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Agricultores realizam protesto contra preço baixo pago por litro

20/09/2008 - Um protesto realizado por centenas de agricultores familiares em Teutônia, no Vale do Taquari, marcou as mobilizações do Dia Estadual do Leite esta semana. Os produtores interromperam parcialmente o trevo na RS-419 por menos de uma hora para criticar a redução no preço pago pelo litro de leite no estado. Segundo o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Elton Weber, o valor caiu até R$ 0,25 nos últimos 90 dias. Em regiões como Santa Rosa, as indústrias estão pagando menos de R$ 0,35, o litro. Em Três de Maio, esse é o preço médio recebido pelo produtor, cerca de R$ 0,10 menor que em julho.

Entusiasmados com as novas indústrias, os produtores de leite do estado engrossaram as porções de água, ração e pasto dado às vacas na esperança de lucrar com a expansão da cadeia, mas os investimentos atrasaram (até agora, nenhuma das novas indústrias instaladas entrou em operação) e o preço do produto cai na medida que sobra leite no mercado. O valor pago ao produtor já recuou 30%. A previsão da Fetag é que a cotação pare de cair até dezembro, quando o mercado deve se ajustare pelo menos a indústria da CCGL, em Cruz Alta, já estará operando com o processamento de um milhão de litros ao dia.

Em maio, antes do início da queda dos preços, o litro do leite havia se valorizado cerca de 40% no acumulado de 12 meses. No mesmo período, o litro do leite vendido no supermercado caiu 7,1% na média entre os tipos C, B e longa vida integral segundo o Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Iepe/UFRGS).

Para o consumidor, a queda é de cerca de R$ 0,11 nos últimos três meses. Mas, no leite longa vida integral, o excesso de oferta provocou uma redução maior, de R$ 0,19 desde junho, de acordo com a pesquisa do Iepe.

Mapeamento do setor pode reduzir cenário de queda
Segundo a Fetag, o cenário desfavorável será compensando, em parte, por uma iniciativa que aumentará a confiabilidade do produto gaúcho: o mapeamento do setor.
Com alta tecnologia, a intenção do sistema que utilizará como ferramenta o georreferenciamento (posicionamento através de satélite) é montar um banco de dados que tornará possível reforçar o controle sobre doenças como aftosa, tuberculose e brucelose com objetivo de garantir mais espaço no mercado externo. No prazo de oito meses, 180 indústrias de laticínios e postos de resfriamento e 114 mil produtores de leite gaúchos devem estar integrados. Com a ajuda de um smartphone – uma espécie de celular inteligente com GPS (sistema de localização por satélite) e computador incluídos – será feito um levantamento em cada uma das propriedades rurais abrangidas. As empresas ficarão encarregadas de comprar o aparelho e fazer as visitas.

Um total de 34 informações formam o georreferenciamento – uma exigência do mercado internacional, enfatiza Darlan Palharini, secretário executivo do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado (Sindilat), ao indicar como meta Europa e China. O projeto prevê investimento de R$ 500 mil, parte financiado pelo Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal. O mapeamento será o primeiro passo para certificação do rebanho, uma das metas do governo estadual. Um programa de computador desenvolvido pelo Laboratório de Geomática da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) vai ser útil para acelerar a ação, em caso de problema sanitário.

Com o monitoaramento, rapidamente será possível identificar e interditar a área atingida em casos de doença no rebanho. Conforme o secretário executivo do Sindicato das Indústrias de Laticínios (Sindilat), Darlan Palharini, o levantamento apontará questões como área, número de animais, tipo de alimentação e informações sobre a produção. Para Enio Giotto, um dos coordenadores do projeto, será um processo simples e que utilizará tecnologia de ponta. “O técnico da empresa para qual o produtor entrega o leite vai ter esses dados no próprio telefone dele com a posição da propriedade localizada por satélite. A partir daí, ele vai poder perguntar ao proprietário rural quantos animais tem a propriedade, quantos empregados tem, como é feita a ordenha, o horário da coleta do leite, assim dando condições para as empresas se planejarem melhor e o produto terá a garantia que a empresa estará buscando mais mercado para que ele possa continuar investindo na produção leiteira”, explica.

O rápido crescimento, a organização e a modernização da produção leiteira do Rio Grande do Sul, que já atinge R$ 700 milhões em novos investimentos industriais, é um dos fatores que indicam a necessidade do monitoramento. O secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio do estado, João Carlos Machado, acredita que a iniciativa responde aos “desafios da produção leiteira gaúcha no caminho da liderança nacional”.

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