboradora da AREDE.
19/02/2010 - Nos últimos períodos, as catástrofes ambientais vêm se intensificando e ameaçando a qualidade de vida dos seres humanos através de terremotos, enchentes, secas, poluição, falta de água, aumento de temperatura. O planeta encontra-se em uma crise alarmante, sendo esta oriunda, principalmente, da intervenção dos seres humanos sobre o meio ambiente natural. Diante disso, qual seria o papel do Estado de Direito e de suas leis para conter este problema de crise que ameaça a vida no planeta?
O relatório da Global Footprint Network, publicado na “Revista Planeta” de fevereiro de 2010, a espécie humana utiliza-se dos bens naturais numa taxa 44% mais elevada do que a capacidade do meio ambiente natural se regenerar e absorver os impactos. Assim, seguindo o curso das “necessidades” criadas pelos seres humanos, no ano de 2030, serão necessários dois planetas para atender a esta demanda desenfreada.
O Direito Internacional dispensou uma atenção especial ao tema da tutela ambiental a partir do final da década de 1960, início de 1970, tratando deste tema inclusive em Conferências das Nações Unidas. Desde então surgiram inúmeros tratados e acordos internacionais por todos(as) conhecidos e, os países têm adotado, em seus ordenamentos jurídicos e, em suas Constituições, dispositivos de proteção ambiental. Neste cenário, o Brasil apresenta uma das melhores legislações ambientais do mundo e, sem dúvidas, o disposto no Art. 225 da Constituição Federal de 1988 é um dos grandes exemplos a ser seguido por outros Estados de Direito. No entanto, tal arcabouço jurídico não tem sido efetivo na resolução da destruição massiva do meio ambiente.
As legislações ambientais não apresentam efetividade, devido a organização jurídica, política e ideológica dos Estados de Direito, que tem como prioridade a exploração dos seres humanos e do meio ambiente para alcançar o “desenvolvimento econômico” desejado, sendo este princípio também defendido pelo Direito, através da livre iniciativa que, infelizmente, está se sobrepondo a vida dos seres humanos no planeta e gerando a miséria de muitos(as). Assim, não bastam existir exímias legislações ambientais se, no conflito de interesses entre a proteção ao meio ambiente e o desenvolvimento econômico, este último sempre se sobreponha. Infelizmente, a maioria dos seres humanos e daqueles que governam nossos Estados e são responsáveis pela efetivação da legislação ambiental, perderam a noção de que somos nós que precisamos do planeta terra para sobreviver e não ele de nós. Neste cenário de tragédia, se faz muito pertinente indagação de Dobson “A preocupação pela natureza e pelo meio ambiente não é, na realidade, a preocupação por nós mesmos?”
Educação ambiental para odesenvolvimento sustentável
Rosângela Angelin - Doutora em Direito pela Universidade de Osnabrueck (Alemanha), docente do Curso de Direito das Faculdades Integradas Machado de Assis (Fema) e colaboradora da AREDE.
29/01/2010 - A naturalização da ideia de exploração da natureza e dos seres humanos com a finalidade de alcançar um determinado modelo de desenvolvimento econômico tem contribuído para o aumento dos riscos ambientais. O termo desenvolvimento sustentável surge como enfrentamento desta crise ecológica global e abrange a estratégia de um desenvolvimento voltado para uma harmônica “coexistência” entre o desenvolvimento econômico e ecológico, o que pressupõe uma interrelação entre qualidade de vida, justiça social, equilíbrio do meio ambiente e desenvolvimento econômico.
A atual Constituição de 1988 deu ênfase especial ao Princípio da Sustentabilidade, tanto no Artigo 225, o qual, ao mesmo tempo que garante o direito a um meio ambiente equilibrado para todos, impõe a co-responsabilidade da coletividade em defendê-lo e preservá-lo, possibilitando, uma ativa participação dos (as) cidadãos (ãs) e um trabalho conjunto com o Poder Público na tutela ambiental. Além disso, o Artigo 170, VI, CF/88 versa sobre a defesa do meio ambiente como um pressuposto para o desenvolvimento econômico. Porém, embora a Constituição Federal brasileira enfatize a tutela ambiental como um direito fundamental dos cidadãos, o modelo atual de desenvolvi-mento econômico capitalista é quem segue ditando as regras para o propagado “desenvolvimento sustentável”. Sendo assim, ao contrário do que muitos afirmam, a ecologização do capitalismo não é possível. Este tem se mostrado incompatível com as exigências ecológicas de um desenvolvimento sustentável.
Diante do poder do “mercado” a legislação vigente está sendo incapaz de frear, controlar e regular a destruição dos recursos naturais e a poluição ambiental. Faz-se necessária uma mudança geral e urgente de atitudes para com o meio ambiente e, neste contexto, a educação ambiental se apresenta como um importante método, que se baseia na tomada de consciência da coletividade sobre a importância da preservação ambiental para uma melhor qualidade de vida, bem como sobre sua co-responsabilidade na proteção am-biental.
A educação ambiental é, sem dúvidas, um grande desafio para a atual sociedade e, em especial, para os professores e educadores ambientais, os quais possuem a difícil tarefa de trazer para o debate a conexão existente entre a destruição ambiental, o atual modelo de produção capitalista e os problemas sociais, bem como trabalhar a diversidade cultural, a ideologia e os diferentes interesses da sociedade na esfera da proteção ambiental. A educação ambiental encontra-se baseada no desenvolvimento de valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a preservação ambiental, com a finalidade de garantir uma qualidade de vida sadia para as gerações presentes e futuras, abrangendo, portanto, uma dimensão humanitária, holística, interdisciplinar e democrática da proteção ambiental.
Produção de Soja Orgânica
Alexandre Puhl – Engenheiro Agrônomo UNICOOPER - AREDE.
22/01/2010 - A Cooperativa Central da Agricultura Familiar - UNICOOPER em parceria com a empresa Cataratas do Iguaçu Alimentos Orgânicos Ltda. -(“gebana Brasil”). “Gebana Brasil” com sede em Capanema, região oeste do Paraná, comercializam produtos orgânicos, desde o ano 2000, vem atuando na Região Fronteira Noroeste e Missões do Rio Grande do Sul, em mais de 20 municípios, no apoio da produção de produtos agrícolas orgânicos. Ressaltando a produção da soja orgânica, dando especial atenção aos agricultores familiares desde a produção, certificação até a comercialização.
A UNICOOPER também teve o apoio e parceria constituída com a AREDE ( Associação Regional de Educação, Desenvolvimento e Pesquisa) em 2008 onde desenvolveu um projeto da ONG CASA ( Centro de Apoio Socio- Ambiental) do Mato Grosso, que apoiou as iniciativas da produção orgânica na região Fronteira Noroeste e Missões. Este se concretizou com o apoio do Projeto de Assistência Técnica, que possibilitou a liberação de um técnico para acompanhamento das famílias que fazem parte do projeto da soja orgânica da UNICOOPER. Esta parceria esta possibilitando a produção de um vídeo e uma cartilha, para auxiliar o trabalho de conscientização dos agricultores quanto a produção da soja orgânica.
A área de produção orgânica na região vem crescendo gradativamente, aumentamos de 169 hectares de soja em 2008 para mais de 300 na safra deste ano, contribuindo na geração de renda de mais de 60 famílias da região que investem na cultura, com ótima remuneração ao produtor, preservação do meio ambiente e incentivando o consumo de alimentos saudáveis.
Além da soja orgânica se caracterizar por ser um produto rentável, mediante o acompanhamento técnico da UNICOOPER e a utilização de tecnologia alternativa e apropriada para obter sucesso na produção, visa-se principalmente a preservação e conservação do meio ambiente, mediante a geração de renda aos agricultores, possibilitando ainda a diversificação da produção da propriedade, assim como a rotação de culturas.
O mercado orgânico da soja só tende a se ampliar, devido à remuneração justa ao produto que gera renda, agrega valor a mão de obra e a tecnologia disponível na propriedade para a produção da soja. Pois o agricultor que produz no sistema orgânico tem diferencial tanto na produção quanto na renda, pois este pode receber gratificação de 35% á mais comparado ao preço do mercado da soja convencional ou transgênica.
A UNICOOPER em parceria com a “Gebana Brasil” desenvolveram e construiram tecnologia apropriada para a agricultura familiar, para o aperfeiçoamento de cultivos orgânicos e agroecológicos da Região Fronteira Noroeste e Missões do Rio Grande do Sul. A capinadeira para sistema plantio direto em sistema orgânico, desenvolvida cuidadosamente para revolucionar o sistema de produção orgânica, sem o uso de secantes químicos que agridem a natureza.
A UNICOOPER cada vez mais tem se empenhado no desenvolvimento de novas tecnologias apropriadas e eficazes na produção orgânica, também no acompanhamento da produção, mediante o fornecimento e utilização de insumos (sementes, fertilizantes, inseticidas, fungicidas, bactericidas e acaricidas), sendo que a utilização da tecnologia alternativa permite excluir o uso de fertilizantes de alta solubilidade e agrotóxicos que contamina tanto a natureza assim como intoxicam o ser humano.
