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Pesquisa aponta risco
de eliminação de pequenos
02/12/2006 - O uso
da transgenia na produção de soja
brasileira intensifica a liberação
de forças destrutivas com efeitos simultâneos
sobre a natureza e os seres humanos que vivem
e trabalham na agricultura, enquanto a privatização
de recursos naturais e de conhecimento em benefício
de corporações multinacionais e
grandes proprietários rurais aprofunda
a desigualdade social na sociedade brasileira,
em um contexto no qual as possibilidades de resistência
por parte de pequenos produtores individuais e
de consumidores são significativamente
reduzidas. Essas são algumas das principais
conclusões apresentadas pelo pesquisador
Antônio Inácio Andrioli, de Campina
das Missões, na tese em que obteve o título
de Doutor em Ciências Econômicas e
Sociais pelo Departamento de Ciências Sociais
da Universidade de Osnabrück, na Alemanha.
Em sua pesquisa, ele analisa as transformações
que ocorrem na agricultura familiar da região
noroeste do estado em função do
cultivo de transgênicos e até que
ponto a agroecologia pode contribuir para a manutenção
da agricultura familiar na sociedade capitalista.
Andrioli alerta para o perigo da eliminação
da agricultura familiar em conseqüência
do aumento da concentração no setor
alimentício em nível mundial, da
monopolização do complexo agroindustrial
e da tendência de ampliação
do livre mercado. “A existência dos
pequenos agricultores como produtores individuais
é dificultada pelo uso da transgenia na
agricultura, na mesma medida em que são
obrigados a seguir a estratégia das grandes
multinacionais do setor agrário, tendo
em vista a contaminação genética
que está em curso”, afirma. Para
ele, esse modelo “aprofunda a dependência,
o endividamento e o empobrecimento dos pequenos
agricultores”, e intensifica a concentração
da terra, acelera o êxodo rural e aumenta
o número de sem-terras. “É
nesse contexto que podemos observar a atual expansão
da soja transgênica, iniciada desde 1999
através de semente contrabandeada da Argentina
nas regiões da fronteira brasileira”,
alerta o pesquisador.
O trabalho, que investigou se a soja orgânica
constitui uma alternativa para os pequenos agricultores
da região diante da expansão da
soja transgênica, aponta para resultados
nada otimistas. Para Andrioli, em função
da estrutura agrária da região,
o cultivo de soja orgânica não constitui
uma alternativa viável às propriedades
familiares.
“As perspectivas da agroecologia dependem
fortemente de uma maior organização
cooperativa dos agricultores e consumidores na
região”, defende. Exatamente porque
na agricultura os problemas econômicos,
ecológicos e sociais que ameaçam
a existência dos pequenos agricultores estão
intimamente relacionados, iniciativas coletivas
poderiam abrir novas oportunidades. A auto-organização
dos atingidos pela modernização
capitalista da agricultura poderia permitir a
construção de processos de aprendizagem,
politização e mobilização
social que serviriam de base para uma outra dinâmica
de desenvolvimento. Enfim, a pesquisa aponta que
apenas uma mudança de mentalidade poderá
garantir a subsistência da agricultura familiar
na região.
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