O agricultor (a) que quer conhecer as experiências da produção orgânica e obter maiores informações sobre a produção orgânica na região pode procurar a UNICOOPER, pelo telefone 55 – 3513-2045 ou 9626-0440
Produção agroecológica se consolida na região
15/01/2010 - Hoje a maioria dos (as) agricultores (as), ainda dependem muito das indústrias, pois, na “agricultura convencional”, o/a agricultor/a apenas planta e colhe, ficando a indústria com a parte mais segura e lucrativa, que é o fornecimento de insumos, o beneficiamento e a distribuição da produção, resultando numa remuneração cada vez menor para o/a agricultor/a.
As indústrias fazem o direcionamento produtivo através do incentivo aos produtos de exportação em detrimento dos alimentos básicos, o que agravou ainda mais os problemas da fome.
A destruição do meio ambiente com fertilizantes químicos altamente solúveis, o uso intensivo de maquinários, o manejo inadequado dos solos, comprometeu seriamente a fertilidade natural da terra. O uso de venenos vem poluindo solos e águas, desequilibrando os ecossistemas e causando doenças e morte tanto dos/as agricultores/as como dos/as consumidores/as.
Como podemos observar os prejuízos econômicos, sociais, ambientais e energéticos, para o benefício imediato de poucos, são enormes e a longo prazo serão prejuízos irreparáveis para todos.
Diante deste contexto relatado, estamos desenvolvendo, uma agricultura desvinculada do esquema da chamada “agricultura moderna” e os próprios/as agricultores/as e organizações como a AREDE (Associação Regional de Educação Desenvolvimento e Pesquisa) começaram a construir outras possibilidades. Atualmente existe o conhecimento, e insumos para produzir agroecologicamente, insumos estes que estão disponíveis no mercado, sendo que estes não poluem o meio ambiente. Temos na região várias experiências agroecológicas, que estão dando certo, um exemplo concreto é uma diversidade de produção de fruticultura, hortaliças e cana-de-açúcar. A produção da soja se destaca com uma área de aproximadamente 300 hectares de soja orgânico, lavouras estas que recebem assistência técnica da Arede e da Unicooper, sendo que os insumos agroecológicos atendem as necessidades dos cultivos.
Estes esforços estão sendo feitos para gerar novos padrões de produção. Inicialmente, a partir das entidades e agricultores/as comprometidas com uma assistência técnica e estes frutos começam a desencadear num processo de conhecimento técnico em muitos municípios da Região das Missões e Fronteira Noroeste.
A agricultura que os/as agricultores/as vem adotando esta associando os conhecimentos empíricos dos/as agricultores/as, acumulados através de muitas gerações, ao conhecimento científico atual para que, em conjunto, técnicos/as e agricultores/as possam fazer uma agricultura com padrões ecológicos (respeitando à natureza), econômicos (eficiência produtiva), sociais (eficiência distributiva) e com sustentabilidade a longo prazo.
A agricultura agroecológica é vista como um sistema vivo e complexo, inserida na natureza rica em diversidade.
É importante salientar que agricultores/as familiares, ao mesmo tempo em que produzem, consomem parte desta produção. Esses alimentos produzidos na sua própria propriedade são de maior qualidade, e além disto estará gerando uma renda durante o ano inteiro. Nesse sentido, a monocultura é um problema para a agricultura familiar, não traz qualidade de alimento e ainda tem uma renda muito localizada em alguns meses do ano.
Esta prevista pelos convênios que a AREDE tem com o Governo Federal através do Ministério do Desenvolvimento Agrário, assistência técnica a mais de mil famílias de agricultores/as familiares da Região Missões e Fronteira Noroeste,
Com isto a equipe técnica da AREDE deseja a todos/as agricultores/as, que os dias deste novo ano, sejam uma sequência de uma boa produção.
Programação Santa Maria
21 de janeiro
Chegada das caravanas e montagem da Feira Mundial de ES, em Santa Maria.
22 de janeiro
Manhã:
9h – Abertura do Fórum Social de Economia Solidária e Feira Mundial de Economia Solidária
Tarde:
14h-18h – Assembleia Intercontinental: Economia Solidária e Fórum Social Mundial - retrospectivas e perspectivas
Assembleia de análise de conjuntura, tendo como questão: Qual o avanço da Economia Solidária como alternativa ao capitalismo?
Representantes de redes e fóruns estaduais/ locais trazem as discussões que realizaram anteriormente acerca da questão proposta para a análise de conjuntura.
Noite:
Atividade cultural
23 de janeiro
9h-18h - Debate por eixos.
Debates por eixo com metodologia participativa, tendo como objetivo trazer os balanços, experiências e agendas em cada tema.
* Construindo um Sistema Financeiro Solidário
* Construindo uma Educação e Cultura Solidárias
* Construindo uma Integração Solidária Internacional
* Construindo produção, comercialização e consumo solidários
* Construindo uma Soberania Alimentar e Nutricional
Noite:
Atividade cultural: Festa
24 de janeiro
Manhã:
9h-12h - Oficinas autogestionárias e Espaços de vivência
As inscrições para as oficinas e espaços de vivência serão feitas na página do FSES
Tarde:
14h-18h - Assembleia intercontinental: As propostas da economia solidária na nova agenda do FSM.
Apresentação das sínteses dos debates do dia 23/01. Estas sínteses comporão o documento do FSES.
Noite:
Atividade cultural
25 de janeiro
Caravana para FSM 10 Anos
Saída às 9h, em caravana
Grande Porto Alegre - FSM 10 Anos
25 de janeiro
Manhã:
Participação no Seminário Fórum Social Mundial – Balanço de 10 anos, em Porto Alegre.
Montagem da Feira em Canoas
Tarde:
Caminhada do Fórum Social Mundial 10 anos – Grande Porto Alegre, em Porto Alegre.
26 de janeiro
Manhã:
Participação no Seminário Conjuntura Mundial Hoje – conjuntura econômica, em Porto Alegre
Tarde:
Oficinas autogestionárias com movimentos sociais e populares tendo como tema gerador: Trabalho digno - direito ao trabalho associado.
As atividades acontecerão em Canoas e outros locais a serem agendados com os movimentos.
27 de janeiro
Manhã:
Participação no Seminário Elementos de uma nova agenda – sustentabilidade, em Porto Alegre.
Tarde:
Seminário Estado e Novos modelos de desenvolvimento
Debate sobre políticas públicas de economia solidária: experiências internacionais.
28 de janeiro
Manhã:
Participação no Seminário Elementos de uma nova agenda – organização do estado e poder político, em Porto Alegre.
Tarde:
Participação na atividade com presidentes latinoamericanos, em Porto Alegre.
29 de janeiro
Manhã:
1. Participação na Assembleia de Relatores/as, levando as sínteses de Santa Maria e atividades da Grande Porto Alegre: em Porto Alegre.
2. Perspectivas de novas agendas: apresentação pelos/as relatores/as das atividades do dia 26 de janeiro das agendas ao movimento de econoia solidária.
Tarde:
Participação na Assembléia dos Movimentos Sociais, em Porto Alegre
A Produção de Alimentos no
fortalecimento da Agricultura Familiar
Otávio Diel Deves - Bach.em Desenvolvimento Rural & Gestão Agroindustrial e Mestre em Desenvolvimento Rural
Colaborador da AREDE.
19/12/2009 - Recentemente tivemos profundas mudanças nas relações de produção e consumo de alimentos. Para iniciarmos nossa discussão, façamos um pequeno resgate daquilo que temos observado em nossas experiências nas regiões Fronteira Noroeste e Missões. Duas regiões com características e processos de colonização semelhantes. De que forma se comporta a produção e consumo de alimentos na atualidade, em relação a um período anterior (década de 1990)?
Visualizamos que mudanças em aspectos relacionados à demanda por alimentos, bem como mudanças em relação à produção dos mesmos. A PGPM – Política de Garantia dos Preços Mínimos, criada em 1943 é considerada uma das primeiras políticas públicas voltadas à agricultura, bem como sendo um instrumento de comercialização e fortalecimento da produção, visando o equilíbrio dos preços.
Mas de que forma atualmente temos presente as políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar? Atendem aspectos desde a produção, garantia de preços, melhoria da qualidade de vida?
Atualmente visualizamos uma situação podemos dizer agradável, boa, em relação à comercialização. A produção de alimentos muitas vezes não é suficiente para atender as demandas locais, diferentemente do que ocorria num período anterior.
Várias situações e aspectos podemos apontar referente às mudanças ocorridas. Algo diferente, recentemente tem colaborado para modificações nos aspectos produtivos em relação à cadeia produtiva no processo desde a produção do alimentos até o seu consumo final. Estamos falando do Programa de Aquisição de Alimentos - PAA, criado em 2003, que tem permitido estabelecer uma relação, podemos dizer adequada, entre a produção e o consumo dos alimentos, através da inter-relação do público beneficiário (agricultores, cooperativas, consumidores (creches, escolas, Apaes, ...). Várias são as experiências em nível de região, exitosas não apenas pelo fato de atender a produção de alimentos, mas preponderantemente pela forma como tem fortalecido os empreendimentos familiares e as organizações a ela relacionadas, as quais historicamente tem sido excluídas de políticas públicas.
Em nossas experiências, identificamos que a garantia da compra dos alimentos, a existência de mercado consumidor local, são alguns elementos fundamentais, no fortalecimento das agroindústrias de diversas esferas produtivas (derivados de cana, farináceos, derivados de leite, etc.) existentes na região. Sem sombra de dúvidas, a lei 11.947 de 16 de junho de 2009, que exige que mínimo 30% dos alimentos destinados à merenda escolar (FNDE) sejam oriundos da agricultura familiar, vai ampliar a demanda por alimentos produzidos pela agricultura familiar. Muitas vezes, não é dado o devido valor, não apenas econômico, mas cultural, com características de cada região. Se perguntarmos a um morador da cidade, provavelmente ele sabe nos dizer um valor exato de seu gasto mensal com alimentos. Na agricultura, muitas vezes não damos o devido valor para tudo aquilo que é produzido e consumido. Você agricultor (a), sabe quanto consome mensalmente de alimento (carne, leite, ovos, batata, frutas,...)e o que isto representaria em seu orçamento no final do ano?
Enfim, diante disso é importante termos consciência, desde o consumo dos alimentos, em priorizarmos aquilo que contribui localmente, em que se faz necessário, a mudança de hábitos de consumo, envolvendo a educação desde as crianças até a formação de lideranças, em torno do potencial que temos em produzir alimentos, em diversificarmos a matriz produtiva e que isto seja um instrumento de desenvolvimento dos municípios, e os recursos gerados possam permanecer localmente promovendo a melhoria da qualidade de vida da população.
Mulheres e agroecologia: o sucesso de uma
experiência no Sul do Brasil
Fabiana Raquel Bender - Técnica em Agropecuária e Colaboradora da Associação Regional de Educaçã o Desenvolvimento e Pesquisa.
12/12/2009 - Nos dias 01 a 03 de dezembro, deste ano. ocorreu no Centro de Formação Maria Rosa, em Chapecó – Santa Catarina, a II oficina de Intercâmbio e Sistematização de Experiências Agroecológicas de Mulheres da Região Sul do Brasil, onde estiveram participando mulheres dos três estados do sul: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Do Rio Grande do Sul estiveram participando uma representante da AREDE e uma agricultora familiar representando a Agroindústria São José, localizada no município de Porto Vera Cruz. Nesta oficina foi apresentada a experiência da agroindústria acima citada.
A sistematização de experiências é uma dinâmica que está sendo realizada com estas mulheres para retomar as experiências vivenciadas. No desenvolver do processo de sistematização, as agricultoras revivem momentos que não tinham mais presentes no seu cotidiano, e isto é muito importante, pois as mulheres percebem quantas dificuldades enfrentaram para chegar no momento em que se encontram atualmente. Esta dinâmica tem dado forças para que elas percebam o quanto são fortes e continuem lutando para que as experiências de produção agroecológica continuem dando passos importantes a cada dia.
No primeiro dia da oficina as mulheres de cada estado tiveram a oportunidade de apresentar o roteiro da sistematização de suas experiência e as atividades que foram realizadas até o momento. Em seguida debateram em plenária sobre os comentários gerais das sistematizações apresentadas, os avanços e desafios que ainda têm pela frente.
Durante o segundo dia da oficina foram realizadas visitas de intercâmbio a três experiências do MMC de Santa Catarina. Logo após o retorno das visitas, foi realizada uma apresentação em plenária dos grupos visitados com debates e Feira de Saberes e Sabores, na qual as mulheres tiveram a oportunidade de apresentar o seu trabalho e comercializar os seus produtos.
No terceiro dia foi feita uma reflexão sobre Mulheres, Feminismo e Agroecologia e os encaminhamentos para a terceira oficina que ocorrerá no ano de 2010, na Lapa, no Estado do Paraná.
Estas oficinas de sistematização remetem à certeza de que existem muitas mulheres agricultoras familiares que resistem, que acreditam numa agricultura sustentável e lutam para viabilizá-la de forma agroecológica e solidária.
Falta uma semana para 3ª Ecosol
Airton Rodrigues da Silva
05/12/2009 - Alimentos orgânicos, artesanato, floricultura e uma ampla agenda cultural são os atrativos da feira.
Estão sendo ultimados os preparativos da 3ª Feira de Economia Solidária e Agroecologia que será realizada no Parque de Exposições de Santa Rosa nos dia 12 e 13 de dezembro de 2009. Expositores de toda região Fronteira Noroeste e Missões já confirmaram presença. Além destes, comitivas de Ijui, Cruz Alta, Passo Fundo, Crissiumal e diversos outros municípios do estado e até do Mato Grosso irão participar.
A abertura oficial do evento acontece no manhã de sábado as 10 horas. Mas antes disso, já iniciam os jogos cooperativos envolvendo dezesseis escolas da região que integram o Programa de Cooperativismo nas Escolas – PCE desenvolvido pela Cooperluz. Durante os dois dias de evento serão comercializados produtos da agricultura familiar, cooperativas, agroindústrias e associações urbanas de economias solidárias. Alimentos, artesanato, floricultura e uma ampla agenda cultural são os atrativos da feira.
Na parte artísitica, o destaque será para a diversidade com espaços para as mais diferentes manifestações culturais como dança, capoeira, hip-hop, pintura, desenho, grafite, entre outras. O cantor nativista Antônio Gringo encerra a feira com um show nativista no domingo as 17 horas no palco da Praça de Alimentação. Além dele, outras artiscas locais e regionais terão espaço durante os dois dias de evento.
Quem quizer almoçar no parque terá a opção do restaurante solidário, coordenado por um grupo de mulheres que constituem um grupo de economia solidária, com um cardápio variado e saudável, acompanhado de sucos naturais.
Segundo Airton Rodrigues da Silva, coordenador da feira, o evento pretende afirmar que uma outra economia, com respeito ao ser humano e ao meio ambiente está se desenvolvendo na região e quer ampliar sua inserção, para que possamos construir um mundo mais justo e sustentável.
A feira terá entrada franca e é promovida pela AREDE – Associação Regional de Educação, Desenvolvimento ePesquisa, UNICOOPER, Prefeitura de Santa Rosa e tem como patrocinadores a Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego do Governo Federal, a Corsan e a Cooperluz.
Ecosol, do discurso à prática
Airton Rodrigues da Silva
28/11/2009 - A feira da Economia Solidaria e Agroecologia que acontece nos dias 12 e 13 de dezembro de 2009 no Parque de Exposições de Santa Rosa tem um objetivo claro: mostrar a prática para fortalecer o discurso. Já sabemos a famosa frase que “um exemplo vale mais que mil palavras”. E ela tem um significado muito profundo, sobretudo quando falamos em transformação da sociedade e em sustentabilidade ambiental. Ainda temos muito a aprender e a fazer nesses dois aspectos, mas também já temos muito a mostrar de avanços.
Pensar uma nova economia, que se fundamente na sustentabilidade ambiental, estabeleça relações de trabalho justas, gere renda e dignidade humana, é um desafio gigantesco quando vivemos num mundo que estimula o individualismo, a competição e o consumo desenfreado. No entanto, esse desafio está sendo aceito por um número significativo de pessoas. Estas vão estar na 3ª ECOSOL mostrando suas experiências.
Mas o mais importante nesse momento, é ressaltar que cada um de nós, inclusive você que está lendo este artigo, pode se tornar um consumidor solidário. Tenho sempre afirmado que não existe discurso ambiental eficiente e coerente que não defenda uma mudança no ato de consumir. Eis aí o grande motor da humanidade, pois é o consumo que aciona a produção. No ato de consumir estamos emitindo um posicionamento político. Estamos dizendo “sim eu apóio” essa forma de produzir. Devemos sempre nos pergintar, de onde vem aquele produto, qual sua composição, quanto de embalagem estou pagando, esta embalagem tem retorno, qual o impacto na minha saúde, entre outras questões importantes. Nós, os ditos seres humanos, nos tornamos especialistas em reclamar, mas reclamar dos outros e do governo. Mas ainda reclamamos muito pouco como consumidores. E temos um poder imenso nas nossas mãos. É importante reclamar e reivindicar. No entanto, é importante lembrar que a moral para a crítica é proporcional ao compromisso que estou assumindo,ou estou disposto a assumir para resolver tal questão.
A 3ª ECOSOL quer trazer o debate do consumo cada vez mais presente em nossa região. Mas não quer fazer isso no discurso. Quer apresentar alternativas de consumo, sobretudo de alimentos, valorizando a produção local, gerando renda a grupos organizados ou grupos familiares que tem a preocupação de produzir sem agredir, ou agredir o mínimo possível o meio ambiente. Valorizar essa forma de produzir,é utilizar nosso poder de consumidores para gerar desenvolvimento, aqui entendido não apenas como crescimento econômico, mas como geração e distribuição da renda, preservação da saúde e do meio ambiente, educação e cultura.
Para tanto, convidamos a todos para apoiar essa idéia. Teremos expositores das Regiões Missões, Fronteira Noroeste além de outras regiões do Estado e de fora do Rio Grande do Sul. É uma feira diferente. Onde o objetivo não é apenas comercializar produtos, mas apresentar e consolidar uma idéia.
Lideranças articuladas pela AREDE
participaram de
Encontro sobre Certificação Orgânica de alimentos
21/11/2009 - Nos dias 13, 14 e 15 de novembro foi realizado na cidade de Ipê, na Serra Gaúcha, o 7°ð Encontro Ampliado da Rede Ecovida, sobre o tema “Agricultura familiar ecológica: Produzindo alimentos, Alimentando sonhos”.
Participaram do encontro mais de 700 lideranças de 24 Núcleos da Rede Ecovida de Agroecologia dos três estados do Sul do Brasil e representação de outros estados e países como Costa Rica. O evento foi organizado pelo Núcleo Serra junto com Centro Ecológico Ipê.
Objetivo da atividade foi fortalecer a Rede Ecovida, reforçando a mobilização em torno da agroecologia através do convívio, do intercambio de experiências e da reflexão conjunta, assim como para preparar e motivar a atuação nos espaços locais junto a agricultores (as), consumidores (as) e poder público.Eixos Temáticos
I) Sistemas participativos de garantia;
II) Mercado institucional e soberania alimentar.
III) Sistemas agroflorestais,
IV) Biodiversidade (semente e raças crioulas);
V) educação e juventude no campo;
VI) seguridade e rastreabilidade da agrobiodiversidade.
O Núcleo Missões estava presente com uma delegação de 25 participantes, sendo representado pela AREDE, integrantes de várias Cooperativas da Agricultura Familiar, agricultores (as) e representante da Secretaria de Agricultura de Santa Rosa e Tucunduva
O encontro também ofereceu várias oficinas como: semeadura sobre papel e composto; métodos de prevenção e de controle biológico de insetos e doenças em sistemas agroecológicos; circuito de comercialização; alimentação escolar e abastecimento; a construção de uma proposta da Rede Ecovida.
A avaliação dos (as) participantes foi muito positiva com as atividades realizadas, pois foi uma oportunidade de verificar o que já está acontecendo e em breve estará sendo desenvolvido na nossa região.
O Núcleo Missões em conjunto com a AREDE e Unicooper tem o desafio e a tarefa de aumentar os (as) agricultores (as) que já estão com produção orgânica e construir na região um grande grupo de agricultores (as) para produção agroecológica e buscar sua certificação através da Rede Ecovida de Agoecologia,. A AREDE esta coordenando junto com o núcleo missões o Sistema Participativo de Garantia da conformidade Orgânica. È um sistema solidário de geração de credibilidade, onde a elaboração e a verificação das normas de produção ecológica são realizadas com a participação efetiva de agricultores (as) e consumidores (as), buscando o aperfeiçoamento constante e o respeito às características de cada realidade.O selo Ecovida é obtido após uma série de procedimentos desenvolvidos dentro de cada núcleo regional. Ali ocorre a filiação à Rede, a troca de experiências e verificação do Conselho de Ética.
Sistema Participativo de Garantia da conformidade Orgânico é uma forma diferente de certificação que além de garantir a qualidade do produto ecológico, permite o respeito e a valorização da cultura local através da aproximação de agricultores/as e consumidores/as e da construção de uma Rede que congrega iniciativas de diferentes regiões.
Consumo Consciente
29/08/2009 - Pense rápido: o que é consumo? A palavra é bem conhecida de todos e, seguramente, tem algum significado para você. Consumir implica em um processo de seis etapas que, normalmente, realizamos de modo automático e, mais ainda, muitas vezes impulsivo. O mais comum é as pessoas associarem consumo a compras, o que está correto, mas incompleto, pois não engloba todo o sentido do verbo. A compra é apenas uma etapa do consumo. Antes dela, temos que decidir o que consumir, por que consumir, como consumir e de quem consumir. Depois de refletir a respeito desses pontos é que partimos para a compra. E após a compra, existe o uso e o descarte do que foi adquirido.
Considerando todos esses aspectos do consumo, você vai ver que ele está presente praticamente o tempo todo em nossas vidas. Por isso o consumo é algo muito importante e que provoca diversos impactos. Primeiro em nós mesmos, já que temos que arcar com as despesas do consumo e também nos beneficiamos do bem estar derivado dele. Depois, o impacto na economia, porque ao adquirirmos algo, movimentamos a máquina de produção e distribuição, ativando a economia. Também afeta a sociedade, porque é dentro dela que ocorrem a produção, as trocas e as transformações provocadas pelo consumo. E por fim, o impacto sobre a natureza, que nos fornece as matérias-primas para a produção de tudo o que consumimos.
O consumo é um dos nossos grandes instrumentos de bem estar, mas precisamos aprender a produzir e consumir os bens e serviços de uma maneira diferente da atual, visto que o modelo hoje utilizado de produção e consumo contribuiu para aprofundar alguns aspectos da desigualdade social e do desequilíbrio ambiental. Mas as coisas não precisam ser assim e existe um enorme potencial para que o consumo que nos trouxe a essa situação, se exercido de outra forma, nos tire dela. Vamos ver como?
Consumo Consciente
Bem, agora que você já sabe que muitos dos nossos atos são atos de consumo e que eles impactam a sua vida e as condições da vida no planeta, chegou a hora de saber como você pode usar suas escolhas de consumo para ajudar a construir um mundo social e ambientalmente melhor. O caminho passa pela adoção do consumo consciente. E o que é consumo consciente? É consumir levando em consideração os impactos provocados pelo consumo. Explicando melhor: o consumidor pode, por meio de suas escolhas, buscar maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos dos seus atos de consumo, e desta forma contribuir com seu poder de consumo para construir um mundo melhor. Isso é Consumo Consciente. Em poucas palavras, é um consumo com consciência de seu impacto e voltado à sustentabilidade.
O consumidor consciente busca o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a sustentabilidade do planeta, lembrando que a sustentabilidade implica em um modelo ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável. O consumidor consciente reflete a respeito de seus atos de consumo e como eles irão repercutir não só sobre si mesmo, mas também sobre as relações sociais, a economia e a natureza. O consumidor consciente também busca disseminar o conceito e a prática do consumo consciente, fazendo com que pequenos gestos de consumo realizados por um número muito grande de pessoas promovam grandes transformações.
O consumo consciente pode ser praticado no dia-a-dia, por meio de gestos simples que levem em conta os impactos da compra, uso ou descarte de produtos ou serviços. Tais gestos incluem o uso e descarte de recursos naturais como a água, a compra, uso e descarte dos diversos produtos ou serviços, e a escolha das empresas das quais comprar, em função de sua responsabilidade sócio-ambiental. Assim, o consumo consciente é uma contribuição voluntária, cotidiana e solidária para garantir a sustentabilidade da vida no planeta.
Praticar o consumo consciente consiste numa atitude de liberdade de escolha e de protagonismo da própria existência. É uma tomada de posição clara, democrática e ética. O consumo consciente fatalmente irá gerar uma reflexão e tal reflexão pelos consumidores deverá gerar uma cadeia de estímulos que irá contagiar positivamente as empresas e seus funcionários, sua família, colegas e amigos que, diante do exemplo, serão impelidos a refletir sobre os seus próprios atos de consumo.
Arede realizou viagem de estudos
para Antônio Prado, Ipê e Montenegro
22/08/2009 - Na semana passada, a ONG AREDE (Associação Regional de Educação, Desenvolvimento e Pesquisa) de Santa Rosa, juntamente com a Unicooper e diversas prefeituras da região, realizaram uma viagem de estudos a duas cooperativas que trabalham com a produção agroecológica no Rio Grande do Sul.
Entre os 45 integrantes da excursão, a maioria era de mulheres trabalhadoras rurais. Mas também participaram da viagem integrantes das Secretarias da Agricultura de Santo Cristo, Porto Vera Cruz, Tucunduva, Santa Rosa e São José do Inhacorá, associados da Unicooper, a prefeita de Porto Vera Cruz, Vanice Andrade de Matos e o vice-prefeito de Dr. Maurício Cardoso, Antenor Desconi.
No dia 12 de agosto, a visita foi à Cooperativa Ecocitrus de Montenegro que processa frutas cítricas produzidas por agricultores e agricultoras de vários municípios e comercializa in natura e em forma de suco, em vários estados do Brasil e com selo de produto ecológico. Além da unidade de processamento, foram visitados também uma estação de tratamento de resíduos, que recebe dejetos de várias empresas e transforma em adubo, bem como um produtor de frutas no sistema de agrofloresta, que possui 11 hectares de laranjas e bergamotas. O almoço foi feito em uma propriedade rural preparada para receber turistas e que mantém os traços históricos da colonização italiana e germânica da região.
No dia 13 de agosto, o grupo conheceu a experiência da Cooperativa Aécia, de Antônio Prado e Ipê. A referida cooperativa foi formada por jovens rurais há 20 anos e é responsável pela comercialização, sendo que a produção é realizada em vá-rias agroindústrias familiares. Também foram visitadas duas agroindústrias que procesam polpa de frutas e tomates.
Na avaliação das (os) participantes, a viagem foi muito produtiva e permitiu verificar que é possível produzir ecologicamente e que existe um mercado em franco crescimento para esta produção. No entanto, para chegar a este mercado é preciso planejamento, organização e conhecimento. As propriedades visitadas são de agricultura familiar com áreas pequenas e com produção diversificada, comprovando que é possível ter uma boa renda, mesmo tendo uma pequena área agricultável.
3ª Feira da Economia
Solidária e Agroecologia
01/08/2009 - Os empreendimentos de Economia Solidária das regiões Fronteira Noroeste e Missões vivem a expectativa da consolidação de mais um evento regional, a Feira da Economia Solidária e da Agrecologia, que será realizada em Santa Rosa nos dias 12 e 13 de dezembro. Os trabalhos de preparação para o evento já estão acontecendo desde março e, a partir deste mês de agosto vão se intensificar com reuniões das comissões de trabalho e planejamento com as cooperativas familiares da região, grupos culturais e étnicos.
A Economia Solidária é a nova denominação e o novo formato àquelas atividades econômicas realizadas por entidades sociais, sejam elas cooperativas, associações ou grupos familiares que visam fortalecer relações econômicas mais humanas, sem a exploração do trabalho, com respeito a saúde humana e ao meio ambiente. Ela tem por finalidade valorizar a pessoa humana em todas suas dimensões, com relações justas e que levem a emancipação. Os princípios da Economia Solidária se colocam contra toda e qualquer dominação e exclusão acreditando que uma sociedade justa e fraterna não será possível sem a construção de relações econômicas justas e fraternas.
Em nossa região, historicamente o trabalho solidário tem sido uma marca muito forte desde os povos indígenas. Com a colonização, esta característica se consolidou e, apesar do refluxo ocorrido a partir da década de 1960 com a mecanização e a profissionalização da agricultura, que trouxe uma guinada capitalista para a agricultura familiar, ainda permanece vivo o trabalho solidário e, ressurge com mais força a partir da década de 1990. O modelo de desenvolvimento proposto pelo pacote tecnológico dos governos militares, diante da monocultura, aumentou a dependência econômica da região e provocou o êxodo rural, a contaminação das pessoas e do meio ambiente pelo uso de agrotóxicos. A solução para esta situação aponta para a retomada de experiências de trabalho coletivo e de cuidado com o meio ambiente conhecidas na região, mas sufocadas pela hipnotizante fantasia do crescimento econômico descolado do desenvolvimento social e da proteção ao meio ambiente.
A Feira da economia solidária pretende demonstrar toda riqueza da diversidade econômica que os pequenos empreendimentos solidários já desenvolvem e consolidar essa prática econômica alternativa na região. Com o lema “Uma outra economia acontece” a organização da feira convida a todos os empreendimentos, entidades sociais e culturais para agendar esta data e participar do evento, mostrando seu trabalho no Parque de exposições de Santa Rosa. Para mais informações, entre em contato com a comissão organizadora através do endereço eletrônico www.feiraeps2009@yahoo.com.br . A 3ª Ecosol é promovida pela AREDE (Associação Regional Educação, Desenvolvimento e Pesquisa) com sede em Santa Rosa, Unicooper e Prefeitura Municipal de Santa Rosa e da Secretaria Nacional de Economia Solidária, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego.
Airton Rodrigues da Silva, da Coordenação Executiva da Feira
Coopercana: 10 anos de lutas e conquistas
25/07/2009 - A Cooperativa dos Produtores de Cana de Porto Xavier LTDA - COOPERCANA, sócia da AREDE, completou no dia 20 de julho de 2009 dez anos de atividade na produção de álcool combustível. Ela é formada por agricultores familiares e trabalhadores industriais e funciona de forma autogestionária. Esta cooperativa pratica a autogestão porque todos os que trabalham na produção e na industrialização são sócios da cooperativa, permanentemente dividem suas sobras operacionais, administram a cooperativa e criam programas e ações que procuram melhorar a qualidade de vida dos associados.
Esta cooperativa tem uma história peculiar. Ela foi construída a partir da falência da empresa ALPOX e do abandono do parque industrial da mesma. A ALPOX durante seu funcionamento atrasava pagamentos dos salários aos trabalhadores e não recolhia os impostos devidos. A falência deixou quem dependia desta indústria aparentemente sem alternativas. Os agricultores familiares que tinham plantado 800 ha de cana de açúcar e não tinham destino para esta e os trabalhadores da indústria desempregados. Com o apoio de sindicatos, associações de produtores, ONGs, cooperativas e sociedade civil foi concedido o arrendamento do parque industrial para a recém criada COOPERCANA, que no momento contava com 84 sócios.
A partir daí a COOPERCANA superou resistências sociais e, a cada ano que passa, amplia significativamente seu número de sócios. Atualmente são aproximadamente 310 sócios. A área plantada de cana-de-açúcar passa para 2.300 ha. O êxito da cooperativa refletiu-se na vida de seus associados. Todos começam a melhorar suas condições de vida, suas habitações, tem renda mensal garantida, voltaram a estudar e compram carros. Em setembro de 2004 a cooperativa compra o parque industrial e passa a ter garantia de continuidade e maior estabilidade para investir.
Nestes 10 anos de COOPERCANA cabe destacar a atuação diferenciada da cooperativa no desenvolvimento local. A cooperativa passou a recolher impostos. Apoiar a formação de cooperativas de crédito, em Porto Xavier e na região. Atuou na consolidação da cooperativa de produção de alimentos da agricultura familiar – COOPAX, fomento programas de reestruturação da produção de alimentos nas propriedades e a compra de alimentos nas cooperativas. Regionalmente, a COOPERCANA apóia juntamente com outras organizações, a implantação de microdestilarias de álcool em cooperativas e associações de agricultores familiares. Também vem realizando pesquisas de variedades e cultivos de cana de açúcar para a produção de alimentos adaptados ao noroeste do estado em conjunto com a Associação dos Sindicatos Fronteiriços e da Universidade Regional – URI.
A COOPERCANA é um exemplo a ser destacado. Por ser uma cooperativa autogestionária, democrática, geradora de renda e que, de forma concreta, tem melhorado a vida de seus sócios e da comunidade local e regional. Sua atuação tem fortalecido o desenvolvimento territorial local e regional, incluindo trabalhadores e agricultores familiares de forma cooperada. Que estes 10 anos de lutas e conquistas sirvam de estímulo para mais organizações cooperativas populares e solidárias.
Cecilia Margarida Bernardi
Engª Agrônoma e Mestranda em Educação nas Ciências pela UNIJUÍ.
Reduzindo o aquecimento
global com o plantio direto
18/07/2009 - Muito do debate em torno de soluções para o aquecimento global estão se concentrando na fase de combustão no ciclo do carbono. Isto é uma pena, pois , a parte biológica do ciclo do carbono(fotossintese e mineralização) pode oferecer as melhores oportunidades de se encontrar soluções praticas.Existem aproximadamente 100 milhões de hectares de terra nos USA que ainda são aradas para culturas anuais. Os sistema de aração de hoje e do passado já mineralizaram a maior parte do estoque de matéria orgânica(humus) destes mesmos solos, e liberaram bilhões de toneladas de CO2 para a atmosfera. Esta oxidação do humus em conjunto com o aumento continuado da queima de combustíveis fósseis(que também se constitui por velhos depósitos de humus), com todo a certeza contribuíram muito para o aumento da concentração de CO2 na atmosfera durante o ultimo século. Usando a queda dos níveis de humus em terras agricultaveis como um sequestrante biológico de uma parte deste excesso de carbono parece ser um modo pratico e eficiente no item de custos, para reduzir os níveis de CO2 na atmosfera.
Em nossa fazenda na regiao central de Illinois temos cultivado milho e soja, sempre me PD desde de 1975. Neste período a matéria orgânica de nossos solos mais do que dobrou, indo de valores médios de 1,9% em 1974 para 3,9% em 1999. Nestes 26 anos tiramos em torno de 30 toneladas de carbono da atmosfera e a colocamos na camada superficial de 15cm do solo em cada hectare de cultivo. Tambem aumentamos o carbono orgânico do solo(SOC) além desta camada de 15cm. devido a maior atividade de minhocas e por um aumento do volume e profundidade das raízes.A adoção do PD pode ainda se considerada lenta, em primeiro lugar porque existe um “desincentivo” ao sistema que chama mineralização. A aração num primeiro momento, aumenta o O2 do solo, o que aumenta a mineralização da MO e assim libera mais CO2 na atmosfera. A isto corresponde um oxidação dos nutrientes que estão na MO, sendo que o mais abundante é o nitrogênio. Estes nutrientes liberados que ficam disponíveis para as plantas, dão uma vantagem em produção para o sistema convencional, no começo. Como os nutrientes disponíveis tem um valor(preço) bem conhecido e o preço do Carbono não se conhece, se dá mais importância para os nutrientes, sacrificando o valor da matéria orgânica adicionada ao solo. Isto é um beneficio de curto prazo para o produtor, mas um grande prejuízo a longo prazo para a qualidade do nosso solo, da agua e do ar que respiramos.
Para compensar as vantagens de liberação de nutrientes que acontece com a movimentação do solo deveria se colocar um valor monetário no Carbono, havendo um incentivo econômico para o armazenamento deste carbono no solo. Existem diversas maneiras diferentes de se colocar valor econômico no Carbono, e se considerarmos o seu valor energético, o valor do humus e o beneficio de tirar CO2 da atmosfera, um valor razoável para o Carbono seria algo em torno de US$ 100/tonelada( cem dolares por tonelada), ou 10 centavos de dolar por quilo. Assim pelo menos em uma ocasião os fazendeiros e produtores podem colocar valor comercial naquilo que produzem, neste caso o Carbono adicionado ao solo(SOC).
A minha proposta é que este valor de US$100/tonelada seria um “preço minino” para o CO2, que é tirado da atmosfera e depositado no solo.A maneira mais pratica de viabilizar este incentivo parece ser alterar os subsídios que hoje existem de modo que se pudesse pagar pelo CO2 tirados da atmosfera e acumulados no solo. Estes incentivos deveriam vir na forma pagamentos em dinheiro vivo, créditos em impostos ou mesmo no valor de pagamentos de seguros rurais. Este incentivo deveria ser alto o bastante para que seduzisse o produtor, compensando os riscos e custos adicionais do sistema. Acontece uma variação bem grande entre as culturas e também variáveis ambientais, que determinam a quantidade de carbono que sai da atmosfera e o que é armazenado no solo. O serviço de Pesquisa Agricola poderia usar informações ja existentes, alem de coletar novas, para desenvolver modelos de cálculos para retenção e armazenamento do carbono que serviriam de base para os cálculos de valores. Estes mesmos modelos poderiam definir os pagamentos devidos a produção de humus que se acumula no solo pelas diversas coberturas verdes, bem como pelas aplicações de lodo, esterco e mesmo resíduos de outras fontes.
Jim Kinsella, agricultor dos Estados Unidos
A dimensão educativa da agroecologia na
agricultura familiar
04/07/2009 - Considerando a existência de uma dualidade da agricultura familiar, ou seja, a interação entre produção e consumo, pode ser percebida uma crescente atenção dos pequenos agricultores com relação à qualidade dos alimentos e suas consequências à saúde da família. Essa tendência, empiricamente observável em experiên-cias de produção orgânica no Brasil, pode ser interpretada como reflexo de uma consciência ecológica desses agricultores? Nesse sentido, estaria a agroecologia cumprindo uma função educativa na agricultura familiar?
A relação entre produção de valor e necessidades humanas, contraditória com o modo de produção capitalista, constitui uma particularidade importante da agricultura familiar em relação à agroecologia. O debate sobre inovações tecnológicas na agricultura pode adquirir uma dimensão política, ao unificar agricultores atingidos por tecnologias de caráter destrutivo e servindo como ponto de partida para a construção de um novo processo de consciência. A possibilidade de desmascarar o caráter explorador da agricultura capitalista através da experiência com a agroecologia e de associar a necessidade da organização política dos agricultores com outras forças anticapitalistas na sociedade pode conferir uma dimensão revolucionária a um movimento ecológico e cooperativo dos pequenos produtores.
A existência de um amplo movimento político e cultural anticapitalista pode ser reforçada pela auto-organização de seres humanos situados à margem da sociedade capitalista. Nesse sentido, a maior importância da experiência coletiva de produtores e consumidores em uma organização cooperativa consiste no processo de aprendizagem proporcionado pela gestão de um empreendimento produtivo de acordo com critérios igualitários, solidários e democráticos, na perspectiva de uma utopia processualmente concreta. Nessa perspectiva, pode ser incluído o princípio da sustentabilidade através do uso da agroecologia como ponto de partida para a auto-organização de seres humanos atingidos pela modernização capitalista da agricultura. O processo de aprendizagem resultante visa o fortalecimento da autonomia de ação e a formação da consciência dos agricultores. De acordo com Freire é a problemática comum que representa o momento essencial para a emancipação do indivíduo num processo coletivo gerador de consciência. O processo de consciência, por sua vez, pode ser entendido, ao mesmo tempo, como um processo de pesquisa, “no qual o ambiente, as relações de trabalho e de vida constituem o ponto de partida e de determinação” (Széll, 1984: 28).
Com o auxílio da ciência, a tarefa de refletir criticamente o processo de cientificização de tecnologias agrícolas orientado pelos interesses de grandes proprietários rurais e multinacionais do setor agrícola e a sua consequente ocultação de interesses de dominação é, em nosso entendimento, uma das principais contribuições da agroecologia em relação à agricultura familiar e à auto-organização de agricultores. Na medida em que, através de uma ação interdisciplinar, o conhecimento implícito passa a ser tornado explícito em forma de decodificação, há a possibilidade de desvelar interesses de dominação dispersos no interior da sociedade que fundamentam tecnologias, como a coisificação da natureza e dos seres humanos e a dela resultante subsunção e controle do processo produtivo e do trabalho em benefício de grandes corporações e latifundiários. “Por ser dotado da razão, o ser humano é, ao contrário de outros seres vivos, capaz de refletir sobre as causas e conseqüências de suas ações e, desta forma, sobre sua identidade, sua posição e responsabilidade no mundo e sobre o sentido da vida. Essa capacidade de reflexão e auto-reflexão define a existência humana. A reflexão é o conflito com a natureza interna e externa, com opiniões e experiências próprias e de outros (...). Por isso, o resultado da reflexão é também emancipação, ou seja, libertação do indivíduo da dependência social, política e espiritual e a conquista da autonomia e da maioridade livre de preconceitos” (Tischler, 1998: 232).
(Continua na próxima edição)
AREDE realiza trabalho com cooperativas da
agricultura familiar
Ademir Amaral - Técnico Agrícola e colaborador da AREDE
27/06/2009 - O cooperativismo está ganhando um novo impulso na região. Já são dezesseis cooperativas da agricultura familiar e uma central, a Unicooper, exercendo suas atividades nas duas regiões em que a Arede desenvolve trabalhos de assessoria, ou seja, Fronteira Noroeste e Missões. A prática cooperativa tem história e raízes muito fortes por aqui e a partir da década de 1990 ganhou novos contornos com o surgimento de cooperativas municipais da agricultura familiar.
Embora seu impacto econômico ainda não seja muito expressivo, estas cooperativas estão cumprindo um papel fundamental na permanência do pequeno agricultur na atividades rural estimulando a diversificação de culturas e viabilizando a comercialização da produção local. Neste aspecto, a Arede vem acompanhando as cooperativas com assistência técnica e organização administrativa.
Essas experiências de cooperativas tem chamado atenção de entidades ligadas à agricultura familiar. Recentemente, uma parceria da Arede, que tem como uma de suas associadas a IECLB, e pessoas ligadas à Igreja Luterana na Alemanha, trouxe para região representantes alemães que conheceram agricultores familiares ligados às cooperativas Cooperae de Cândido Godói e Coopovec de Porto Vera Cruz. Os visitantes consideraram muito importantes as experiên-cias conhecidas e as propriedades visitadas receberam mudas de frutíferas financiadas pela entidade Alemã.
A produção de alimentos vem sendo estimulada por ações oficiais e pelo crescimento da consciência dos consumidores. O programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do Governo Federal é uma destas ações que tem viabilizado muitas pequenas propriedades. A exigência da compra de no mínimo 30% da merenda escolar da agricultura familiar pelas prefeituras é outra ação que abrirá espaço para as pequenas propriedades. A existência das cooperativas da agricultura familiar tem sido fundamental para encaminhar estes projetos e viabilizar a produção.
Neste contexto, o trabalho da Arede em estimular a diversificação da agricultura familiar pelo viés da agroecologia ganha importância estratégica para a região. O fortalecimento das cooperativas da agricultura familiar também é decisivo nesse processo. Por isso, a parceria entre as Arede e as cooperativas tende acrescer para atender os novos desafios colocados, que diga-se de passagem, são ótimos desafios.
Consumo consciente - a melhor prática ambiental
Airton Rodrigues da Silva - Mestre em Educação nas Ciências e Colaborador da Arede
20/06/2009 - A luta em defesa do meio ambiente vem crescendo em toda parte e tem mobilizado multidões. Ações governamentais com a discussão de leis mais rígidas, atividades de conscientização sobre a poluição nas escolas, caminhadas ecológicas, etc. Todas elas são importantes e fazem parte de um arcabouço de ações que podem melhorar a vida no planeta. Mas somente isso não basta. Falta ir mais a fundo, ser radical. Ir à raiz do problema. O Consumo.
O Relatório Planeta Vivo, publicado em outubro de 2008, pela ONG Fundo Mundial pela Natureza (WWF) previu que, se o ritmo atual de consumo fosse mantido, a humanidade precisaria de dois planetas em 2030 para satisfazer suas necesidades. E isso ainda não é o pior. Em 2004 essa previsão era para 2050. A contar nesse ritmo, o próximo relatório deve apontar dados ainda mais alarmantes. A menos que consigamos mudar radicalmente nossos hábitos de consumo. E está aí o grande “x” da questão. Qualquer discurso ambientalista que não coloque a questão do consumo como central é um discurso sem consistência, portanto, “papo furado”. Plantar árvores, cuidar dos rios, cuidar do lixo continuam sendo atividades importantes, mas apenas paleativos que não resolvem se não atacarmos a questão central. As grandes perguntas são: Será que precisamos consumir tanto? Será que estou consumindo corretamente?
Quanto a primeira pergunta, a resposta para a grande maioria das pessoas, inclusive você que está lendo este artigo, é não. O consumo proporciona um status do qual todos querem desfrutar. E isso torna cada vez mais visível uma igualdade no supérfluo escondendo uma desigualdade no necessário como educação, moradia, saúde. Vivemos num mundo de aparências, que precisam ser constantemente retocadas.
Consome-se pensando na aparência, e não na utilidade. Avolumam-se calçados, roupas, eletrodomésticos, entre tantos outros produtos cuja necessidade foi produzida artificialmente pelo sistema em que vivemos que só se sustenta pelo consumismo e pela exploração do trabalho. O fascínio pelo consumo é tanto, e tão estimuldo pela mídia, que esquecemos até de controlar as nossas finanças. Comprometemos grande parcelas do nosso orçamento familiar com prestações intermináveis e juros extratosféricos.
Mas além de consumirmos muito, consumimos errado. Consumimos produtos dos quais desconhecemos e desconsideramos os processos de produção. Olhamos aparência e preço. Novamente grande parte das escolhas é guiada pela estética, pela apresentação do produto. Criticamos que os produtos orgânicos estão mais caros, no entanto não temos o mesmo critério quando compramos refrigerante, onde não nos importamos de pagar mais para grandes multinacionais. Especialmente o que tange a produção de alimentos, a nossa região vem evoluindo muito na produção de produtos agroecológicos com a organização de cooperativas da agricultura familiar que apoiam as agroindústrias, a produção de frutas, hortaliças, laticínios, embutidos, derivados de cana, entre outros. Esses produtos já estão a disposição, inclusive em alguns grandes supermercados. Priorizar a compra destes produtos é estimular a economia regional e estimular a diversificação, que favorece o meio ambiente.
Urge uma mudança no nosso comportamento como consumidores. E não podemos deixar que isso seja tarefa das futuras gerações que estão na escola hoje. Pois apesar de as escolas, muitas delas pelo menos, estarem desenvolvendo trabalhos muito bons neste sentido, é duplamente equivocada esta concepção. Uma porque, como revelam os dados da WWF, não temos mais tempo a perder; e outra, tão ou mais importante, é o fato do exemplo ensinar muito mais que as palavras. Não bastam medidas paliativas, que só interessam a quem quer continuar lucrando com o sistema. Precisamos atacar as origem dos males e não apenas atuar nas suas consequências. E isso é tarefa de cada um de nós.
O mito da neutralidade dos transgênicos
Antônio Inácio Andrioli
13/06/2009 (...Continuação...)
Se, em decorrência da proibição do cultivo, a pesquisa, que não pressupõe necessariamente sua utilização, continua permitida, porque tais cientistas deixariam de pesquisar na Alemanha? A questão fundamental está exatamente na parcialidade ideológica dessa pesquisa: não se pesquisa o que não poderá ser utilizado e só é utilizado o que interessa à indústria química. Para isso, a indústria anuncia investimentos para manter postos de trabalho. A situação mais marcante é a dos pesquisadores, que com suas pesquisas procuram construir a base para a aceitação dos transgênicos, de forma a assegurar seus próprios empregos. Nessa situação, é possível desconsiderar os interesses da indústria química e dos cientistas por ela financiados?
Ideologias surgem em decorrência da junção entre interesses e conhecimento. Há poucos exemplos na história da ciência que demonstram, de forma tão evidente, o caráter ideológico da técnica como o dos transgênicos. Também não há outro setor da pesquisa pública, em que universidades, laboratórios públicos, empresas privadas e multinacionais cooperem tanto no desenvolvimento de uma técnica e em sua pesquisa, quanto na área da transgenia. Muitos pesquisadores reconhecidos simpatizam com a proposta de comercialização de seus resultados e utilizam sua posição acadêmica para forçar o uso desta técnica não desejada pela maioria da sociedade.
Nesse contexto, estudos críticos, que há mais de 10 anos apontam para os efeitos negativos dos transgênicos, são simplesmente ignorados de forma irresponsável. O argumento dominante é que não se deve deixar de usar uma “tecnologia de futuro”. E isso, mesmo sabendo que os cultivos transgênicos existentes não são mais produtivos e sustentáveis do que os cultivos convencionais. A discussão sobre o futuro está baseada em crenças, pois as experiências dos agricultores demonstram o contrário: após poucos anos de cultivo das plantas transgênicas resistentes a herbicidas e/ou insetos, surgem resistências de inços e pragas, de maneira que a técnica perde sua eficácia. Os cientistas e políticos “neutros” também desconsideram os efeitos negativos dos transgênicos ao meio ambiente e à saúde de seres humanos e animais. O meio ambiente e as pessoas, que vivem nos países em que os transgênicos foram introduzidos há mais tempo, são atingidos, especialmente, em função do aumento do uso de agrotóxicos, correspondendo aos interesses de expansão da indústria química e farmacêutica.
Se trata, portanto, de uma decisão política, e os transgênicos estão relacionados com a dominação na sociedade. As tentativas tecnocráticas de forçar a sociedade a usar uma técnica inefetiva estão fundamentadas ideologicamente, seja através do medo neomalthusiano (de que futuramente faltaria comida para alimentar uma crescente população mundial) ou através da crença nos “milagres da técnica”. Se o uso de uma técnica representa vantagens para uma minoria e causa prejuízos para a maioria, a decisão sobre sua utilização cabe à sociedade. Os cultivos experimentais em ambiente aberto, assim como os cultivos comerciais de transgênicos, representam a destruição de lavouras e de bens alheios, em função da contaminação resultante. Contra isso, as leis de proteção à maioria atingida são bem vindas. Os representantes da indústria química e seus defensores, que em outros momentos se manifestaram como legalistas, agora não querem aceitar esse tipo de decisão e continuam tentando propagar a “razão técnica”, com o objetivo de afirmar seus interesses ideológicos
O mito da neutralidade dos transgênicos
Antônio Inácio Andrioli
06/06/2009
- ”O conceito de razão técnica é talvez ela mesma ideologia. Não somente sua aplicação, porém já a técnica em si é dominação (sobre a natureza e sobre os seres humanos). Uma dominação metódica, científica, calculada e calculadora” (Herbert Marcuse)
A proibição de cultivo da variedade de milho MON 810 conduziu a uma controversa discussão sobre a concepção de ciência e técnica na Alemanha. Há mais tempo se defende na imprensa e, inclusive em círculos científicos, a necessidade de uma ciência puramente objetiva, neutra, especializada, orientada pelos fatos, livre de ideologias, valores e emoções. A ministra da Agricultura, Ilse Aigner, afirmou, após a proibição do milho transgênico, que ela se baseia em estudos científicos e que a decisão não teria sido política. Pode a decisão de uma ministra de Estado não ser política?
A afirmação da ministra Aigner, caracterizando-se como uma pessoa pragmática e não ideológica, pressupõe a existência de uma espécie de coerção objetiva dos fatos (Sachzwang) na ciência, que deveria servir de orientação aos políticos. Embora na ciência se almeje uma aproximação da verdade, com essa compreensão de ciência a pesquisa científica é confundida com a verdade. Portanto, a procura pela verdade, fundamentada em Karl Popper, passa a ser concebida como sendo a própria verdade. Isso pode constituir a base para o aumento da tecnocracia na sociedade, ou seja, o conhecimento especializado passa a ser aceito como fato consumado, como se o processo de pesquisa e a sua interpretação estivessem livres de influências subjetivas. Nesse sentido, as opiniões que se desviam do conhecimento científico teriam um caráter exclusivamente “político”.
Mesmo que isso pareça plausível a um grande público, no processo de construção do conhecimento científico essa questão não é tão simples. Se levarmos em consideração como a ciência funciona particularmente, é evidente que são tomadas decisões subjetivas. Iniciando com a escolha do tema, dos objetivos da pesquisa, do referencial teórico e da metodologia, até chegar à interpretação dos dados coletados, um cientista ou uma comunidade científica tomam, necessariamente, decisões subjetivas. Essas decisões, por sua vez, são influenciadas pelas ideologias e cosmovisões do contexto, no qual uma pesquisa é realizada. Por isso, a ciência é contraditória, histórica e contextualizada. Consequentemente, a ciência não está livre de valores e ela se diferencia de outras formas de acesso ao conhecimento em função do seu método, através do qual se procura analisar empiricamente um determinado contexto, fundamentando-o teoricamente. Esse método foi desenvolvido ao longo da história, quando as visões de mundo eram dominadas por mitos, crenças e superstições. A ciência afirmou sua condição de procurar primeiramente compreender um contexto antes de acreditar nele.
O debate sobre transgênicos, entretanto, está mais dominado por crenças do que pela ciência. Trata-se, basicamente, de um debate político, o qual numa sociedade democrática deveria ser decidido pela publicidade crítica e não pela arrogância e pelo poder da tecnocracia. Para isso, o conhecimento e a pesquisa são importantes, mas de que tipo de ciência se trata? Uma ciência que estigmatiza ideologicamente o contexto, em que não haveria paralelos entre fenômenos naturais e entre acontecimentos históricos? Uma ciência, na qual a pesquisa para a indústria química é confundida com progresso tecnológico? O que significa, afinal, a liberdade de pesquisa, quando os interesses da indústria química e farmacêutica se sobrepõem aos interesses da maioria dos consumidores e agricultores?
Após a proibição do cultivo do milho MON 810, também na Alemanha, o objetivo que está por detrás da transgenia ficou mais evidente. A indústria química se queixa em função dos investimentos realizados em pesquisa e que os empregos dela decorrentes estariam em perigo. Cientistas anunciam que existe a possibilidade de não mais atuarem na Alemanha. Diante disso, os governos, portanto, deveriam continuar assegurando, que uma técnica não desejada pela maioria da população, continue sendo utilizada.
(continua na próxima semana).
Ademir Callegari proferiu palestra em seminário de Economia Solidária e Agroecologia
Pesquisador do IAPAR com formação e experiência internacional falou sobre plantio direto e cobertura orgânica
23/05/2009
- Agrônomo, pesquisador há 32 anos no Instituto Agronômico do Paraná, Ademir Callegari é um dos mais requisitados palestrantes do Brasil quando o assunto é plantio direto e adubação orgânica. Com mestrado na Escócia e doutorado nos Estados unidos e na França, coordena vários projetos de pesquisa, entre os quais um que acompanha mais de 18 mil famílias de pequenos agricultores no Paraguai. Na terça-feira, ministrou palestra de abertura do Seminário de Economia Solidária e Agroecologia promovido pela ONG Arede, Unicooper, Senaes e Ministério do Trabalho e Emprego na cidade de Santo Ângelo.
O evento contou com a presença de mais de 120 lideranças sindicais, cooperativas e integrantes de empreendimentos de economia solidária das regiões Missões e Fronteira Noroeste. Durante dois dias, os participantes puderam discutir vários temas como a crise na economia mundial, alternativas na produção orgânica, políticas públicas para a agricultura familiar, questões de gênero e a construção de redes de cooperação solidária.
Segundo o coordenador do evento, Airton Rodrigues da Silva, o Seminário conseguiu atingir seu objetivo, agradando ao público e motivando os participantes a aprofundar o debate na região e construir relações de integração mais sólidas e planejadas. O evento também contou com apresentações culturais da cidade de Santo Ângelo, como os grupos de teatro “A turma do Dionísio” e “Humanizarte.”
Seminário de Economia Solidária e Agroecologia
18/05/2009
- Produtores rurais e lideranças sindicais e cooperativas estarão discutindo nos próximos dias 19 e 20 de maio técnicas de plantio direto e adubação sem a utilização de produtos químicos. Esse será um dos temas centrais do Seminário da Economia Solidária e Agroecologia organizado pela ONG Arede (Associação Regional de Educação, desenvolvimento e Pesquisa) de Santa Rosa em parceria com a Unicooper, Ministério do Trabalho e Emprego e Secretaria Nacional de Economia Solidária.
O evento acontece no Seminário Sagrada Família de Santo Ângelo e reunirá interessados das re- giões Missões e Fronteira Noroeste, onde a Arede desenvolve seu trabalho. Um dos palestrantes será o internacionalmente renomado Dr. Ademir Calegari do Instituto Agropecuário do Paraná (IAPAR) que estuda técnicas de manejo do solo e adubação orgânicas. Outro tema a ser abordado é a utilização do Neem (árvore medicinal) na produção orgânica e no trato animal com o ambientalista e técnico agrícola Adão Ferreira da Silva.
No segundo dia do evento o tema será a Economia Solidária onde o foco será a crise mundial e as perspectivas para os empreendimentos solidários, as estratégias para o fortalecimento de redes de comercialização e aquisição de matérias primas, bem como as relações de gênero nos empreendimentos solidários. Para o coordenador do Seminário, Airton Rodrigues da Silva, o evento tem o objetivo de fortalecer e aprofundar o debate sobre as alternativas de produção orgânica e sobre a Economia Solidária, dois temas que vem ganhando espaço neste cenário de crise econômica e ambiental atual, bem como dar um passo importante na preparação da 3ª Ecosol, Feira de Economia Solidária e Agroecologia que acontece nos dias 12 e 13 de dezembro no parque de Exposições de Santa Rosa.
Educação ambiental para
o desenvolvimento sustentável
Rosângela Angelin
Doutora em Direito pela Universidade de Osnabrueck (Alemanha), docente do Curso de Direito das Faculdades Integradas Machado de Assis (Fema) e colaboradora da AREDE
09/05/2009
- Continuação - A educação ambiental é, sem dúvidas, um grande desafio para a atual sociedade e, em espe-cial, para os professores e educadores ambientais, os quais possuem a difícil tarefa de trazer para o debate a conexão existente entre a destruição ambiental, o atual modelo de produção capitalista e os problemas sociais, bem como trabalhar a diversidade cultural, a ideologia e os diferentes interesses da sociedade na esfera da proteção ambiental. A educação ambiental encontra-se baseada no desenvolvimento de valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a preservação ambiental, com a finalidade de garantir uma qualidade de vida sadia para as gerações presentes e futuras, abrangendo, portanto, uma dimensão humanitária, holística, interdisciplinar e democrática da proteção ambiental.
No processo de educação ambiental, as informações ambientais possuem um relevante significado, pois possibilitam que os cidadãos possam inteirar-se sobre a situação, organizar-se e influenciar nos processos públicos de decisão, assim como exigir uma maior e mais qualificada tutela ambiental. A atuação da coletividade pode concretizar-se através da participação na criação de direitos, da participação na formulação e aplicação de políticas públicas ambientais e também por vias judiciais.
Uma das formas de participação direta é através de audiências públicas, nas quais os cidadãos podem esclarecer dúvidas, propor alternativas e apresentar críticas, as quais deverão ser consideradas na tomada de decisões da questão em estudo. Apesar da importância destas audiências públicas como mecanismos educadores e democráticos, estas ocorrem esporadicamente.
O grande desafio da educação ambiental rumo a um desenvolvimento democrático e sustentável é, paralelamente à tomada de medidas efetivas que garantam a conservação e proteção ambiental, proporcionar uma educação crítica e inovadora nas camadas formais e informais da sociedade através de um processo político-pedagógico, democrático e duradouro rumo à construção de uma consciência crítica sobre a necessidade da proteção ambiental e a mudança dos atuais padrões de desenvolvimento. Portanto, a educação ambiental tem um papel fundamental na tomada de consciência da co-responsabilidade da coletividade na proteção ambiental e, conseqüentemente, contribui para a democratização das decisões ambientais.
Educação ambiental para odesenvolvimento sustentável
Rosângela Angelin
Doutora em Direito pela Universidade de Osnabrueck (Alemanha), docente do Curso de Direito das Faculdades Integradas Machado de Assis (Fema) e colaboradora da AREDE
02/05/2009
- A naturalização da ideia de exploração da natureza e dos seres humanos com a finalidade de alcançar um determinado modelo de desenvolvimento econômico tem contribuído para o aumento dos riscos ambientais. O termo desenvolvimento sustentável surge como enfrentamento desta crise ecológica global e abrange a estratégia de um desenvolvimento voltado para uma harmônica “coexistência” entre o desenvolvimento econômico e ecológico, o que pressupõe uma interrelação entre qualidade de vida, justiça social, equilíbrio do meio ambiente e desenvolvimento econômico.
A atual Constituição de 1988 deu ênfase especial ao Princípio da Sustentabilidade, tanto no Artigo 225, o qual, ao mesmo tempo que garante o direito a um meio ambiente equilibrado para todos, impõe a co-responsabilidade da coletividade em defendê-lo e preservá-lo, possibilitando, uma ativa participação dos (as) cidadãos (ãs) e um trabalho conjunto com o Poder Público na tutela ambiental. Além disso, o Artigo 170, VI, CF/88 versa sobre a defesa do meio ambiente como um pressuposto para o desenvolvimento econômico. Porém, embora a Constituição Federal brasileira enfatize a tutela ambiental como um direito fundamental dos cidadãos, o modelo atual de desenvolvi-mento econômico capitalista é quem segue ditando as regras para o propagado “desenvolvimento sustentável”. Sendo assim, ao contrário do que muitos afirmam, a ecologização do capitalismo não é possível. Este tem se mostrado incompatível com as exigências ecológicas de um desenvolvimento sustentável.
Diante do poder do “mercado” a legislação vigente está sendo incapaz de frear, controlar e regular a destruição dos recursos naturais e a poluição ambiental. Faz-se necessária uma mudança geral e urgente de atitudes para com o meio ambiente e, neste contexto, a educação ambiental se apresenta como um importante método, que se baseia na tomada de consciência da coletividade sobre a importância da preservação ambiental para uma melhor qualidade de vida, bem como sobre sua co-responsabilidade na proteção am-biental.
A educação ambiental é, sem dúvidas, um grande desafio para a atual sociedade e, em especial, para os professores e educadores ambientais, os quais possuem a difícil tarefa de trazer para o debate a conexão existente entre a destruição ambiental, o atual modelo de produção capitalista e os problemas sociais, bem como trabalhar a diversidade cultural, a ideologia e os diferentes interesses da sociedade na esfera da proteção ambiental. A educação ambiental encontra-se baseada no desenvolvimento de valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a preservação ambiental, com a finalidade de garantir uma qualidade de vida sadia para as gerações presentes e futuras, abrangendo, portanto, uma dimensão humanitária, holística, interdisciplinar e democrática da proteção ambiental.
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